Acompanhe a primeira edição para o prêmio de MVP da temporada 2025-25 da NBA, que coroa quem foi o melhor jogador da liga no ano
A temporada da NBA começou há pouco mais de um mês. Assim, de lá para cá já tivemos uma boa base de jogos e performances, nas quais os grandes times e jogadores começaram a aparecer e a se destacar. A briga pelo prêmio de MVP promete ser uma das mais disputadas da história, com um nível de talento nunca antes visto na história da liga.
No entanto, antes de irmos para a lista dos dez jogadores que brigam pelo prêmio de MVP nesta temporada da NBA, precisamos antes entender o que pesa na corrida para o maior troféu individual da liga. Além disso, vale destacar que o que será analisado é desde o começo da temporada até o momento de publicação deste texto, no dia 25 de novembro. As lesões serão levadas em consideração, mas o número de jogos dentro deste período é o mais importante.
Literalmente, o prêmio deveria prestigiar o jogador mais valioso da temporada, o que mais agrega valor para sua equipe. Porém, basta pensar por alguns segundos para perceber o quão subjetivo é o termo “valioso”. Valor não é algo por natureza, mas sim algo construído por diversos fatores dentro de cada indivíduo ou de um grupo de pessoas. Portanto, é impossível julgar e determinar o jogador mais valioso de toda a NBA sem cometer deslizes e tomar decisões enviesadas – novamente, valor é subjetivo.
Dessa forma, ao longos dos anos os votantes para o prêmio, que são 100 jornalistas esportivos, foram criando uma maneira natural de selecionar o jogador de maior impacto na temporada. Pense bem, não fossem as histórias, jamais saberíamos o que aconteceu em nosso passado e o que realmente marcou e foi importante para a evolução do que somos – enquanto raça humana, sociedade e indivíduos.
Assim, o prêmio de MVP vem também de histórias e, se elas marcam e têm força, revelam geralmente quem deixou a maior marca dentro da temporada – quem teve mais impacto. Ou seja, o MVP da NBA não é um prêmio para o melhor jogador da liga e nem para o mais valioso, mas sim para o jogador que tem o melhor desempenho impulsionado pela melhor narrativa.
Menção honrosa: Jalen Johnson, Atlanta Hawks.
Médias na temporada: 28,3 pontos, 3,4 rebotes e 6,5 assistências.
Nas últimas duas temporadas Brunson terminou no top 10, sendo que no ano passado terminou justamente na décima posição. Em comparação com a temporada passada, o armador dos Knicks melhorou em pontuação e rebotes, chegando a segunda maior média de pontos de sua carreira (atrás apenas de 2023-24, quando foi quinto para MVP).
Em termos de usage (quantidade de posses de bola que terminam em sua mão, seja em um arremesso ou turnover) é o 13º na NBA, assim como na última temporada. No entanto, no último ano os Knicks eram apenas a 18ª equipe que mais trocavam passes e, agora, são a sexta em toda a liga. Ou seja, Brunson se adaptou ao novo esquema de Mike Brown com perfeição. O armador aceitou um ataque mais coletivo e de troca de passes, ao ponto que fica mais como um finalizador do que organizador nesta temporada. Assim, consegue manter sua ótima média de pontuação e ainda ser muito relevante para o ataque.
Com ele em quadra, o rating ofensivo (quantos pontos uma equipe faz a cada 100 posses de bola) é de 123,8. Já com ele no banco ou fora da partida, esse número cai para 117,4. Ou seja, Brunson ainda é muito importante para este Knicks, mas tem menos relevância que nas temporadas anteriores, o que deve dificultar seu caso para MVP nesta temporada, ao passo que fortalece o coletivo e prepara a equipe para os playoffs.
Médias na temporada: 29,9 pontos, 4,8 rebotes, 5,5 assistências e 1,4 roubos de bola.
Na última temporada, Mitchell terminou na quinta posição para o prêmio de MVP, mesmo que suas estatísticas estivessem menores do que em outras ocasiões de sua carreira. Isso porque o ala-armador abriu mão de muitos arremessos para fazer o coletivo funcionar, sendo muito mais eficiente e aparecendo quando o time mais precisava.
