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EXCLUSIVO! Torcedor do Botafogo é expulso do Nilton Santos por exibir bandeira palestina: “Até agora não sei o motivo da retirada da bandeira”

Lívia Galvão

A noite desta quinta-feira (27), marcada pelo confronto entre Botafogo e Racing pela Recopa Sul-Americana, se transformou em um episódio de confronto para Caio Renan, torcedor do clube alvinegro. Este, que há anos leva a bandeira da Palestina aos jogos do time, foi expulso do estádio após recusar a retirar o objeto, ao alegar que não haveria qualquer infração às regras de exposição. A história, compartilhada pelo próprio torcedor nas redes sociais, levantou questionamentos em relação ao direito de manifestação e às normas do Estádio Nilton Santos.

Abordagem inesperada ao torcedor

O torcedor iniciou seu relato a descrever a presença constante da bandeira, que sempre esteve em conformidade com as normas estabelecidas, sem obstruir a visão dos demais e sem violar as regras da CONMEBOL, como a ausência de mastro. De acordo com o entusiasta, pouco antes da entrada dos times, um steward identificado como Yuri pediu a retirada da bandeira e alegou que a exposição violava as normas da organização da partida. No entanto, quando o torcedor questionou sobre a norma específica infringida, o steward não soube informar.

“Expliquei que, como isso viola um direito meu como torcedor e cidadão, precisava saber qual era a regra violada e quem fez o pedido”, afirmou. Além disso, ele explicou que ofereceu gravar a conversa para garantir que a justificativa fosse clara e registrada. Após algum tempo, o pedido de retirada foi revogado, mas a situação se intensificou novamente durante o primeiro tempo da partida.

Confronto com a polícia e a expulsão

Por volta do intervalo, o steward Yuri retornou à seção do torcedor e fez um novo pedido: ele poderia ficar com a bandeira na mão, mas não poderia mais pendurá-la. Novamente, o botafoguense exigiu explicações sobre a justificativa do pedido, com base nas normas. Sem resposta concreta, a situação escalou quando a Polícia Militar chegou ao local. O subtenente Cunha, inicialmente tranquilo, também não soube explicar a ordem.

Entretanto, o cenário mudou quando dois sargentos chegaram agressivamente. A sargento sem identificação tentou puxar o objeto, e o sargento Madeira, com um cassetete levantado, adotou uma postura intimidadora, ao exigir que o torcedor “não tocasse na bandeira”. Mesmo após a tentativa de dialogar, ele cumpriu a ordem sem justificativas claras. “Nunca informaram o motivo da retirada da bandeira”, relatou.

Retirada do estádio e violação de direitos

Levaram, então, Caio Renan ao Juizado Especial Criminal (Jecrim) do Estádio Nilton Santos, onde registraram-o por autoridades, coletaram os relatos de todos os envolvidos – exceto o seu. A decisão, emitida por um delegado de nome Pedro Cassundé, determinou a expulsão do estádio às 22:45. O motivo seria resistir à ordem policial, escrita como vaga e sem base legal pelo botafoguense.

Em entrevista ao The Playoffs, o torcedor contou que esteve com a bandeira em jogos no Rio de Janeiro e fora, inclusive na final da Libertadores na Argentina. “Sou sócio do Botafogo há anos, seguidamente, e frequento os jogos regularmente com a bandeira. Mesmo que fosse um caso de manifestação política, o que não era, eu estaria coberto pela Lei Geral do Esporte e pela Lei Estadual do Rio de Janeiro, além de estar dentro do regulamento de tecidos da CONMEBOL. Até agora não sei o motivo da retirada da bandeira”, contou.

Responsabilidade do Botafogo e CONMEBOL em questão

Esse episódio levanta questões fundamentais sobre transparência e a legalidade das ações tomadas pelos responsáveis pela segurança do evento, assim como a proteção dos direitos do torcedor. Para Caio, a situação exige respostas além das autoridades presentes, mas também das entidades, como o Botafogo e a organização continental, que deveriam garantir que as normas de segurança e respeito aos civis se cumpram.

“Eu espero que isso não aconteça mais, que deixem os torcedores se manifestar conforme os direitos nos estádios. É lugar feito pra isso, para o torcedor se manifestar da forma que bem entender. O futebol nada mais do que isso. É um local social e de manifestação. Particularmente, espero uma compensação do Botafogo, pois eu fui retirado do jogo antes do intervalo. Não vi o jogo no qual eu paguei o ingresso, além de ser sócio. Tenho testemunhas que comprovam que não houve confusão nem tumulto. Então, é uma pena que o comando do estádio tenha mandado retirar a bandeira. Isto sem oferecer, ao menos, uma justificativa pra isso”, pontuou ao The Playoffs.

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Jornalista em formação diretamente de Niterói-RJ. Busca juntar o que mais ama: comunicação e esporte. É grande torcedora do Fluminense e da McLaren, além de apaixonada por futebol nacional desde pequena. Encantou-se com diversas categorias do automobilismo e, hoje, não sabe viver sem os roncos dos carros. Uma grande entusiasta do multilinguismo e viajante pelo mundo.

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