Guia NBA 2025-26: Portland Trail Blazers
O que esperar dos Blazers em 2025-2026? Confira a análise
Blazers demonstram evolução
Na sempre temida Conferência Oeste, o Portland Trail Blazers iniciou a temporada 2024-25 da NBA com poucas expectativas de sucesso. A franquia se preparava para sua segunda campanha sem contar com Damian Lillard, grande referência técnica e de liderança ao longo das últimas décadas. Porém, o resultado final acabou sendo melhor que o esperado, e gerou bons sinais para o próximo ano.
A princípio, os Blazers terminaram na 12ª posição da tabela, com 36 vitórias e 46 derrotas. Assim, esteve à frente, por exemplo, do San Antonio Spurs, do fenômeno Victor Wembanyama, e que trocou pelo armador De’Aaron Fox na trade deadline. Além disso, teve a mesma campanha do badalado Phoenix Suns, que contava com Kevin Durant, Devin Booker e Bradley Beal em seu elenco.
Curiosamente, a temporada de Portland acabou dividida entre duas fases distintas. Durante os dois primeiros meses de disputa, a equipe era a sexta com maior número de derrotas (19), e havia vencido apenas nove confrontos, resultando em um aproveitamento geral de apenas 32%. O ponto de virada, porém, seria o dia 19 de janeiro. Na ocasião, uma vitória sobre o Chicago Bulls encerrou uma sequência de cinco reveses.
E, em seguida, o time engatou dez vitórias nos 11 compromissos seguintes, perdendo apenas para o futuro campeão Oklahoma City Thunder. Da data mencionada em diante, os Trail Blazers aumentaram seu aproveitamento para 56,1%, equivalente ao 14° melhor da NBA. Dessa forma, chegaram a brigar, em certo momento, até mesmo por uma vaga no Torneio de Play-In, que acabou não se concretizando.
Grande parte do sucesso veio por conta do excelente trabalho defensivo. No período de melhora, os comandados de Chauncey Billups registraram a terceira melhor defesa de toda a liga, atrás apenas do próprio Thunder e do surpreendente Toronto Raptors. O desempenho satisfatório, inclusive, rendeu uma extensão contratual de múltiplos anos ao treinador, que antes parecia ameaçado pelo retrospecto ruim das três temporadas anteriores em que esteve à beira das quadras.
Movimentações na offseason e análise
Depois de ser uma das surpresas do Oeste em 2024-25, o Portland Trail Blazers também protagonizou uma das offseasons mais inesperadas da NBA. Antes mesmo do início da free agency aconteceu a primeira grande movimentação. Dessa forma, a franquia acertou uma troca com o Boston Celtics, enviando Anfernee Simons e recebendo Jrue Holiday.
Simons foi uma peça importante do time ao longo das últimas temporadas, mas sua evolução parecia estagnada no período recente. Sua saída vinha sendo especulada já há algum tempo, e acaba concretizada quando o armador se preparava para entrar no último ano de seu contrato atual, vínculo esse que os Blazers nunca pareceram tão interessados em renovar.
A contratação de Holiday, por sua vez, caracteriza um ‘retorno’ do veterano. A princípio, essa será a segunda passagem do também armador pela organização. Na primeira, contudo, não chegou a entrar em quadra vestindo o uniforme dos Trail Blazers. Ele foi parte, por sinal, da troca que levou Lillard ao Milwaukee Bucks. Em seguida, acabou enviado aos Celtics e se tornou nome fundamental da campanha do título de 2024.
Por falar em Lillard, em um movimento surpreendente, o ídolo de Portland também acertou sua volta. Depois de sofrer o rompimento do tendão de Aquiles nos playoffs, acabou dispensado pelos Bucks em um movimento histórico. Milwaukee, portanto, utilizou um recurso chamado ‘waive and stretch’ para dividir o impacto dos vencimentos do armador na folha salarial para os próximos cinco anos.
Inicialmente, a expectativa era de que Dame acertasse com algum contender através de um contrato mais baixo ou até mínimo de veterano, onde poderia realizar o processo de recuperação e seguir buscando seu primeiro anel de campeão.
Porém, ele terminou assinando um contrato de três anos e US$ 41,6 milhões. Ainda que não possa atuar ao longo da próxima temporada, Lillard é uma presença enorme não só no vestiário do time mas também na comunidade da cidade do Oregon, e sua volta foi amplamente comemorada pelos torcedores.
Holiday, por sua vez, agrega ainda mais expertise defensiva à uma unidade já muito forte, além de ser mais um líder reconhecido, com dois títulos de NBA no currículo. O grande problema é o valor investido em ambos. Lillard recebe US$ 14 milhões na temporada sem nem mesmo entrar em quadra. Holiday ainda tem US$ 104 milhões por receber até o fim de 2027-28, quando terá 37 anos.
Neste momento, Portland está projetado como a quinta equipe com maior espaço na folha salarial para a próxima intertemporada. Mas, já precisa pensar em possíveis extensões de Toumani Camara, Shaedon Sharpe e, caso o planejamento corra como o esperado, Scoot Henderson. Tudo isso enquanto é obrigada a pagar Jerami Grant um salário anual na casa dos US$ 34,2 milhões também até 2027-28.
Por último, chegou Blake Wesley, armador ex-San Antonio Spurs que melhorou seu índice durante a temporada passada.
Além de Anfernee Simons, Deandre Ayton foi mais um a deixar a franquia. Sem nunca apresentar o desempenho esperado, o pivô – primeira escolha do Draft de 2018 – assinou com o Los Angeles Lakers depois de ser dispensado dos Blazers e receber até mesmo indiretas do técnico em relação ao seu comprometimento. Sua saída não só não será sentida como também abre espaço para o segundanista Donovan Clingan, que deve tomar conta da posição.
