Barcelona volta a viver um clássico fora das quatro linhas, desta vez contra a própria La Liga. Nesta quarta-feira (02), a direção da competição anunciou que o clube teve o limite salarial reduzido, o que impacta diretamente a regularização dos jogadores Dani Olmo e Pau Víctor. A medida é mais um capítulo da turbulenta relação entre o Barça e Javier Tebas, presidente da entidade espanhola, que é inflexível quanto ao cumprimento das regras do Fair Play Financeiro.
A sanção acontece porque, para inscrever os dois jogadores em janeiro deste ano, o clube catalão utilizou uma estratégia financeira que foi considerada irregular pela liga. O Barcelona recorreu à venda antecipada de camarotes do novo Camp Nou, que segue em reforma e só ficará pronto na temporada 2025-26. O negócio girou em torno de 100 milhões de euros (mais de R$ 615 milhões). Mas, segundo Tebas, a transação não atendeu ao prazo exigido pela regulamentação da La Liga.
Com isso, a liminar concedida pelo Conselho Superior de Esportes (CSD) da Espanha para a inscrição de Olmo e Víctor foi derrubada. Logo, ambos ficam impedidos de atuar no Campeonato Espanhol a partir da próxima segunda-feira (07).
Dani Olmo chegou ao Barcelona em agosto de 2024, vindo do RB Leipzig, da Alemanha, por 55 milhões de euros (cerca de R$ 338 milhões). No entanto, após apenas 20 dias em campo, teve retirada da lista de inscritos por conta do impasse financeiro. Pau Víctor, contratado junto ao Girona, da Itália, por menos de 3 milhões de euros, também enfrenta a mesma situação.
A diretoria do Barça esteve na busca por soluções para driblar a crise econômica. Com isso, viu na venda dos camarotes uma oportunidade de gerar receita rápida e equilibrar as contas. No entanto, a La Liga argumenta que o clube não poderia contabilizar esse valor como receita válida para a temporada atual, o que inviabilizou a estratégia.
O impacto da decisão é significativo, pois o Barcelona já opera com um teto salarial inferior ao de seu maior rival, o Real Madrid. O rombo financeiro do clube ultrapassa os 2,5 bilhões de euros (aproximadamente R$ 15,4 bilhões). Isto limita a capacidade de investimento no elenco e obriga a gestão a recorrer a medidas pouco convencionais para manter a competitividade.
Apesar dos problemas administrativos, dentro de campo o Barcelona segue competitivo. Sob o comando de Hansi Flick, a equipe lidera o Campeonato Espanhol com 66 pontos em 29 jogos, três a mais que o Real Madrid. Além da disputa acirrada pelo título nacional, o clube segue vivo na Champions League e na Copa do Rei.
O imbróglio com a La Liga, no entanto, pode trazer consequências a longo prazo. Sem a possibilidade de registrar reforços, a equipe pode enfrentar dificuldades para manter a consistência na temporada. A diretoria, por sua vez, precisará buscar alternativas para equilibrar as finanças sem comprometer a competitividade do elenco.
soccer Jornalista em formação diretamente de Niterói-RJ. Busca juntar o que mais ama: comunicação e esporte. É grande torcedora do Fluminense e da McLaren, além de apaixonada por futebol nacional desde pequena. Encantou-se com diversas categorias do automobilismo e, hoje, não sabe viver sem os roncos dos carros. Uma grande entusiasta do multilinguismo e viajante pelo mundo.
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