O Ministério Público (MP) de São Paulo recorreu nesta terça-feira (28), solicitando o aumento da pena de Jonathan Messias Santos da Silva, torcedor do Flamengo condenado a 14 anos de prisão pelo assassinato de Gabriella Anelli, ocorrido nos arredores do Allianz Parque, em São Paulo, em julho de 2023. O crime aconteceu pouco antes da partida entre Palmeiras e Flamengo, durante um confronto entre torcidas. A promotoria e os advogados da família da vítima alegam que a pena foi branda diante da gravidade do caso e do sofrimento irreparável causado.
MP quer revisão de pena para Jonathan Messias, condenado por matar Gabriella Anelli com estilhaços de garrafa antes de jogo no Allianz Parque
Além do Ministério Público, a defesa da família de Gabriella, a aguar como assistente de acusação, apresentou argumentos adicionais para justificar o aumento da pena. Entre os pontos destacados estão a tentativa de disfarce de Jonathan, que trocou de roupa após o crime, o profundo abalo psicológico sofrido pelos pais da jovem e o pedido para que a Justiça exclua a atenuante da confissão, considerada parcial.
“Não buscamos vingança, mas justa retribuição. Penas mínimas ferem o princípio da individualização e colocam em risco o pacto social que protege a vida”, afirmou o advogado Yohann Sade.
Segundo a investigação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Gabriella foi atingida por estilhaços no pescoço após Jonathan lançar uma garrafa durante a confusão entre as torcidas. O réu confessou ter arremessado o objeto, mas afirmou não saber se o impacto que causou a morte partiu especificamente da sua ação. A condenação teve decisão por maioria entre os sete jurados, e a defesa já anunciou que também recorrerá.
Família busca justiça e relata sofrimento insuperável: “Só vai passar quando a gente se for”
Os pais de Gabriella, Dilcilene e Ettore, mudaram-se para Curitiba após o crime. No entanto, revelaram que enfrentam graves problemas de saúde mental, a incluir crises de ansiedade, depressão e tentativas de autoextermínio. Eles estavam indo ao estádio juntos pela primeira vez como família, mas a noite terminou em tragédia.
“A gente não tem mais vontade de viver. Minha filha lutou tanto para sobreviver. Não existe cura pra essa dor”, desabafou a mãe.
A família pede que a Justiça se firme como exemplo para evitar novas tragédias, a destacar que, enquanto o acusado ainda tem vida, eles seguem carregando o peso da perda.
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