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NBA: Lenda da liga, Lenny Wilkens morre aos 88 anos

Equipe The Playoffs

Com uma vida inteira entregue à NBA, Lenny Wilkens marcou sua história na maior liga de basquete do mundo como jogador e técnico

Monstro sagrado do comando técnico na NBA, Lenny Wilkens faleceu neste domingo, aos 88 anos. Ele foi o primeiro treinador da história da liga a alcançar a marca simbólica de mil vitórias e se tornou também o segundo integrante da NBA a ser incluído no Hall da Fama tanto como jogador quanto como técnico.

Lenny Wilkens na NBA: O Jogador

Lenny Wilkens chegou à NBA no verão de 1960, após brilhar pela Universidade de Providence. Ele iniciou sua trajetória nos Hawks de St. Louis, onde teve Bob Pettit como mentor. Sob sua orientação, o armador evoluiu rapidamente e conquistou sua primeira convocação para o All-Star Game em 1963. A partir daí, Wilkens se consolidou entre os melhores da posição, permanecendo no top 10 de assistências da liga até 1974.

Ao todo, ele foi selecionado cinco vezes para o All-Star vestindo a camisa dos Hawks. Sua temporada mais marcante foi a de 1967/68, quando terminou em segundo lugar na votação de MVP, ficando atrás apenas de Wilt Chamberlain.

Naquele mesmo ano, a franquia se mudou para Atlanta. No entanto, Wilkens não fez parte da mudança — ele foi trocado para o Seattle Supersonics, onde deixaria uma marca profunda. Em 1971, foi eleito MVP do All-Star Game, mantendo-se entre os principais armadores da NBA.

Depois, o jogador passou duas temporadas em Cleveland, conquistando ali sua nona e última participação no Jogo das Estrelas, em 1973. Encerraria sua carreira com uma breve passagem por Portland, em um verdadeiro ato final de despedida.

Os Supersonics aposentaram sua camisa número 19, e, em junho do ano passado, inauguraram uma estátua em sua homenagem em frente à Climate Pledge Arena.

Lenny Wilkens na NBA: O Treinador

Após pendurar as chuteiras, Wilkens decidiu permanecer próximo das quadras e assumiu o banco de reservas como técnico — decisão que se revelaria brilhante. Depois de uma breve passagem por Portland, ele cruzou novamente a fronteira e voltou ao estado de Washington para comandar os Supersonics, que buscavam dar o passo final rumo à elite. Dessa forma, iniciava-se uma nova era na história da franquia.

Em sua primeira temporada completa à frente do time, Wilkens levou Seattle às Finais da NBA, perdendo em sete jogos para os Bullets, liderados por Elvin Hayes e Wes Unseld. No entanto, Seattle retornou às Finais no ano seguinte e, dessa vez, o desfecho foi diferente. Com a mesma rivalidade e o mesmo adversário, os comandados de Wilkens venceram por 4 a 1 e conquistaram o único título da história da franquia.

Wilkens permaneceu em Seattle até 1985, quando se transferiu para o Cleveland Cavaliers, acompanhando de perto os duelos de sua equipe contra um jovem Michael Jordan. O treinador reencontraria Jordan anos depois, em 1992, durante os Jogos Olímpicos de Barcelona, quando atuou como assistente de Chuck Daly na lendária Dream Team, a seleção que mudaria para sempre o basquete mundial.

De volta a Cleveland, Wilkens completou mais uma temporada antes de seguir para Atlanta — uma franquia que ele conhecia bem desde os tempos de jogador. Em sua passagem pelos Hawks, conquistou o prêmio de Técnico do Ano em 1994 e ultrapassou Red Auerbach em janeiro de 1995, tornando-se o treinador com mais vitórias na história da NBA naquele momento.

No verão seguinte, Wilkens voltou aos Jogos Olímpicos, agora como técnico principal do Team USA. Afinal, quem melhor que o treinador dos Hawks para liderar a equipe americana em Atlanta? Com Gary Payton, Shaquille O’Neal e Hakeem Olajuwon no elenco, a chamada Dream Team II conquistou o ouro olímpico em casa sem maiores dificuldades, ampliando ainda mais o currículo vitorioso de Wilkens.

Embora seus últimos anos em Atlanta tenham sido mais discretos, Wilkens ainda testemunhou os primeiros prêmios de Melhor Defensor (DPOY) conquistados por Dikembe Mutombo.

A reta final da carreira

Em 2000, após uma temporada decepcionante, ele foi demitido e assinou com o Toronto Raptors, conduzindo Vince Carter e companhia até uma semifinal de conferência histórica contra os Philadelphia 76ers, de um Allen Iverson recém-eleito MVP. Os Raptors ficaram a um arremesso da final, caindo em sete jogos — e só voltariam a uma semifinal em 2016.

Sua última experiência como treinador aconteceu no New York Knicks, em meio ao turbulento início do século XXI no Madison Square Garden. Ele comandou o time por duas temporadas, incluindo um sweep sofrido diante do rival New Jersey Nets em 2004 e uma campanha difícil na sequência. Ainda assim, encerrou a carreira com 1.332 vitórias, marca superada apenas mais tarde por Don Nelson (1.335) e Gregg Popovich (1.390).

Em 2022, a NBA prestou-lhe uma homenagem final, incluindo Wilkens entre os 75 maiores jogadores e 10 maiores técnicos da história da liga. Ele é o único integrante da NBA a ser introduzido no Hall da Fama três vezes — como jogador, treinador e membro da Dream Team de 1992 — e, até hoje, continua sendo o técnico com mais jogos disputados na NBA (2.487).

Desde o anúncio de sua morte neste domingo, o mundo do basquete tem prestado inúmeros tributos a essa lenda do esporte na região do Noroeste do Pacífico — como descreveu seu ex-time, Portland Trail Blazers, em comunicado oficial.

Descanse em paz, Lenny Wilkens.

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