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Em entrevista para o The Playoffs, o francês comentou sobre sua carreira na NBA, sobre a seleção francesa e sobre seu futuro
Chegando à NBA em 2008 e disputando agora sua sexta temporada com o Los Angeles Clippers, Nicolas Batum vive um começo de campanha complicado, com seis derrotas em nove jogos. O desempenho decepciona, especialmente após a boa trajetória da equipe em 2024-2025 (50 vitórias e 32 derrotas, quinto lugar no Oeste) e diante do ambicioso recrutamento feito pelos angelinos na última inter-temporada, que incluiu nomes de peso como Bradley Beal e Chris Paul.
Em entrevista concedida durante a viagem dos Clippers a Phoenix, o campeão europeu de 2013 com a seleção francesa conversou sobre o início de temporada, o momento da franquia e seu futuro na NBA. Além disso, o ala comentou a feroz concorrência que domina novamente a Conferência Oeste e explicou o papel que vem exercendo no esquema de Tyronn Lue.
Perto de completar 37 anos (no dia 14 de dezembro) e iniciando sua 18ª temporada na NBA, Batum garante que está em boa forma.
“Estou me sentindo bem. Tive um verão tranquilo em relação ao basquete, embora tenha trabalhado bastante para manter a forma. E, como nas poucas vezes em que decidi fazer uma pausa com a seleção francesa, consegui também me preparar bem do ponto de vista mental.”
Merci Nicolas Batum 💙
— Équipes de France de Basket (@FRABasketball) September 17, 2024
Un palmarès incroyable, un engagement de tous les instants. Batman pour toujours 🦇#TeamFranceBasket | #PassionnémentBleu pic.twitter.com/O9L8KxoVfn
Aposentado da seleção francesa em 2024, Batum não disputou o EuroBasket deste ano. Questionado sobre como lidou com essa pausa, ele explicou:
“Quando você retoma o trabalho depois de uma competição internacional, tudo é mais fácil. Mas eu já não estou mais nessa fase. Ninguém espera que eu produza como antes, então é algo completamente diferente. Este verão foi ótimo justamente porque não tive a mesma pressão. Antes, quando eu ficava fora da seleção, já pensava na próxima campanha. Agora, não mais. Confesso que temia um pouco essa sensação, mas no fim acabei lidando muito bem com a entressafra.”
Atualmente, os Clippers ocupam o décimo lugar do Oeste com três vitórias e cinco derrotas (em 6 de novembro). Batum tenta entender as razões para o início instável:
“Perdemos Kawhi Leonard e mostramos dois rostos diferentes neste começo. Jogamos mal fora de casa, mas bem diante da nossa torcida. São coisas que precisamos corrigir. Além disso, recebemos muitos jogadores novos nesta temporada. Há vários papéis a serem redistribuídos, e as lesões de Kawhi e James (Harden) obrigam a mudar as rotações constantemente. Tudo isso explica parte das nossas dificuldades. Nosso coletivo ainda precisa se consolidar.”
Sobre a polêmica envolvendo a administração da franquia, a chamada “questão Aspiration”, o francês foi direto:
“De forma alguma. Honestamente, ninguém tocou nesse assunto no vestiário. Muita coisa foi dita, mas isso é tratado pela direção, nos escritórios. Nós, jogadores, não temos que nos preocupar com isso. Até agora, não nos afetou em nada.”
Os Clippers chamaram atenção na última offseason ao contratar John Collins, Brook Lopez, Bradley Beal e Chris Paul. Batum, contudo, evita comparações diretas com o elenco anterior:
“Lembro que não começamos tão bem na temporada passada. Só a partir de janeiro começamos a render e terminamos entre os cinco primeiros do Oeste, com 50 vitórias. A temporada da NBA é longa. Sobre o elenco atual, não sei dizer se ele é melhor que o anterior. É diferente. Tão sólido quanto, mas diferente.”
Questionado sobre se os Clippers têm condições de competir com os favoritos Denver Nuggets e Oklahoma City Thunder, o veterano respondeu com cautela:
“Se conseguirmos nos ajustar, teremos nossas chances — fizemos isso no ano passado. Mas é difícil reduzir o Oeste a um Top 2. Existem de oito a dez equipes perigosas: Spurs, Blazers, Suns, Rockets, Mavericks, Warriors… todos têm times capazes de vencer qualquer um. Literalmente, as 15 equipes da conferência são perigosas. Até os Pelicans são complicados de enfrentar. Os números, às vezes, não contam toda a história.”
Sobre o equilíbrio da liga, Batum acredita que a competitividade é uma marca tradicional:
“A conferência está evoluindo. San Antonio, Portland e New Orleans estão progredindo, e isso é natural — trabalham para isso. É o que faz da NBA algo tão especial, principalmente no Oeste. Mas quando cheguei à liga em 2008, já era assim. Jogávamos até o 82º jogo da temporada para saber nossa posição final. Esse é o charme da nossa conferência.”
Com quase 18 anos de carreira e ainda em busca de um título na NBA, Batum revelou o que o mantém motivado:
“O amor pelo jogo. Eu sei que já não tenho as mesmas capacidades e que as expectativas mudaram, mas o amor pelo basquete continua o mesmo. Mesmo sabendo que estou perto do fim, que é praticamente o final da linha. São 20 anos como profissional — dezoito na NBA e dois na França. Ninguém joga tanto tempo em alto nível sem ter esse fogo dentro de si.”
Quando perguntado se ainda sente esse “fogo”, ele respondeu sorrindo:
“Um pouco, sim. Ainda está lá. Mas digamos que é o fim.”
Recentemente, Batum admitiu não ter definido quando encerrará sua carreira na NBA. Ele explicou que a decisão vai além do desempenho em quadra:
“É um conjunto de fatores. Penso na minha família e em mim mesmo. No que ainda consigo produzir dentro de quadra. Este ano, sinto que ainda posso contribuir bastante. Para o futuro, não sei.”
Apesar da idade, Batum continua contando com a confiança de Tyronn Lue. Com médias de três pontos, 2,6 rebotes e 0,6 assistências em 16 minutos por partida, o francês tem até sido titular em alguns jogos:
“Eu não esperava isso. Achava que jogaria oito, dez, talvez 12 minutos por partida. Mas com a ausência de Kawhi Leonard, acabei jogando mais. Quando as rotações estão normais, fico cerca de seis minutos por tempo, e isso me satisfaz.”
Entrevista concedida em Phoenix a Maxime Bodilis.
NBA