O volante Damián Bobadilla, do São Paulo, pode enfrentar sérias consequências dentro e fora de campo após ser acusado de xenofobia pelo lateral Miguel Navarro, do Talleres, durante a vitória tricolor por 2 a 1 pela Libertadores, no Morumbis, na última terça-feira (27). Segundo Navarro, o paraguaio o chamou de “venezuelano morto de fome” durante uma discussão acalorada após o segundo gol do time paulista, marcado por Luciano. O caso teve registro em boletim de ocorrência, e Bobadilla deve prestar depoimento nesta quarta-feira (28) na DRADE, a Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva, em São Paulo.
Mesmo sem o registro do incidente na súmula do árbitro chileno Piero Maza, o caso ganhou contornos sérios com o depoimento de testemunhas como Nahuel Bustos e Marcos Portillo, também do Talleres. Navarro chegou a chorar em campo e cogitou deixar a partida, sendo contido e amparado até por adversários. A Polícia Militar não conseguiu localizar Bobadilla no estádio após o jogo, e o São Paulo ainda não comentou o episódio.
A Conmebol, por sua vez, mantém silêncio. No entanto, a entidade já aplicou sanções por casos semelhantes nesta edição da Libertadores. Em abril, Pablo Ceppelini, do Alianza Lima, foi suspenso por quatro meses após ofender torcedores do Boca Juniors com comentários xenofóbicos. Ou seja, o gancho para Bobadilla pode seguir o mesmo caminho — especialmente diante da crescente pressão por atitudes mais firmes contra intolerâncias no futebol sul-americano.
Caso considerem o volante culpado, poderá sofrer afastamento das competições organizadas pela Conmebol e ainda responder criminalmente no Brasil. Mesmo que a investigação ainda esteja em estágio inicial, o episódio já colocou Bobadilla no olho do furacão. O São Paulo, que vive bom momento técnico, agora se vê obrigado a administrar uma crise extracampo, que pode custar caro à imagem do clube.
soccer Jornalista em formação diretamente de Niterói-RJ. Busca juntar o que mais ama: comunicação e esporte. É grande torcedora do Fluminense e da McLaren, além de apaixonada por futebol nacional desde pequena. Encantou-se com diversas categorias do automobilismo e, hoje, não sabe viver sem os roncos dos carros. Uma grande entusiasta do multilinguismo e viajante pelo mundo.
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