E, claro, para Yang Hansen, fenômeno chinês que tomou conta dos noticiários após o Draft de 2025. Cotado como uma escolha de segunda rodada pelos especialistas, o pivô de 2,16 m de altura acabou selecionado na 16ª posição e viveu bons momentos na disputa da Summer League.
Habilidoso e excelente passador, Hansen foi carinhosamente apelidado de ‘Jokic Chinês’ antes mesmo de sua chegada à NBA, em uma comparação bem humorada com o craque do Denver Nuggets. Apesar disso, precisa evoluir, principalmente no lado defensivo, para que possa explorar por completo o seu potencial na liga.
O que esperar da próxima temporada?
Será uma surpresa se a defesa do Portland Trail Blazers não estiver entre as dez melhores da NBA ao longo da próxima temporada. A unidade mostrou todo o seu potencial na segunda metade de 2024-25, e agora, diante da chegada de Holiday e a saída de Ayton, deve se consolidar como uma das mais fortes de toda a liga.
O teto da equipe em 2025-26, portanto, está diretamente ligado à capacidade de seu ataque de gerar pontos, principalmente em situações de meia-quadra. Vindo de uma campanha onde teve a nona pior unidade ofensiva, os Blazers perderam seu principal pontuador e o jogador responsável por cerca de 17% de sua média de pontos por jogo em Anfernee Simons. Nesta altura da carreira, Jrue Holiday não parece capaz de preencher essa lacuna.
Então, a expectativa é de que, neste sentido, a pressão seja ainda maior em cima de nomes como Deni Avdija e Shaedon Sharpe.
O primeiro foi um dos grandes responsáveis pelo salto de qualidade do time na última temporada. Após a parada para o All-Star Game, o ala registrou 23,3 pontos, 9,7 rebotes e 5,2 assistências, transformando-se em um verdadeiro maestro ofensivo. O segundo também teve um salto de produtividade no período, com 21,2 pontos e 5,8 rebotes.
Como parte de uma conferência extremamente disputada, Portland dificilmente conseguirá brigar por vaga nos playoffs. Porém, parece possível que dispute, de maneira mais constante, uma vaga no Torneio de Play-In. No melhor dos cenários, se o ataque conseguir se reinventar e se manter pelo menos na média da liga, os Trail Blazers podem ser um dos grandes candidatos a surpresa da temporada.

Foto: Troy Wayrynen-Imagn Images
Jogador para ficar de olho: Scoot Henderson
Se falamos sobre a pressão enfrentada por Avdija e Sharpe, Henderson chega para uma temporada crucial em sua ainda jovem carreira. Entrando no terceiro ano de NBA, o armador terá mais responsabilidades do que nunca.
A princípio, 2025-26 será o grande ‘teste de fogo’ do jogador, onde o Portland Trail Blazers poderá avaliar se está disposto a continuar investindo em sua evolução ou escolher um outro caminho.
Terceira escolha do Draft de 2023, Henderson já acompanha outros companheiros da mesma classe alcançarem patamares superiores. A comparação com Victor Wembanyama, evidentemente, é cruel. Porém, outros nomes como Brandon Miller, Amen Thompson, Dereck Lively, Cason Wallace, Brandin Podziemski e tantos outros já se provaram mais que o ex-jogador do G League Ignite.
Durante a última campanha, o jovem observou uma queda em sua minutagem (de 28,5 para 26,7), o que ocasionou também uma redução na média de pontos, assistências e até mesmo turnovers. Ainda assim, aumentou o aproveitamento no perímetro (de 32,5% para 35,4%) e a média de roubos de bola.
Agora, Henderson deve ganhar o posto de titular, e terá dois grandes exemplos para auxiliá-lo nos vestiários. Por um lado, poderá desenvolver seu repertório ofensivo ao lado de Lillard, um dos grandes armadores do século e um símbolo incontestável da franquia. Por outro, também conseguirá aprender com um dos maiores mestres defensivos de seu tempo em Holiday.
As armas estão aí. Cabe a Henderson e à comissão técnica dos Blazers aproveitá-las da melhor forma.
Fator-chave para o sucesso: bolas de 3 pontos
O Portland Trail Blazers teve o quinto pior aproveitamento nos arremessos desse tipo na última temporada e também a 11ª menor média de tentativas convertidas no perímetro. E adivinhe só quem foi o líder do elenco no quesito? Mais uma vez, Anfernee Simons, com 3,1 arremessos certeiros por partida. Mais que isso, liderou também em conversões sem contar com assistências e também em pull-ups.
A perda dessa produção com certeza será sentida, e a franquia precisa que seus jogadores sejam capazes de evoluir neste aspecto. Sharpe é um dos nomes com mais volume, mas vem da pior temporada da carreira em aproveitamento, com apenas 31,1%. Da mesma forma, Jerami Grant também passou por uma queda. Depois de duas campanhas consecutivas com pelo menos 40%, teve apenas 36,5%.
Lillard poderia ser um grande reforço nesse sentido, mas, como já mencionamos, só voltará a atuar a partir de 2024-25. Holiday também vem de um retrospecto ruim, com 35,3% de acerto. Isso depois de registrar seu melhor desempenho na temporada do título dos Celtics, quando acertou 42,9%.
Por fim, Portland tem uma série de nomes que já viveram momentos melhores nos chutes de longa-distância. Ainda não sabemos se eles conseguirão recuperar o aproveitamento de outros tempos, mas, caso não consigam, a equipe pode sofrer com sérias dificuldades em sua produção ofensiva.
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