Após o fim do torneio preparatório, veja alguns dos nomes que se destacaram e devem receber mais oportunidades na temporada regular
A NBA Summer League teve fim no domingo (21), e o título ficou nas mãos do Charlotte Hornets. Mais importante que a conquista, no entanto, foi o desempenho demonstrado por alguns jovens talentos da equipe, como os novatos Kon Knueppel e Liam McNeeley.
O torneio de preparação, porém, não é só uma chance para que os torcedores possam ver de perto os jogadores selecionados no último Draft. Ele garante também oportunidades a segundanistas, atletas que buscam o último espaço do elenco com um contrato two way ou querem se firmar de vez no time principal.
Pensando nisso, o The Playoffs preparou uma lista com sete jogadores que impressionaram na disputa do torneio e devem receber mais minutos ao longo da próxima temporada da NBA.
Vale lembrar que foram considerados apenas atletas com um ano ou mais de experiência. Se quiser ficar por dentro dos calouros selecionados fora do top 5 no Draft de 2025 que podem surpreender, confira também nossa lista de candidatos improváveis ao prêmio de novato do ano na temporada 2025-26.
E, por fim, veja abaixo a dos atletas mais experientes que brilharam na NBA Summer League 2025. Boa leitura!
Se preparando para o seu segundo ano na NBA, Terrence Shannon Jr. chegou à disputa da Summer League com vivências que poucos jogadores em sua situação já puderam desfrutar.
Durante a última temporada, o ala-armador conquistou, aos poucos, um espaço na rotação do treinador Chris Finch. Assim, mesmo disputando apenas 32 partidas durante a regular, ganhou minutos importantes na disputa dos playoffs. Inclusive nas finais de conferência, diante do Oklahoma City Thunder.
Prestes a completar 25 anos, o jovem, então, teve o desempenho que se esperava dele na Summer League. Em três jogos, conseguiu médias de 22,7 pontos, seis rebotes e cinco assistências, acertando 38,5% de seus arremessos do perímetro. A eficiência nas bolas de três pontos chamou atenção até mesmo de um dos novos sócios majoritários da franquia, o lendário Alex Rodriguez.
Como contou Jon Krawczynski no The Athletic, o ex-jogador da MLB se disse impressionado com a consistência de Shannon Jr. nos treinamentos. Agora, ele desponta como o favorito a preencher os minutos deixados por Nickeil Alexander-Walker, que acertou com o Atlanta Hawks na free agency.
Com boa capacidade de infiltração e excelente trabalho defensivo, o ala-armador entende também a importância de acertar arremessos de três pontos livres. Assim, pode aproveitar o espaço gerado quando dividir a quadra com nomes como Anthony Edwards e Julius Randle.
Depois de duas temporadas defendendo a tradicional Universidade de Duke, Kyle Filipowski era cotado como uma escolha de primeira rodada no Draft de 2024. Principalmente por se tratar de uma classe com poucos talentos que saltavam aos olhos.
Contudo, acabou caindo para o segundo round e terminou selecionado pelo Utah Jazz na 32ª posição. Já em sua campanha de calouro, conseguiu certo protagonismo na rotação de Will Hardy. Atuando em 72 partidas, teve de 21,1 minutos e 9,6 pontos de média.
Após as movimentações recentes, como as saídas de Jordan Clarkson e John Collins, o elenco do Jazz se tornou ainda mais jovem. E o simples fato de Filipowski estar no elenco para a Summer League foi, pessoalmente, uma surpresa. Especialmente pelo que o pivô fez após a parada para o All-Star Game, quando aumentou sua média de pontos para 14,1 e teve até mesmo um jogo de 30 pontos em abril.
Seu desempenho no campeonato, então, não deixou dúvidas. Liderando o torneio em pontuação com média de 29,3 tentos por jogo, registrou ainda 7,7 rebotes e 39% de aproveitamento na bola tripla. Assim, terminou eleito MVP da competição, provou que já se encontra uma prateleira acima dos competidores em questão e que deve tomar para si, de vez por todas, os minutos deixados por Collins.
O Detroit Pistons surpreendeu os especialistas ao escolher Ron Holland na quinta posição do Draft de 2024, quando diversos mocks previam uma queda até mesmo para fora do top 10.
Apesar disso, o ala teve um papel considerável no elenco, ajudando os Pistons a deixarem para trás as péssimas campanhas que haviam acumulado em sequência. A equipe voltou a vencer um jogo de playoff depois de 17 anos, e o então novato teve 6,4 pontos e 2,7 rebotes em 15,6 minutos, disputando 81 dos 82 compromissos possíveis na regular.
Já na NBA Summer League, o jovem liderou os Pistons em pontuação, com 21,7 pontos e seis rebotes por partida. Além disso, mostrou toda a qualidade defensiva que o acompanha durante toda a carreira. Nada disso, porém, foi mais importante que o aproveitamento nas bolas de três pontos.
Grande parte do ceticismo de olheiros ao redor da liga em relação a Holland eram justificados pelo seu péssimo desempenho nos arremessos do perímetro. Durante a temporada de estreia, ele arremessou para péssimos 23,8% no quesito, com pouco menos de duas tentativas por jogo. Já no torneio em Las Vegas, esse número subiu para impressionantes 46,7 (!) em cinco tentativas.
