O atacante Bruno Henrique, do Flamengo, foi suspenso por 12 jogos e multado em R$ 60 mil pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), nesta quinta-feira (4). O atleta foi acusado de forçar um cartão amarelo no jogo contra o Santos, em novembro de 2023, no estádio Mané Garrincha, para beneficiar apostadores, entre eles seu irmão e pessoas próximas. A decisão cabe recurso.
Apesar de o tribunal ter absolvido o jogador com relação ao artigo 243 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de atuação deliberadamente prejudicial à equipe, os auditores o condenaram, por 4 votos a 1, com base no artigo 243-A, que pune condutas contrárias à ética desportiva com intenção de influenciar resultados.
Durante o julgamento, a defesa do atacante e do Flamengo tentou anular o processo com base na prescrição, alegando que a Procuradoria ultrapassou o prazo legal de 60 dias para oferecer denúncia após tomar conhecimento do fato. No entanto, por 3 votos a 2, os auditores rejeitaram o argumento, o que permitiu a análise do mérito do caso.
O advogado Michel Assef Filho, que representa o clube carioca, afirmou que o Rubro-Negro repudia qualquer forma de manipulação de resultados. Ainda assim, defendeu o jogador ao declarar que “não houve informação privilegiada nem forçação de cartão”. Além disso, argumentou que o cartão beneficiaria o próprio Flamengo, pois permitiria ao atleta cumprir suspensão contra o Fortaleza e retornar diante do Palmeiras.
Durante a sessão, o delegado Daniel Cola, responsável pelas investigações da Polícia Federal, e o representante da casa de apostas KTO, Pedro Lacaza, prestaram depoimento. O jogador também participou por videoconferência e, em um breve pronunciamento, negou qualquer envolvimento com o esquema de apostas.
Ao final, os auditores Alcindo Guedes, William Figueiredo, Carolina Ramos e o presidente Marcelo Rocha votaram para aplicar uma punição de 12 jogos de suspensão e multa de R$ 60 mil ao atleta. O auditor Guilherme Martorelli divergiu e propôs uma multa de R$ 100 mil, com base exclusivamente no artigo 191, que trata do descumprimento de regulamento.
A Polícia Federal indiciou Bruno Henrique em abril de 2025, e ele responde na Justiça comum por fraude esportiva. O jogador avisou seu irmão, Wander Nunes Pinto Júnior, que forçaria um cartão amarelo no jogo contra o Santos. Wander, sua esposa, uma prima de Bruno e amigos usaram essa informação para realizar apostas suspeitas.
Segundo as investigações, Bruno teria avisado seu irmão, Wander Nunes Pinto Júnior, que forçaria um cartão amarelo no duelo contra o Santos. A informação teria sido usada para a realização de apostas suspeitas, feitas por Wander, sua esposa, uma prima do jogador e amigos.
As casas de apostas identificaram movimentações atípicas em apostas no cartão amarelo do atacante e comunicaram as autoridades. A Polícia Federal iniciou as investigações em agosto de 2023 e realizou operações de busca e apreensão em novembro. O conteúdo do celular de Wander serviu de base para o indiciamento do jogador.
Douglas Ribeiro Pina Barcelos, amigo do irmão de Bruno Henrique, confessou em audiência realizada em junho deste ano que foi beneficiado por apostas envolvendo o jogador. O depoimento reforçou as suspeitas de envolvimento direto de Bruno Henrique no esquema de fraude esportiva.
A defesa do Flamengo confirmou que vai recorrer da decisão ao Pleno do STJD. Enquanto o tribunal não julga o recurso, o clube pretende solicitar um efeito suspensivo, que permitiria a Bruno Henrique continuar atuando até o novo julgamento. No entanto, pela gravidade da acusação, o STJD pode negar o pedido.
soccer Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte, com sólida atuação na cobertura esportiva mineira. Apaixonado por comunicação e pelo universo do esporte, possui experiência como comentarista, setorista, social media e redator, atuando tanto no futebol profissional quanto em clubes amadores. Entusiasta dedicado de tudo que envolve o jogo dentro das quatro linhas.
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