O Santos Futebol Clube entrou para a história no dia 29 de março de 1956 ao conquistar seu primeiro título internacional. Em uma final eletrizante contra o Newell’s Old Boys, da Argentina, o Peixe goleou por 5 a 2 no Pacaembu e ergueu a taça do Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Essa conquista marcou o início de uma era de ouro para o clube, que, anos depois, brilharia ainda mais com a chegada de Pelé.
A campanha santista na fase internacional do torneio já mostrava sinais de que o título era questão de tempo. Na estreia, o alvinegro praiano venceu o próprio Newell’s por 4 a 2 na Vila Belmiro, com atuação inspirada de Vasconcelos e Pepe. Depois, virou um jogo complicado contra o Boca Juniors, que abriu 2 a 0 em um gramado castigado pela chuva, mas viu o Santos reagir e vencer por 3 a 2.
O desafio seguinte foi o Nacional, do Uruguai, que contava com reforços da seleção campeã sul-americana. Mesmo assim, o Peixe atropelou por 5 a 0, em que garantiu a presença na final. Nos bastidores, o Corinthians tentava manobras para ultrapassar o rival no saldo de gols, mas o Santos não deu brechas para surpresas.
Na decisão, o Santos demonstrou a vocação ofensiva e definiu o jogo ainda no primeiro tempo. Em um intervalo de dez minutos, Pagão, Pepe e Vasconcelos construíram uma vantagem confortável. No início da segunda etapa, Pagão ampliou de pênalti. O Newell’s até esboçou reação, mas Del Vecchio fechou a goleada histórica por 5 a 2.
A imprensa esportiva paulista, que muitas vezes tratava o Santos como um clube periférico diante dos grandes da capital, precisou se render. O jornal Mundo Esportivo chamou a equipe de “uma verdadeira academia de futebol”, a exaltar a qualidade técnica e ofensiva do time.
Com essa vitória, o Santos colocou seu nome no cenário internacional, além de que ajudou a recuperar o prestígio do futebol brasileiro, que vinha de decepções na Copa do Mundo de 1954 e no Campeonato Sul-Americano de 1956.
Os números comprovam a força daquela equipe: 17 gols marcados em quatro jogos, média de 4,25 por partida. Pagão foi o artilheiro do time, com cinco gols, seguido por Pepe (quatro) e Vasconcelos (três).
O troféu da conquista, conhecido como “Deusa Alada”, ficou perdido por anos, mas foi resgatado, restaurado e, em 2019, passou a ocupar um lugar de destaque no Memorial das Conquistas da Vila Belmiro. Mais do que uma taça, o objeto simboliza o ponto de partida de um dos times mais vitoriosos da história do futebol mundial.
soccer Jornalista em formação diretamente de Niterói-RJ. Busca juntar o que mais ama: comunicação e esporte. É grande torcedora do Fluminense e da McLaren, além de apaixonada por futebol nacional desde pequena. Encantou-se com diversas categorias do automobilismo e, hoje, não sabe viver sem os roncos dos carros. Uma grande entusiasta do multilinguismo e viajante pelo mundo.
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