Porém, nesta temporada o contrário está acontecendo e isso impacta na corrida para o MVP. Com Darius Garland já perdendo diversas partidas, uma vez que ainda se recupera da lesão no dedo do pé, Mitchell tomou o controle do ataque e deu um salto impressionante em sua pontuação. Ele é o quinto na liga neste quesito e faz de forma muito eficiente ainda, com 38,3% de aproveitamento nas bolas de três pontos e com 50,3% de aproveitamento nos arremessos gerais, a melhor marca de toda a sua carreira.
O ala-armador dos Cavs é um dos jogadores mais imparáveis de toda a NBA quando está quente, já que é ótimo criando seu próprio arremesso de três, infiltrando na defesa e criando para os companheiros. Inclusive, é o melhor jogador de toda a liga em jogadas de isolation, o um contra um, produzindo 1,3 pontos por tentativa. Quando ele está em quadra, o ataque de Cleveland é um dos melhores da liga. Quando está fora, fica entre os dez piores.
No entanto, o que joga contra é que a equipe obteve muito sucesso sem suas grandes performances na temporada passada e agora que Mitchell precisou crescer de produção, a equipe não é tão dominante e possui 12 vitórias e sete derrotas.
Médias na temporada: 33,0 pontos, 4,6 rebotes, 7,8 assistências e 1,6 roubos de bola.
Não é exagero algum dizer que esta é a melhor temporada da carreira de Maxey e que o armador é o melhor e principal jogador dos 76ers, acima de Joel Embiid. Maxey lidera a NBA em minutos por partida e arremessos tentados por jogo, o que lhe garante incríveis 33 pontos de média, atrás apenas de Luka Doncic.
Com sua velocidade única, é um dos jogadores mais difíceis de se marcar em transição e em meia quadra, já que consegue bater para dentro do garrafão a qualquer instante ou arremessar de três pontos. Com ele em quadra, os Sixers são uma equipe competitiva e possuem net rating (soma do rating ofensivo menos o defensivo) de +3,4. Sem ele, a equipe possui -9,9 de net rating, que seria a sexta pior marca em toda a NBA.
Porém, infelizmente a narrativa de Maxey para no individual. O coletivo de Philadelphia não ajuda na conversa para MVP e a sombra de Embiid sempre terá mais barulho do que as performances impressionantes do armador. Dessa forma, falta os 76ers serem bons para gabaritar ainda mais o jovem, que vai bem apenas para manter sua equipe viva na partida.
Médias na temporada: 22,4 pontos, 9,7 rebotes e 7,1 assistências.
Seguindo seu impressionante EuroBasket, o turco vem se consolidando como um dos mais completos jogadores de basquete do planeta. O pivô é o principal jogador do melhor ataque da temporada até aqui, sendo o segundo cestinha da equipe e o melhor passador da equipe. Além disso, melhorou seu arremesso na bola de três pontos e possui 44,2% de aproveitamento.
Para além de todas as estatísticas, Sengun é o ponto de referência do ataque, junto com Kevin Durant. Isso significa que praticamente todas as jogadas passam por sua mão, utilizando seu talento para pontuar no post, chamar a marcação e encontrar companheiros livres. É por conta dele que os Rockets ainda não precisaram investir em um armador (apesar de Reed Sheppard fazer uma ótima temporada): Sengun é garantia de um ataque de meia quadra funcional. Além disso, o pivô não vem comprometendo tanto defensivamente. Com ou sem ele, a defesa de Houston é uma das dez melhores na NBA.
Inclusive, a campanha positiva ajuda na briga pelo MVP, uma vez que sua equipe está em quarto e possui o mesmo número de derrotas do segundo, o Denver Nuggets.
Médias na temporada: 27,1 pontos, 6,0 rebotes e 9,6 assistências.
Já que acima citamos a campanha da franquia como um ponto forte, aqui esse argumento é mais forte ainda. Isso porque os Pistons possuem 13 vitórias seguidas e estão na primeira posição da Conferência Leste. No entanto, só estão aí por conta de Cade Cunningham.
