Voltando ao grande palco após mais de uma década, Oklahoma City conta com o talento de Shai e de uma defesa histórica para buscar o troféu
Doze anos depois de sucumbir diante do estrelado Miami Heat de LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh, o Oklahoma City Thunder está de volta às finais da NBA. Agora, a equipe enfrenta o também motivado Indiana Pacers em busca do primeiro título da ‘era Thunder’ (ou seja, sem contar o período de Seattle SuperSonics).
O atual elenco não conta com nenhum remanescente das jornada de 2012, mas, também é marcado pela juventude e por estrelas em ascensão. E, se na outra ocasião Oklahoma City terminou frustrado, nesta, tem grandes chances de levantar o troféu Larry O’Brien.
Pensando nisso, apresentamos cinco motivos para acreditar no título do Thunder.
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Ao contrário de seu adversário, Oklahoma City não passou por instabilidades em nenhum momento da temporada. Na regular, conseguiu uma campanha histórica de 68 vitórias e apenas 14 derrotas, marcando o melhor retrospecto da história da franquia (e aqui podemos até incluir o período de SuperSonics).
Somente em duas oportunidades, ao longo de todos os 82 compromissos, o Thunder engatou derrotas consecutivas. E, em ambas as ocasiões, foram apenas dois reveses. Mais que dois consecutivos? Nunca.
Além disso, o time comandado por Mark Daigneault foi o único a figurar no top 3 dos melhores ataques (em terceiro) e defesas (em primeiro). Curiosamente, as unidades se encontram nos exatos mesmos lugares nos playoffs. Conseguiram ainda uma margem de vitória de 12,9 pontos positivos, e 54 delas aconteceram por dez ou mais tentos de diferença, ambas as melhores marcas da história da NBA.
E, por fim, o mais surpreendente: o Thunder conquistou todos esses feitos com o elenco mais jovem de toda a liga. A equipe impressionou durante toda a temporada, e sua dominância parece se fortalecer ainda mais nos playoffs.
Na pós-temporada, atropelou o Memphis Grizzlies na primeira rodada com um sonoro 4 a 0. O jogo 3 marcou, inclusive, a segunda maior virada da história dos playoffs. Em seguida, mostrou toda sua resiliência para bater Nikola Jokic e o Denver Nuggets em sete duelos, com uma atuação imponente no decisivo jogo 7.
Já nas finais do Oeste, Shai Gilgeous-Alexander, Jalen Williams e Chet Holmgren desfilaram seus talentos e OKC precisou de apenas cinco jogos para despachar o Minnesota Timberwolves, que já havia eliminado Los Angeles Lakers e Golden State Warriors.
Naturalmente, a grande trajetória do Thunder se confunde com a de Gilgeous-Alexander. O canadense viveu a melhor temporada de sua vida, recebendo, com méritos, seu primeiro prêmio de MVP aos 26 anos. Além disso, os 32,7 pontos de média na temporada regular valeram também o posto de cestinha da liga.
Seu incrível aproveitamento nos arremessos de quadra, de 51,9%, é o melhor de um armador durante a era do play-by-play. Ou seja, desde a temporada 1996-97, quando todas as estatísticas a que temos acesso hoje passaram a ser computadas. Destaque também para os cinco rebotes, 6,4 assistências, 1,7 roubo de bola e um toco por jogo.
Assim como na temporada regular, Shai continuou impecável durante os playoffs. São 29,8 pontos, 5,7 rebotes e 6,9 assistências de média, mesmo sendo marcado pelos melhores defensores adversários e sendo o grande ponto de atenção das defesas.
O armador já mostrou todas as virtudes que esperávamos ver dele na pós-temporada. Decidiu jogos apertados nos períodos finais, envolveu seus companheiros quando preciso, enfrentou diferentes tipos de marcação individual e de defesas coletivas e, principalmente, manteve seu instinto letal na pontuação, castigando adversários no garrafão, na meia-distância e, por vezes, no perímetro.
Shai chega para a disputa da primeira final de sua carreira sendo, indiscutivelmente, o melhor jogador em quadra. E os Pacers terão um enorme desafio tentando parar o camisa 2.
Impossível falar sobre esse time do Oklahoma City Thunder sem mencionar a defesa montada por Daigneault. Como mencionado anteriormente, a unidade foi a melhor durante a temporada regular e, segue sendo a melhor também nos playoffs com sobras.
