O Corinthians se vê no centro de uma das maiores crises institucionais de sua história recente. A parceria firmada com a casa de apostas VaideBet, anunciada em janeiro de 2024 como o maior contrato de patrocínio máster do futebol brasileiro, se transformou em uma dor de cabeça que extrapolou as quatro linhas. A Polícia Civil de São Paulo, com apoio do Ministério Público, investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e associação criminosa envolvendo intermediários do acordo e possíveis conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Por fim, a situação levou à rescisão contratual e alimenta um processo de impeachment contra o presidente Augusto Melo.
Contrato do Corinthians com a VaideBet virou alvo da Polícia Civil
O que começou como uma parceria de R$ 370 milhões em três anos; com pagamentos mensais, cláusula anticorrupção e promessas de estabilidade financeira; desandou após revelações preocupantes. A Rede Social Media Design LTDA, empresa de Alex Cassundé e responsável pela intermediação do contrato, repassou quantias vultosas à Neoway Soluções Integradas, que por sua vez transferiu cerca de R$ 1 milhão à Wave Intermediações Tecnológicas. Essa última, em sequência, enviou três depósitos que totalizaram R$ 870 mil para a UJ Football Talent Intermediação.
Foi nessa última empresa que a polícia identificou o elo com o crime organizado. Segundo o delator Antonio Vinicius Lopes Gritzbach, morto em novembro de 2024 durante ação policial em Congonhas, a UJ seria informalmente controlada por Danilo Lima, o “Tripa”, integrante do PCC. A quebra de sigilo bancário revelou o caminho do dinheiro, e a Promotoria estuda enquadrar os envolvidos por lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Augusto Melo e aliados viram alvo; VaideBet rompe com o Corinthians
A crise, então, respingou diretamente na diretoria do Corinthians. O presidente Augusto Melo, o ex-diretor administrativo Marcelo Mariano e o ex-superintendente de marketing Sérgio Moura prestaram depoimento à Polícia Civil. Todos, no entanto, afirmaram versões divergentes sobre a participação de Cassundé na negociação. Nenhum deles apresentou provas concretas sobre como foi conduzido o fechamento do acordo.
Diante da nebulosidade dos fatos, a VaideBet decidiu encerrar a parceria no dia 7 de junho, após 5 meses de parceria, com a justificativa do rompimento por suspeitas de uso de “laranja” e quebra de cláusula anticorrupção. A empresa, logo, alegou que “a simples dúvida ética” foi suficiente para tomar a decisão.
Clube tenta estancar crise e evitar rebaixamento institucional
O clube, por sua vez, reiterou publicamente que colabora com as investigações e notificou a intermediária. Ademais, contratou uma auditoria externa e abriu apuração interna pelo Conselho Deliberativo. Oficialmente, o Corinthians nega qualquer envolvimento direto com os repasses irregulares e sustenta que as irregularidades estão ligadas a terceiros.
Contudo, o episódio se tornou combustível para o processo de impeachment contra Augusto Melo. A admissibilidade teve aprovação, mas a votação final aguarda trâmites jurídicos e terá realização em 26 de maio.
A Polícia Civil considera o caso avançado e deve apresentar o desfecho até meados de maio. Caso haja comprovação de crimes, encaminharão os indiciados ao Ministério Público para possível denúncia formal.
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