Manter um aproveitamento tão elevado na NBA não será fácil. Mas, se for capaz de segurá-lo, pelo menos, acima dos 38%, Holland vai se estabelecer como uma peça fundamental da rotação de J.B. Bickerstaff, principalmente diante das saídas de Malik Beasley e Tim Hardaway Jr., principais especialistas do elenco na função.
O Cleveland Cavaliers tomou de assalto a Conferência Leste ao longo da última temporada regular, emplacando uma campanha histórica de 64 vitórias. Depois de algumas lesões determinantes e um desempenho frustrante, no entanto, acabou eliminada de maneira precoce novamente nos playoffs, perdendo para o Indiana Pacers nas semifinais.
Para piorar a situação, a franquia perdeu Ty Jerome, principal presença ofensiva entre os reservas. Após fazer a melhor temporada de sua carreira, o armador assinou com o Memphis Grizzlies.
A reposição imediata, entretanto, pode estar no próprio plantel dos Cavs. Jaylon Tyson foi a vigésima escolha do Draft de 2024, motivada principalmente por sua capacidade de criação no ataque. E o ala-armador demonstrou justamente essas valências durante a NBA Summer League, com médias de 19,7 pontos e 6,7 assistências em três duelos.
Tyson pecou nos turnovers (com quatro de média) e no aproveitamento de quadra (40,4), mas assumiu o protagonismo que se esperava dele em se tratando de um torneio preparatório. No time principal, seu papel com certeza será reduzido, assim como o tempo de bola na mão. Mas, caso consiga traduzir a habilidade em pontos na melhor liga de basquete do mundo, pode se transformar em um nome importante da segunda unidade de Cleveland.
Protagonista de uma das offseasons mais movimentadas da associação, o Milwaukee Bucks entra em 2025-26 tentando de tudo para convencer Giannis Antetokounmpo de que o elenco atual é suficiente para competir em alto nível no Leste. E, descobrir um jogador de baixo custo sólido o suficiente para fazer parte da rotação seria parte importante desse plano.
É aí que entra Chris Livingston. O ala é o único jogador da lista que se prepara para sua terceira temporada da NBA. E, ainda que tenha tido pouco destaque no time principal, vem de boas campanhas na G League, incluindo 18 pontos e 7,9 rebotes de média em 2024-25.
Livingston havia sido dispensado recentemente como parte dos esforços dos Bucks para acomodar o novo contrato de Myles Turner. No entanto, acabou recontratado depois de ser o melhor jogador do time na Summer League, com médias de 20,8 pontos, 5,3 rebotes e 38% no perímetro.
A capacidade de derrubar bolas de três livres será importante para que ele consiga espaço na rotação de Doc Rivers, assim como seus esforços defensivos. O ala se mostrou um bom defensor em níveis de competitividade inferiores, mas agora precisa dar o salto necessário e conseguir bons trabalhos contra jogadores da NBA se quiser se firmar em Milwaukee.
David Jones-Garcia teve performances tão boas que atraiu interesse do Olympiacos – gigante grego que briga no topo da EuroLiga – antes mesmo do fim da Summer League. Apesar disso, optou por permanecer no San Antonio Spurs e brigar pelo sonho de jogar na NBA.
A franquia texana o recompensou com um contrato two-way, mais que justo diante de sua produção de 21,6 pontos, 6,2 rebotes e 3,8 assistências em apenas 24,6 minutos de ação por compromisso. Os absurdos 52,9% (!) de acerto nos arremessos triplos são insustentáveis à longo prazo, mas qualquer coisa perto disso já é mais que suficiente para mantê-lo em quadra a nível profissional.
Os Spurs tiveram o 11° pior aproveitamento coletivo no perímetro na temporada passada, ainda que com a nona melhor média de bolas convertidas. O dominicano também se destaca na meia-distância, e pode ser uma arma importante para manter os bons números da equipe no quesito após a saída de Chris Paul.
Nada mais justo que fechar a lista com um jogador do time campeão. Mais um jogador da talentosa geração francesa que chega em peso a NBA, Tidjane Salaun iniciou a Summer League pressionado depois de uma temporada de pouquíssimo destaque com o Charlotte Hornets.
Mesmo que não tenha completado nem mesmo 20 anos, o ala-pivô precisava mostrar qualidades que justificassem a decisão da franquia de o selecionar com a sexta escolha do Draft de 2024. E, nesse sentido, o torneio foi mais que satisfatório para o jovem talento.
Salaun terminou com 14 pontos e 5,7 rebotes, demonstrando boas valências no ataque de transição e também na defesa. O aproveitamento do perímetro não foi dos melhores, com 33%, mas, mostrou também que consegue acertar bolas livres no corner, característica importante para jogadores que atuam ao lado do maestro LaMelo Ball.
O francês ainda é um projeto para o futuro, e terá que ser lapidado para que possa se transformar até mesmo em um titular confiável. No entanto, os indícios da Summer League foram positivos, e a expectativa é de que eles indiquem um crescimento também na temporada regular.