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EXCLUSIVO: Torcedora relata tiros da PM antes de clássico no Maracanã; não havia presença de organizada

Lívia Galvão

No último domingo (17), durante a final do Campeonato Carioca entre Fluminense e Flamengo, um incidente grave ocorreu nas proximidades do Maracanã, quando uma torcedora do Fluminense foi atingida por um tiro de borracha disparado pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ). Em relato exclusivo ao The Playoffs, Beatriz Coutinho, que se encontrava no local para assistir ao jogo, descreveu o desespero vivido por ela e a falta de socorro imediato após o ocorrido.

O início da jornada da torcedora e a aparente tranquilidade

Beatriz, que havia escolhido ir de Uber para o estádio por causa do horário do jogo e da previsão de grande movimento, chegou ao Maracanã e inicialmente não percebeu qualquer indício de confusão. “Eu resolvi ir de Uber para o Maracanã porque, com o horário do trem, estava muito em cima da hora. Quando cheguei, as ruas estavam fechadas, mas não tinha nenhum sinal de briga. Apenas torcedores cantando, um clima tranquilo”, relatou ao The Playoffs.

Por volta de 15h15, ela e uma amiga decidiram comprar bebidas em um ambulante próximo, um momento que se transformaria em pesadelo minutos depois. “Eu estava ali, comprando uma Coca-Cola para mim e uma cerveja para a minha amiga, quando, do nada, a polícia apareceu e começou a empurrar o pessoal. Não havia confusão, nenhuma invasão de torcida organizada, nada. Quando eles começaram a empurrar, a situação virou um caos”, contou.

O caos se instalando: tiros de borracha e gás de pimenta

O primeiro confronto aconteceu com a dispersão do público para os lados do estádio. “A polícia começou a empurrar as pessoas para a direita e, depois, para a nossa direção. Foi aí que eles lançaram o gás de pimenta. O pânico se espalhou. As pessoas começaram a correr, e eu corri também, mas senti uma dor forte na cabeça e um zumbido muito alto. Foi um baque tão grande que eu pensei que estava desmaiando”, relembrou Beatriz.

Ainda atordoada, ela tentou se afastar da confusão, mas foi quando sentiu um golpe intenso. “Eu estava segurando a bebida quando, de repente, meu corpo balançou e comecei a ver tudo turvo. O zumbido no ouvido não parava, e eu já estava quase desmaiando. Vi que pessoas estavam sendo pisoteadas ao redor e, então, tentei pular uma grade para me afastar”, disse, com a voz embargada.

A busca desesperadora por socorro

Beatriz, que já sentia o sangue escorrendo pela cabeça, foi orientada por um ambulante a procurar ajuda. “O ambulante viu que eu estava sangrando muito e me alertou. Ele tentou jogar água em mim, mas, quando ele fez isso, o sangue começou a sair em grande quantidade. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas percebi que estava muito mal”, afirmou.

Apesar do estado crítico, Beatriz não recebeu o socorro necessário de imediato. “Eu pedi ajuda para os policiais, mas eles não fizeram nada. Um rapaz sugeriu que parássemos os carros da polícia no trânsito para conseguir atendimento, e foi o que fizemos. Mas, mesmo assim, a resposta foi lenta e indiferente”, relatou a torcedora. 

Quando finalmente chegou à entrada do estádio, com o sangue escorrendo por suas roupas, a situação não melhorou. “Os policiais estavam lá, mas disseram que não podiam me ajudar, que não tinham rádio e não podiam pedir uma ambulância”, explicou.

O calvário até a UPA e o sofrimento contínuo da torcedora

Com a ajuda de um rapaz, Beatriz foi encaminhada para a UPA da Tijuca. Porém, o atendimento demorou e foi insuficiente. “Chegamos à UPA, mas os médicos disseram que o corte estava muito grave para ser tratado ali. Não conseguiam suturar o ferimento, visto que estava muito aberto. Eles não tinham como fazer esse tipo de atendimento e pediram que eu fosse para o Souza Aguiar. Então, chamaram um Uber e me enviaram para o hospital.”

No Souza Aguiar, a situação também não foi fácil. “Eu fui atendida de forma prioritária, pois o sangue não parava de escorrer. Porém, eu já estava em estado de choque, tremendo muito e sem conseguir falar direito. Fui liberada apenas às 21h, depois de todo esse calvário”, contou.

A omissão das autoridades e o desespero da vítima

O relato de Beatriz expõe a omissão das autoridades em uma situação onde a segurança e a saúde pública deveriam ser prioritárias. Além disso, a falta de interesse das autoridades presentes em dar a assistência necessária e a ausência de qualquer ação preventiva ou corretiva realça o atual tratamento com os torcedores.

Outro relato de torcedora também ganha voz

O incidente expõe uma realidade alarmante nas grandes competições esportivas no Brasil, onde a violência policial e a falta de preparo para lidar com emergências podem transformar momentos de lazer em um pesadelo. O caso de Beatriz é apenas um exemplo dos muitos relatos nas redes sociais. A situação da torcedora e influenciadora de futebol Larissa Jardim também movimentou o X (antigo twitter). 

Além da postagem acima, a torcedora lamentou o que viveu em outra publicação: “Só agora a ficha caiu do quão desesperador foi, e de que eu realmente podia ter ficado ali presa mais tempo e até ter morrido mesmo. Graças ao amigo de um amigo, que eu tive de implorar para que não desistisse de me ajudar, pois eu sozinha eu não sairia NUNCA, e ele tentou pra c*r*lh* até conseguir! Que terror!☹️”, relatou.

Em pleno 2025, infelizmente, torcedoras e torcedores ainda enfrentam o descaso das autoridades e o risco de serem vítimas de violência nos estádios. 

The Playoffs procurou a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) para comentar o ocorrido, mas, até o fechamento desta matéria, não obteve resposta.

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Jornalista em formação diretamente de Niterói-RJ. Busca juntar o que mais ama: comunicação e esporte. É grande torcedora do Fluminense e da McLaren, além de apaixonada por futebol nacional desde pequena. Encantou-se com diversas categorias do automobilismo e, hoje, não sabe viver sem os roncos dos carros. Uma grande entusiasta do multilinguismo e viajante pelo mundo.

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