Agora aposentada, Diana Taurasi, uma das maiores jogadoras da história da WNBA, rasgou o verbo contra a desvalorização das atletas na liga
Foto:Rob Schumacher/The Republic / USA TODAY NETWORK via Imagn Images
Mesmo sendo uma das maiores jogadoras da história do basquete feminino, Diana Taurasi não teve vida fácil na WNBA. Bem como, ela revelou que passou boa parte da carreira ganhando menos que funcionários da limpeza e zeladores nos EUA. Em sua série que estreia nesta quarta-feira (7) no Amazon Prime Video, a lenda da liga não poupou críticas ao sistema que forçou ela – e tantas outras atletas – a buscar sustento financeiro fora do país.
Um desabafo que escancara a desigualdade
Durante anos, ela teve que disputar temporadas na Rússia para garantir o sustento. Enquanto isso, nos Estados Unidos, jogava por paixão e um salário simbólico próximo ao que recebia em solo europeu.
“Eu era a melhor jogadora do mundo e precisava ir para um país comunista pra ser paga como uma capitalista”, disparou Taurasi.
“Agora a gente tem que voltar pra casa e ganhar quase nada, pra jogar numa liga mais difícil, em piores condições, contra as melhores do mundo. O zelador da arena ganhava mais do que eu”, completou.
"I’m the best player in the world, and I have to go to a communist country to get paid like a capitalist."
Esse relato, apesar de impactante, está longe de ser uma exceção. É comum que estrelas da WNBA disputem ligas na Europa, Rússia ou Ásia durante a “offseason” americana. Isto porque, ‘do outro lado do mundo’, os salários podem chegar a dezenas de vezes o valor do que recebem nos Estados Unidos.
Um legado gigante, mesmo com tantas barreiras
Apesar dos obstáculos, Diana Taurasi construiu uma das carreiras mais brilhantes do esporte. Ela se despediu das quadras com um currículo impressionante que inclui seis ouros olímpicos. Além disso, ela conquistou três títulos da WNBA (2007, 2009 e 2014), dois prêmios de MVP das finais e um de MVP da temporada regular (2009).
Na Europa, também não se destacou. Venceu seis títulos da EuroLeague (2007 a 2010, 2013 e 2016), dominando o basquete internacional. Complementando sua brilhante carreira, ainda antes da profissionalização, levou a universidade de Connecticut a três títulos consecutivos da NCAA (2002 a 2004).
O desabafo de Taurasi acontece em um momento em que o debate sobre igualdade salarial no esporte feminino ganha cada vez mais espaço. Atualmente, a WNBA vem recebendo novos investimentos, e o aumento da visibilidade da liga é notório. Dessa forma, impulsionada por estrelas como Caitlin Clark, A’ja Wilson, Sabrina Ionescu e Paige Bueckers, a liga pode, finalmente, começar a mudar esse cenário.
Mas enquanto as mudanças não chegam de forma mais concreta, relatos como o de Diana Taurasi seguem como lembrete de que, mesmo no mais alto nível, as jogadoras ainda lutam por reconhecimento e valorização.
Escreve sobre o que ama. Torcedor incondicional dos Patriots desde a temporada perfeita que não teve final perfeito. Um viciado em jogos de esportes desde seu finado PS1, é apaixonado também por Bruins, Red Sox e Celtics. Tem a felicidade de já ter visto todos os seus times de coração serem campeões. Sonha em um dia entrevistar pessoalmente seu maior ídolo, Patrice Bergeron.