Confira a primeira atualização detalhada do The Playoffs da corrida para o prêmio de novato do ano
Com pouco mais de um mês de temporada 2025-26 da NBA, a maioria das equipes já alcançou a marca de 20 partidas na campanha. Entre surpresas e decepções, começam a se desenhar as disputas que movimentarão a tabela de classificação da melhor liga de basquete do mundo. E, se no aspecto coletivo os olhares já se atentam às situações e projeções de cada franquia, o mesmo pode se dizer para o individual.
Ao passo em que o fim do ano se aproxima, a briga pelos tradicionais prêmios que coroam sazonalmente as principais estrelas da associação vai ficando cada vez mais quente. Nesse sentido, uma das corridas mais prestigiadas é a do novato do ano. O troféu, que leva o nome do lendário Wilt Chamberlain, é cobiçado pelas maiores promessas da modalidade, que já tiveram a chance de mostrar seus respectivos cartões de visita aos fãs da bola laranja.
A princípio, a classe de 2025 do Draft reúne talentos de alto potencial, e já começou a mostrar porque é considerada uma das melhores dos últimos anos.
Pensando nisso, o The Playoffs traz, mensalmente, uma atualização autoral sobre o ranking dos calouros da NBA em 2025-26. E a primeira edição, que contempla as primeiras semanas da temporada, está disponível logo abaixo.
Confira!
Uma das primeiras escolhas que mais gerou expectativas no século, ao lado de nomes como LeBron James e Victor Wembanyama, Cooper Flagg foi também o segundo jogador mais jovem selecionado na posição no período, atrás justamente do próprio LeBron. O fenômeno de Duke teve uma passagem rápida e brilhante pela NCAA, e esperava-se que seu impacto a nível profissional fosse instantâneo.
Porém, os primeiros jogos do ala na NBA serviram para lembrar que, por melhor que ele seja, ainda se trata de um jovem de apenas 18 anos. Mais que isso, de um jovem de 18 anos que se viu inserido em um contexto que está longe do ideal. Antes do início da campanha, esperava-se que o Dallas Mavericks fosse ao menos competitivo na Conferência Oeste, mesmo diante da ausência de Kyrie Irving. O que se viu na prática, porém, foi completamente diferente.
O desfalque de Irving, por sinal, fez com que Jason Kidd delegasse a Flagg a responsabilidade de ser o armador primário do quinteto titular, função que ele nunca desempenhou por completo em sua trajetória no basquete – ainda que tenha construído a reputação de um ala que tem boas valências criativas com a bola nas mãos.
A experiência deu errado, e o jogador passou por um início de caminhada difícil na liga. Felizmente, contudo, foi corrigida a tempo. Nas primeiras cinco partidas disputadas, o calouro teve médias de apenas 13,4 pontos e 41% de aproveitamento nos arremessos. Além disso, registrou uma relação de somente 1,4 assistência distribuída para cada turnover cometido.
Coletivamente, Dallas também demonstrou um péssimo desempenho, que culminou inclusive na demissão do polêmico general manager Nico Harrison. Kidd percebeu a pressão que havia colocado sobre os ombros de sua jovem estrela e passou a escalar Flagg em sua posição original, acompanhado sempre de armadores como Brandon Williams e Ryan Nembhard.
Your Western Conference @Kia Rookie of the Month for October/November:
— NBA (@NBA) December 2, 2025
Cooper Flagg of the Dallas Mavericks! https://t.co/z9pVnDPwy0 pic.twitter.com/ZTROWvTHq4
E, em pouco tempo, a mudança surtiu efeito. Considerando os últimos seis compromissos, o camisa 32 conseguiu 20,8 pontos, 49% de aproveitamento e duas assistências para cada erro. A primeira grande atuação veio no sábado (30), com os 35 pontos e oito rebotes marcados na vitória sobre o Los Angeles Clippers.
Naturalmente, Flagg ainda precisa melhorar em alguns quesitos, sendo os principais o aproveitamento do perímetro (atualmente em apenas 25,6%) e a capacidade de minimizar os efeitos do cansaço no decorrer dos jogos. Porém, por outro lado, seus pontos fortes estão cada vez mais visíveis. O jovem já é uma arma letal em transição, consegue pontuar com eficiência no garrafão e na meia-distância e se portar com mais disciplina na defesa. Aos poucos, então, vai caminhando na direção da imagem que se previa dele antes da chegada à liga.
Principais estatísticas de Cooper Flagg: 17 pontos, 6,6 rebotes, 3,4 assistências, 46,6% FG e 25,6% nos 3p

Permanecemos em Duke para a segunda posição. Companheiro de Flagg na universidade, Kon Knueppel poderia muito bem estar no topo desta lista. Afinal, é o novato mais regular da classe até o momento, e de longe o que demonstrou estar mais preparado para atuar no nível da NBA desde seus primeiros minutos em quadra.
