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Rob Manfred comenta reintrodução de atletas banidos à elegibilidade do Hall da Fama

Gabriel Litaldi

Nomes controversos, mas lendários, na história da liga voltaram a ser considerados ao Hall da Fama

Nesta quinta-feira (29), o comissário da MLB, Rob Manfred, explicou à imprensa sobre a decisão de “desbanir” alguns atletas para a eleição de Hall da Fama da MLB.

Após a morte do outfielder Pete Rose, uma lenda do Cincinnati Reds, em setembro do ano passado, Manfred cogitou a possibilidade de remover a suspensão ao panteão do esporte para o atleta e outros nomes de grande destaque da liga, mas que estavam impedidos de participarem da eleição por motivos diversos.

Rose foi o líder da Big Red Machine, ataque lendário dos Reds nos anos 70. Inclusive, pela equipe, conquistou três World Series e encerrou sua carreira como o atleta com mais rebatidas (4.256) na liga – recorde que detém até hoje. No entanto, o seu envolvimento com apostas esportivas fez com ele fosse banido do esporte em 1989, se tornando inelegível ao Hall da Fama dois anos depois.

Sobretudo, outro atleta que causava polêmica, sendo “perdoado” pela Major League Baseball, foi “Shoeless” Joe Jackson, outfielder historicamente ligado ao Chicago White Sox. Visto como um dos melhores jogadores da sua época, Jackson (supostamente) “vendeu” a World Series de 1919, contra Cincinnati. Mesmo que o boato nunca tenha sido confirmado – e o atleta, sempre negado – ele foi banido do esporte no ano seguinte. Este esquema, aliás, foi chamado de “Black Sox Scandal” (Escândalo das Meias Negras, em português), um dos episódios mais polêmicos do esporte.

Polêmico, mas histórico

“Eu diria três coisas”, disse Manfred, em entrevista na CBS Mornings. “Primeiro: nossa lista de inelegibilidade permanente é efetivamente um banimento de alguém trabalhar no esporte. É questão de lógica. Não tem porquê alguém que já morreu estar nesta lista. Segundo: Pete Rose faz parte da história do jogo. Todos os outros jogadores, incluindo ‘Shoeless’ Joe Jackson, foram considerados para o Hall da Fama e foi tomada uma decisão. Não vejo motivo de deixar Pete Rose fora, sem consideração.

“E por último, acho que as pessoas não percebem que Pete Rose não foi disciplinado pelo comissário (Bart) Giamatti. Ele entrou num acordo com a liga. Na época, ele entrou na lista de banimento permanente sabendo que as regras o o permitiam ser considerado para o Hall da Fama. O comissário Giamatti participou de uma conferência de imprensa no dia deste acordo e, ao ser perguntado sobre o Hall da Fama, disse que o acerto não tinha impacto nenhum sobre a nomeação. O Hall da Fama deveria considerar Pete Rose de acordo com as regras existentes. Portanto, eu vejo esta decisão como uma oportunidade do beisebol reviver o acordo que fez com Pete Rose”.

Caminho certo

Embora tenha dito que a decisão de reverter a elegibilidade dos jogadores tenha sido algo difícil de se oficializar, Rob Manfred afirmou que acredita estar no caminho certo.

“Sim, foi difícil porque as pessoas são passionais em assuntos como este”, revelou Manfred. “Quando você toma um lado neste negócio como eu tomei, cumprir com os seus acordos é algo muito importante e, na minha opinião, já tinha passado da hora”.

Mesmo que Rose não estivesse elegível, o seu nome apareceu em algumas das cédulas escritas para Copperstown entre 1992 e 1994. Já Jackson não esteve completamente inelegível a princípio, aparecendo entre algumas disputas entre as décadas de 30 e 40.

Caso eleitos, a dupla fará parte da Classe de 2028 do Hall da Fama, já que a participará da eleição em dezembro de 2027 sob o Comitê da Era Clássica do Beisebol.

Por fim, confira abaixo todos os jogadores agora elegíveis por Rob Manfred e o motivo do “banimento” anterior:

  • “Shoeless” Joe Jackson, outfielder – envolvimento em partidas no Escândalo das Meias Negras;
  • Buck Weaver, shortstop – envolvimento em partidas no Escândalo das Meias Negras;
  • Eddie Cicotte, arremessador – envolvimento em partidas no Escândalo das Meias Negras;
  • Lefty Williams, arremessador – envolvimento em partidas no Escândalo das Meias Negras;
  • Happy Felsch, outfielder – envolvimento em partidas no Escândalo das Meias Negras;
  • Fred McMullin, terceira base – envolvimento em partidas no Escândalo das Meias Negras;
  • Swede Risberg, shortstop – envolvimento em partidas no Escândalo das Meias Negras;
  • Chick Gandil, primeira base – envolvimento em partidas no Escândalo das Meias Negras;
  • Joe Gedeon, segunda base – envolvimento em apostas no Escândalo das Meias Negras;
  • Gene Paulette, infielder – envolvimento em apostas no Escândalo das Meias Negras;
  • Benny Kauff, outfielder – possível envolvimento com roubo de carro em 1921;
  • Lee Magee, segunda base – envolvimento com apostas e manipulação de resultados;
  • Phil Douglas, arremessador – ameaça a técnico;
  • Jimmy O’Connell, outfielder – suborno à outro jogador;
  • Cozy Dolan, treinador – suborno à jogador;
  • William Cox, proprietário do Philadelphia Phillies – apostar em jogos da sua própria equipe;
  • Pete Rose, outfielder – apostar em jogos de beisebol.
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Cientista político, gaúcho em SP e paulista no RS. Coleciona camisas de esportes em geral. É fã dos X-Men, comida mexicana, ska punk e literatura latina. Contrasta a camisa vermelha de domingo com o amor azul pelo New York Mets.

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