Durante a regular, o Thunder sofria 106,6 pontos a cada 100 posses de bola, estatística já impressionante. Como costuma acontecer, esse número caiu ainda mais na pós-temporada, mais precisamente para 104,7.
Além disso, a equipe força uma quantidade impressionante de turnovers dos adversários. Nos playoffs, a média é de 18 por partida, com 23,8 de pontos sendo criados através destes erros.
Jalen Williams e Luguentz Dort foram recompensados pelo trabalho defensivo na temporada com seleções para os times ideais de defesa. No entanto, a verdade é que Oklahoma City não tem pontos fracos neste lado da quadra. Shai, a principal estrela, é também um excelente ladrão de bolas e defensor individual competente. Holmgren por vezes é explorado nos duelos físicos, mas sua altura faz com que ele seja um ótimo protetor de aro e contestador de arremessos longos, enquanto Isaiah Hartenstein caiu como uma luva como parceiro de garrafão.
Como se não bastassem todos os grandes nomes citados, o Thunder pode se dar ao luxo de ter o melhor defensor desses playoffs vindo do banco. Alex Caruso provou-se um acerto crucial do general manager Sam Presti, e vem sendo um nome fundamental na campanha. Seu trabalho diante de Jokic na série contra os Nuggets e, mais especificamente no jogo 7, já está marcado nos livros de história da liga.
Cason Wallace, Jaylin Williams, Aaron Wiggins e Kenrich Williams também são nomes que saem do banco de reservas para contribuir na defesa. Assim, a unidade histórica de OKC, que em números é a melhor do século na liga, torna-se um verdadeiro pesadelo para os adversários durante todos os 48 minutos de partida.
OKC e Indiana têm números que se assemelham em diversos aspectos. Ambas tem excelentes defesas de transição, cometem poucos turnovers, trabalham bem os arremessos de meia-distância, contam com armadores capazes de desequilibrar partidas a qualquer momento e têm a exata mesma frequência de posses no pick’n roll (17,7%).
Um ponto que pode favorecer o Thunder, porém, são os lances livres. Os dois times cobram médias parecidas na pós-temporada (24,1 para OKC e 23,8 para Indy), mas, a diferença nas faltas cometidas é alarmante. Oklahoma City cede uma média de 23,8 arremessos livres aos adversários, enquanto os Pacers são os piores dos playoffs no quesito, cedendo 28,6.
Durante a temporada, o Thunder teve o maior aproveitamento coletivo na linha, com 81,9%. Para além dos números, Indiana tem um problema claro: encontrar maneiras de frear o impacto de Shai. Andrew Nembhard deve ser o encarregado da tarefa de marcar individualmente o camisa 2, mas essa missão pode rapidamente ser delegada para Aaron Nesmith, melhor defensor da equipe.
Fato é que ninguém encontrou respostas para Gilgeous-Alexander até então, nem mesmo defensores aparentemente mais capacitados para o trabalho, como Jaden McDaniels. E os Pacers sofreram com as faltas em vários momentos da série contra o New York Knicks. No jogo 4, por exemplo, foram 39 lances livres cedidos. Boa parte deles pelo talento de Jalen Brunson para encontrar os contatos.
E, se Brunson é um especialista nesse aspecto, pode-se dizer o mesmo de Shai. Em jogos apertados – como esperamos que seja, pelo menos, boa parte das finais – os arremessos livres podem ser um diferencial a favor de OKC.
Um dos grandes trunfos da campanha de Indiana vem sendo o desempenho do banco de reservas. Nomes como T.J. McConnell, Bennedict Mathurin, Obi Toppin e Thomas Bryant entregam bons minutos na rotação de Rick Carlisle, evitando uma sobrecarga física dos titulares.
Entretanto, os Pacers enfrentam agora o time mais preparado para o fator banco. O Thunder também conta com uma profundidade de elenco invejável, e tiveram pelo menos quatro nomes capazes de saírem do banco e contribuírem muito bem dos dois lados da quadra em cada série.
Pelas características desses jogadores, a profundidade garante também uma versatilidade ímpar a Oklahoma. O escrete de Daigneault é capaz de trabalhar em diferentes formações, desde a clássica com dois pivôs até o small ball.
Além dos fatores citados, temos que destacar também o momento dos coadjuvantes. Desde meados da série de semifinal contra Denver, Chet Holmgren e Jalen Williams vêm mostrando um excelente desempenho. As atuações da dupla, então, vem facilitando o trabalho de Shai, que cada vez menos precisa carregar o ataque da equipe em situações de meia-quadra.