O armador é um dos melhores jogadores da liga em pick and roll, fazendo uma dupla quase imparável com Jalen Duren. Ele é o quarto jogador em toda a NBA em toques na bola por partida e chama toda a responsabilidade do ataque de Detroit. Inclusive, suas 9,1 assistências são a segunda melhor marca na temporada e poderiam subir para 17,4 caso seus companheiros acertassem os arremessos considerados “livres” pela NBA.
Na pontuação, ainda sofre nas bolas de três, que são seu calcanhar de Aquiles. No entanto, vai muito bem na meia distância e impressiona com sua capacidade de contornar os defensores e chegar na tabela, mesmo não sendo o jogador mais rápido do mundo. Assim, Cade parece pronto para ao menos entrar nas conversas para MVP e precisa apenas de mais grande momentos ao longo da temporada para solidificar a ideia.
Médias na temporada: 26,2 pontos, 12,9 rebotes, 4,0 assistências e 3,6 tocos.
*números em bold indicam que o jogador lidera a NBA no quesito.
O pivô francês foi a grande sensação das duas primeiras semanas desta temporada, se colocando como um dos favoritos para o MVP por seus desempenhos inexplicáveis e pela ótima campanha dos Spurs, que surpreenderam. Sua estreia foi a performance mais impactante de toda a temporada e performances que impactam são um dos fatores importantes nesta corrida. Além disso, lidera a NBA em rebotes e em tocos, se colocando novamente como o melhor defensor em toda a liga.
Sem ele em quadra, os Spurs sofrem 117,8 pontos a cada 100 posses de bola. Este número seria o nono pior em toda a NBA, mas quando está em quadra a defesa é a segunda melhor. No entanto, o mais importante é seu impacto visual, sendo a melhor narrativa em toda a liga. Wemby é jovem e empolgante, além desta ser sua primeira vez na conversa para MVP. Ou seja, sua narrativa ganha muita força com seu estilo maluco de jogo e por ser uma novidade empolgante e cheia de highlights.
Porém, sua lesão pode o tirar de quadra por um bom tempo e nas próximas listas deve cair. Até aqui, seu número de jogos é parecido com outros jogadores desta lista.
Médias na temporada: 31,2 pontos, 10,8 rebotes e 6,8 assistências.
Falando em jogador lesionado, Antetokounmpo está fora neste momento, mas não deve ficar por muito tempo. Inclusive, os Bucks precisam torcer muito para que volte bem, pois é um dos jogadores mais valiosos de toda a liga. Sem Giannis, este time de Milwaukee é um dos piores da NBA. Todo o sistema ofensivo é predicado no que o grego consegue fazer atacando o garrafão, colapsando a defesa e achando os arremessadores livres.
Mesmo com ele em quadra a campanha não era uma maravilha: sete vitórias e seis derrotas. No entanto, a equipe ainda era competitiva e estava na zona de classificação para os playoffs. Sem ele, sem quatro derrotas em cinco partidas – com o ataque anotando quase 20 pontos a menos a cada 100 posses de bola. Dessa forma, o net rating dos Bucks com Giannis é de +8 (seria top 5), enquanto sem ele fica -11,9 (um dos piores da liga).
Assim, fica claro que o grego é um dos mais valiosos e importantes jogadores da NBA – validando seu caso para MVP. Para além de suas estatísticas impressionantes, é tão bom que torna um elenco mediano para fraco em um time que deve ir direto para os playoffs. Por outro lado, é tão importante que sem ele a equipe não funciona e está fora até mesmo do play-in.
Médias na temporada: 34,5 pontos, 8,8 rebotes e 8,9 assistências.
*números em bold indicam que o jogador lidera a NBA no quesito.
Doncic parece no auge de sua magia, de seus poderes. O armador esloveno controla absolutamente todas as ações no ataque e pode fazer de tudo, a hora que quiser. Ele tem o maior usage rate de toda a NBA e é um sistema ofensivo por si só. Inclusive, é assim que lidera a NBA em pontuação e ainda tem uma das melhores médias de assistência na temporada.