Também em um contexto complicado, o ala-armador vem sendo a melhor notícia de um Charlotte Hornets que tem muito mais problemas que soluções. Aos 20 anos, Knueppel tem um estilo de jogo maduro e eficiente que o acompanhou ao longo de toda a temporada da NCAA e permanece intacto no início de sua trajetória profissional. Até por isso, lidera os calouros em média de pontos por partida.
Considerado um dos melhores arremessadores da classe (ao lado de Tre Johnson, do Washington Wizards), o jovem vem correspondendo às expectativas ao registrar um aproveitamento de 41,5% nas tentativas do perímetro. Considerando apenas os atletas com média igual ou superior aos 8,4 arremessos de 3 pontos por jogo (número registrado por Knueppel até o momento), ele aparece em segundo na porcentagem de acertos.
Your Eastern Conference @Kia Rookie of the Month for October/November:
— NBA (@NBA) December 2, 2025
Kon Knueppel of the Charlotte Hornets! https://t.co/z9pVnDPwy0 pic.twitter.com/mucHO7a0JL
Esse índice o coloca acima, por exemplo, de nomes como Anthony Edwards, Donovan Mitchell, Tyrese Maxey e até mesmo Stephen Curry.
Além disso, Knueppel não é apenas um arremessador de catch and shoot, daqueles que se desmarcam no perímetro através da gravidade dos companheiros e sobem para o arremesso a partir de um passe de qualidade. A maior prova disso é que 1,4 dos 8,4 chutes do perímetro nascem de pull up, ou seja, arremessos tentados após a finalização de um drible. Destes, ele acerta impressionantes 50%.
O camisa 7 também vem ampliando seu repertório ofensivo ao longo da temporada. Nos primeiros dez jogos, marcou uma média de 4,4 pontos no garrafão. Desde então, esse número já subiu para seis. A visão de jogo também um dos pontos subestimados de seu jogo, com a média de assistências subindo de 2,8 para 3,2 no mesmo período.
Defensivamente, o ala-armador compensa a falta de agilidade lateral e de fisicalidade com inteligência e mãos ativas, e já está beirando a média de um roubo de bola por jogo. Motivos mais que suficientes para animar os torcedores dos Hornets, que a tempos imploram por períodos mais vitoriosos na Carolina do Norte.
Principais estatísticas de Kon Knueppel: 20,2 pontos, cinco rebotes, 3,2 assistências, 48,3% FG e 41,5% nos 3p
Por falar em jogadores prontos, Cedric Coward é mais um que mal chegou na liga e já parece um veterano de longos anos na NBA. Na noite do Draft, o Memphis Grizzlies subiu cinco posições para selecioná-lo com a escolha de número 11, após uma troca com o Portland Trail Blazers, e a aposta vem se justificando. Seu início meteórico o credenciou como a grande surpresa do primeiro mês e, mesmo diante de uma queda natural de rendimento, o saldo ainda é muito positivo.
Durante as primeiras 12 partidas como profissional, o ala registrou médias de 14,5 pontos, 5,9 rebotes, 3,1 assistências, um roubo e apenas 1,1 turnover, com 40% de aproveitamento no perímetro. Uma sequência ruim recente prejudicou um pouco os números gerais, mas o balanço total ainda faz valer a escolha de Coward para fechar o pódio do nosso ranking.
Assim como os times mencionados acima, os Grizzlies também não viveram um bom início de temporada. Todavia, o histórico de desenvolvimento de jovens da franquia é mais um motivo para acreditarmos que o ala deve estar no topo desta briga durante toda a campanha. No ano passado, por exemplo, Memphis garantiu, com a 39ª escolha geral, a chegada de Jaylen Wells. Hoje titular incontestável da equipe, Wells terminou em terceiro na corrida pelo prêmio de novato do ano, fazendo parte ainda do time ideal de calouros.
Por fim, há de se considerar ainda o impacto defensivo de Coward. A franquia do Tennessee tem, de maneira geral, a 15ª defesa da liga, cedendo 114,5 pontos a cada 100 posses de bola. Com o novato em quadra, esse número cai para 109,6, o que seria suficiente para posicionar a unidade como a segunda melhor, atrás apenas do avassalador Oklahoma City Thunder.
The list of potential Kawhi Leonard clones has grown since the SDSU product blossomed into a superstar
— Point Made Basketball (@pointmadebball) November 19, 2025
Cedric Coward is the next candidate to have a similar career path, with eerily similar body types to the Klaw
Coward’s measurements:
Height: 6’5.25”
Wingspan: 7’2.25”… https://t.co/Y4Eg36YmQX pic.twitter.com/sMA1DEdQmm
Principais estatísticas de Cedric Coward: 13,2 pontos, seis rebotes, 2,7 assistências, 45,2% FG e 35,4% nos 3p

Os 34 pontos marcados por VJ Edgecombe em sua estreia na NBA consolidaram a maior pontuação de um calouro na primeira partida na liga desde ninguém mais ninguém menos que Wilt Chamberlain, que marcou 43 em 1959 pelo então Philadelphia Warriors (posteriormente San Francisco e hoje Golden State). Um pouco mais tarde, Wilt marcaria seu nome na história do Philadelphia 76ers, que hoje vê em Edgecombe mais um motivo para sorrir pensando no futuro.
