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Miami Heat acerta ao não trocar Jimmy Butler?

Gustavo Assef

Pat Riley e o Miami Heat definiram que não trocarão o ala Jimmy Butler, mas será que foi a melhor decisão?

“Nós não vamos trocar Jimmy Butler”, foi o comunicado oficial publicado pelo Miami Heat, na voz de Pat Riley, nesta quinta-feira (26). Desta forma, o Heat fechou as portas para uma possível troca de Butler, que vinha sendo estipulada nas últimas semanas.

Desde o início do mês de dezembro, Shams Charania, da ESPN americana, reportou diversas vezes que o movimento poderia acontecer. Primeiro, Charania disse que Miami estava aberto para ouvir possíveis propostas. Depois, que o ala tinha preferência por times competitivos e que testaria a free agency independentemente do que iria acontecer. Por fim, nesta quarta-feira (25) de Natal, informou que Butler havia pedido oficialmente para ser trocado pela franquia.

No entanto, a saga chegou ao fim com o comunicado de Riley, presidente do Miami Heat, que no dia seguinte já negou que Butler será trocado. Sendo assim, será que a franquia acertou na escolha?

Pontos positivos

Por um lado, Miami dificilmente conseguiria um jogador de nível próximo ao que Butler oferece. Assim, trocar o jogador significaria fragilizar a equipe dentro de quadra e aceitar uma reformulação, ainda que não total, do seu elenco. Mais do que isso, hoje a equipe ocupa a sexta colocação da Conferência Leste e deve brigar até o fim por uma vaga direta nos playoffs. Inclusive, na temporada de 2022-23, a equipe tinha uma campanha pior quando jogou o play-in, entrou nos playoffs como oitavo seed e chegou na final da NBA.

Ou seja, apesar do Heat não ser uma superpotência, a equipe já provou que não precisa estar nas primeiras colocações para lutar por coisa grande nos playoffs. E, falando na pós-temporada, a única chance de Miami é com Jimmy Butler em quadra. O ala cresce nos momentos decisivos e é o playmaker no ataque e na defesa que a equipe precisa. Além disso, ele é a alma e a identidade deste time, que sem ele perde táticamente, tecnicamente e mentalmente. Nesta temporada, por exemplo, com ele em quadra o Heat melhora em rating offensivo e rating defensivo. Desde 2019-20, sem Butler a equipe tem aproveitamento de vitórias abaixo dos 50% e, com ele, perto dos 60%.

Butler na free agency?

Sobre o aspecto de negócio, Heat e Butler tem contrato assinado para esta temporada e para a próxima. No entanto, o jogador tem a opção de voltar ou não para a franquia no próximo ano, e pode testar o mercado. E é justamente nesse ponto que Miami pode ter uma vantagem. Isso porque existem poucas equipes na NBA com espaço salarial para a próxima temporada. Neste momento, as únicas que possuem mais de US$ 30 milhões para gastar são: Brooklyn Nets, Washington Wizards, New Orleans Pelicans e Charlotte Hornets.

Reparou uma coisa? Nenhuma delas deve competir por título nos próximos anos. A não ser que os Nets consigam trazer outro nome de peso, como Brandon Ingram, as opções na free agency não são boas para Butler. Por isso, o ala pediu para ser trocado até o trade deadline.

Além disso, até junho de 2024 o Heat pode estender o contrato do jogador, garantindo dinheiro para ele e um time competitivo. Dessa forma, a equipe ganharia mais tempo para ajustar o elenco em torno do ala e teria mais algumas temporadas brigando lá em cima, como se acostumou nos últimos anos. Mais do que isso, para a marca e para a cultura do time é importante ser relevante, levar gente para o ginásio e participar dos playoffs. Tudo isso ajuda financeiramente e também é um fator de atração para outras estrelas da liga.

Pontos negativos

É verdade que o Heat não luta pelas primeiras colocações e que o campeonato de verdade para a equipe começa na pós-temporada. No entanto, desde que chegou na final há quase dois anos e perdeu para o Denver Nuggets, parece que esse elenco não rende o mesmo. Os comandados do técnico Erik Spoelstra, em nenhum momento da temporada passada mostraram um basquete que empolgasse. Da mesma forma, até aqui a equipe é a sexta colocada, mas não há nada de especial sobre o Heat.

O ataque é o de sempre: metódico, pouco criativo e muito oscilante. A defesa é boa, mas não especial. O elenco é limitado tecnicamente e sofre com repetidas lesões. Nesse sentido, Butler e seus 35 anos são mais uma dúvida do que uma solução, pois nesse ponto de sua carreira não é capaz de mudar os cenários acima.

Inclusive, as lesões são cada vez mais frequentes para ele, que nas últimas três temporadas diminuiu suas médias de pontos e assistências por partida. Assim, manter o time “competitivo” pode ser apenas um atraso para Miami que, ao invés disso, poderia trocar o jogador e repensar no elenco a partir de Tyler Herro e Bam Adebayo.

Vai sair de graça?

Além disso, outro ponto negativo é que a franquia pode ver sua principal estrela deixar o time sem nada em troca. Apesar de, como vimos acima, as opções de Butler não serem as ideais, a chance de Miami perdê-lo sem ganhar uma peça para o futuro ou escolhas de Draft pode causar um impacto no curto e no médio prazo. Ou então, mesmo que consiga manter com uma extensão de contrato, o valor seria alto demais e congelaria boa parte dos movimentos que Miami pode fazer, como trocas para melhorar o time.

Outro fator que não pode ser ignorado é que o atleta, quando insatisfeito, tem a fama de virar uma distração para o vestiário e quebrar a química dentro e fora de quadra. Assim, a temporada que já não é ideal pode virar um filme de terror e, no final, acabar com Butler saindo de graça.

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Jornalista em formação, apaixonado por música e por esportes, principalmente os americanos. Torcedor do Boston Celtics, do Boston Red Sox e fanático pelo Pittsburgh Steelers. No futebol, sofre pelo São Paulo.

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