O armador dos Lakers lidera a NBA em pontos a partir de turnovers dos adversários e é o jogador que mais vai para a linha do lance livre em toda a liga, com 12,5 tentativas por jogo. Assim, é o principal jogador ofensivo de uma das melhores campanhas em toda a NBA até aqui e já sonha com o MVP. Ele é mais um dos casos em que a equipe possui um net rating bastante positivo quando está em quadra e que fica negativo quando vai descansar. Ou seja, com Luka no banco ou fora do jogo, os Lakers provavelmente teriam uma campanha negativa.
Outro fator que o ajuda é sua forte narrativa por se “vingar” das críticas que recebeu ao sair do Dallas Mavericks a respeito de seu peso, além de agora representar a equipe mais midiática de toda a NBA.
Médias na temporada: 32,2 pontos, 4,9 rebotes e 6,6 assistências.
A realidade é que existem não apenas um, mas vários argumentos para Shai ser MVP. Ele é o melhor jogador do melhor time disparado desta temporada, que perdeu apenas uma vez em 18 partidas até aqui, mesmo sem seu segundo melhor jogador. Mais do que isso, ninguém consegue pará-lo por conta de seu jogo ofensivo que é quase como um músico de jazz, que improvisa o tempo todo e que não segue muitos padrões.
Shai joga menos minutos que na temporada passada e arremessa menos, mas mesmo assim segue com os 32 pontos de média e agora com uma efetividade histórica. Isso porque o armador do Thunder possui 54,% de aproveitamento nos arremessos de quadra, com 41,2% nas bolas de três pontos e 89,8% nos lances livres. Ou seja, está a 0,02% de fazer parte do grupo dos 40/50/90 (de aproveitamento nos arremessos).
Nas 18 partidas, apenas três vezes anotou menos de 30 pontos, sendo que em duas delas jogou menos do que 29 minutos. Porém, mesmo não jogando muitos quartos períodos ele lidera a NBA em pontos totais no clutch e é top cinco em pontuação geral na liga. Do outro lado, é um dos jogadores mais intensos desta lista e ajuda a defesa de OKC a ser uma das melhores de todos os tempos. Assim, não há porquê não votar em SGA para MVP, a questão é que tem um pivô colocando números inacreditáveis em Denver. Além disso, o canadense já levou o prêmio na temporada passada e agora é ele que pode sofrer com um certo desgaste do público.
Médias na temporada: 29,6 pontos, 12,8 rebotes e 11,1 assistências.
*números em bold indicam que o jogador lidera a NBA no quesito.
Jokic já foi três vezes MVP da NBA e terminou na segunda posição em outras duas ocasiões. No entanto é neste ano que tem sua melhor média de pontuação e de assistências da carreira, além de ficar a 0,1 rebote de liderar a liga toda. O pivô sérvio está arremessando 70% nas bolas de dois pontos, isso é superior a qualquer ano de Antetokounmpo e até mesmo de Shaquille O’Neal. Sim, Nikola Jokic, que tenta todos os tipos de arremesso de dois pontos, tem um aproveitamento muito melhor nas bolas de dois pontos nesta temporada em comparação com qualquer temporada da carreira de dois dos mais dominantes jogadores da história do basquete.
Porém, Jokic também acerta 43,4% dos arremessos de três pontos e lidera a NBA em assistências. Dessa forma, ele pode ser o primeiro pivô na história a liderar a liga neste quesito durante uma temporada toda e pode bater seu próprio recorde de 10,2 assistências em uma única partida. Com ele em quadra, o ataque do Denver Nuggets seria de longe o melhor da história da NBA, com 129,2 pontos a cada 100 posses de bola, e sem ele seria um dos dez piores da liga.
Para além dos números, ele é o tipo de jogador que faz duas ou três jogadas que nos deixam de queijo aberto: “Como esse cara consegue fazer isso?”. Assim, além da matemática ele tem o lúdico a seu favor e encanta em toda a partida, fator muito crucial para sua campanha de MVP.
Jokic é um dos melhores, mais impressionantes e mais eficiente jogadores ofensivos de todos os tempos. Ele carrega o Nuggets e agora recebe alguma ajuda para levar a franquia a segunda melhor campanha da Conferência Oeste e deve brigar pelo MVP com Shai até o final da temporada regular.