VJ Edgecombe 34 PTS, 7 REB, 3 AST, 1 STL, 13/26 FG, 5 3PT, 59.4% TS vs Boston https://t.co/rBHx2jV1SO pic.twitter.com/i8KIiYNgzt
— Basketball Performances (@NBAPerformances) October 23, 2025
Produto da Universidade de Baylor, o bahamense chegou à maior liga de basquete do planeta como um defensor de elite e um dos atletas mais impressionantes da classe, em termos físicos. Poucos esperavam, porém, o impacto ofensivo inicial demonstrado por ele.
Edgecombe vem mostrando maturidade para atacar os espaços, principalmente quando recebe a bola parado e ataca defensores em movimento. Sua velocidade no primeiro drible costuma garantir uma vantagem essencial nas infiltrações, e o jovem vem fazendo boas escolhas entre os momentos de subir para a cesta e passar a bola para fora (atualmente, é o líder em assistências entre os novatos).
Assim como aconteceu com Coward, uma sequência recente pouco produtiva acabou prejudicando um pouco sua posição na corrida, especialmente depois de ficar fora de três dos últimos quatro jogos de Philadelphia. De qualquer forma, vem correspondendo muito bem às expectativas de uma terceira escolha geral de Draft.
O principal ponto de atenção é o arremesso de longa-distância. A princípio, o aproveitamento não é dos piores, com 36%, mas a inconsistência demonstrada ainda é um sinal de que o fundamento em questão precisa ser trabalhado com carinho. O aproveitamento na linha do lance livre, de apenas 73%, também é um indicativo de que sua mecânica ainda pode ser aprimorada.
Principais estatísticas de VJ Edgecombe: 15,1 pontos, 5,8 rebotes, 4,1 assistências, 41% FG e 36% nos 3p
O New Orleans Pelicans chocou o mundo da NBA (em especial os executivos) quando decidiu trocar sua escolha de primeira rodada do Draft de 2026, desprotegida, para o Atlanta Hawks. A pick vem se provando um dos ativos mais valiosos da liga, e foi um dos componentes do pacote oferecido pela franquia para subir na seleção e escolher Derik Queen, na 13ª posição.
Mesmo os maiores fãs de Queen (incluindo este que vos fala) tiveram dificuldades para entender a estratégia da equipe, que mostrava pouca capacidade de ser competitiva em uma conferência acirradíssima. A decisão, de fato, vem se mostrando a pior possível. Obviamente, contudo, o jovem não tem culpa nenhuma disso, e vem fazendo valer a sua parte no acordo com méritos.
Desde sua carreira universitária, em Maryland, Queen dividia opiniões entre os scouts. Por um lado, é dono de uma habilidade ímpar para colocar a bola no chão e armar o jogo a partir de passes sofisticados, especialmente para alguém de sua posição. Conta com uma visão de jogo aguçada e também com um refinamento digno dos pivôs da ‘velha guarda’ no poste baixo.
Por outro, tem problemas defensivos evidentes relacionados à falta de mobilidade, que são agravados ainda mais por sua estatura relativamente baixa (2,06 m) para um jogador de garrafão. Encantado pelo que viu do garoto, New Orleans resolveu arriscar, e a projeção para o futuro parece excelente diante de seus primeiros passos na liga.
Derik Queen, absolute baller
— New Orleans Pelicans (@PelicansNBA) November 20, 2025
career-high, 30 PTS (12/18 FG)
9 REB
4 AST
2 BLK
2 STL pic.twitter.com/tB21UXOBay
Depois de um início complicado no aspecto defensivo, conseguiu se estabilizar minimamente na proteção de aro. Atualmente, força seus oponentes a um aproveitamento 1,2% pior que o de suas respectivas médias em tentativas próximas à cesta. O número não é espetacular mas, é melhor, por exemplo, que os registrados por Myles Turner e Scottie Barnes. No pick’n roll, porém, Queen costuma sofrer mais, principalmente para acompanhar armadores adversários, naturalmente mais ágeis.
No ataque, contudo, o pivô vem se descobrindo cada vez mais. Nos últimos cinco jogos, coleciona médias de 15 pontos e quase cinco assistências, se destacando justamente pelas qualidades que já demonstrava no college. Além disso, vem se mostrando muito eficiente em infiltrações, registrando a quarta melhor média de pontos (4,8) no quesito entre os novatos e a maior com sobras entre os jogadores de garrafão da classe.
Principais estatísticas de Derik Queen: 11,9 pontos, 6,1 rebotes, 3,4 assistências, 48% FG e 11,8% nos 3p

Demais posições: