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Patriots x Seahawks: relembre a história eterna do Super Bowl XLIX

Matheus Puk

Entre glória e choque absoluto, Patriots e Seahawks protagonizaram no Super Bowl XLIX um dos finais mais épicos da história da NFL

New England Patriots e Seattle Seahawks voltam a se encontrar na grande final da NFL neste ano. Porém, a história entre as duas equipes é rica e proporcionou um dos maiores jogos de todos os tempos. Trata-se do Super Bowl XLIX, disputado no dia 1 de fevereiro de 2015, no University of Phoenix Stadium, no Arizona, uma final inesquecível, recheada de emoções e lances que ficaram marcados para a eternidade.

O jogo foi, para muitos, um divisor de águas para a NFL moderna. De um lado, os Patriots, liderados por Tom Brady e Bill Belichick buscando reafirmação após uma década sem títulos e contínuos questionamentos. Foi nesta temporada que, após um início 2-2, Belichick foi questionado por repórteres se havia chegado a hora de Brady ser substituído por Jimmy Garoppolo. E então, a inesquecível coletiva do técnico ficou marcada por quatro simples palavras: “We’re on to Cincinnati”.

+ 5 chaves para o título de New England no Super Bowl LX

+ 5 chaves para o título de Seattle no Super Bowl LX

Enquanto isso, os Seahawks, atuais campeões e donos da defesa mais temida da liga, a famosa “Legion of Boom”, tentavam consolidar uma dinastia. Com um estilo único, um perfil agressivo, Seattle trazia algo ‘novo’ para a liga, pelo menos nos últimos anos. Os comandados de Pete Carroll haviam destruído Peyton Manning e os Broncos no ano anterior e agora, era a vez de praticamente ‘aposentar’ outra lenda. Porém, a história final foi muito diferente disso.

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Estilos opostos, um único objetivo

A partida reuniu estilos opostos. Enquanto os New England, com seu pragmatismo padrão, apostava em leitura rápida, passes curtos e controle situacional, Seattle tinha plena confiança na fisicalidade, no jogo terrestre poderoso e em uma defesa histórica. Ao longo de quatro quartos intensos, o confronto se transformou em uma montanha-russa emocional, com mudanças constantes no placar e decisões polêmicas que seguem debatidas até hoje.

O resultado final, vitória dos Patriots por 28 a 24, selou o quarto título da franquia e entrou definitivamente nos anais da história do futebol americano. Acompanhe abaixo, a trajetória dos dois times, os detalhes do jogo e muito mais, relembrando a grande final de 2015 da NFL.

Patriots Seahawks Super Bowl XLIX
A interceptação lendária de Malcolm Butler marcou o Super Bowl XLIX – Foto: Robert Deutsch-USA TODAY Sports

A trajetória dos Patriots até o Super Bowl XLIX

Primeiramente, os Patriots chegaram ao Super Bowl XLIX após uma temporada regular sólida, marcada por consistência ofensiva e adaptação estratégica. Com campanha 12–4, New England mostrou maturidade ao longo do ano, mesmo enfrentando lesões e ajustes constantes no elenco. Como citado anteriormente, o início foi duro e recheado de questionamentos – mas 12 vitórias nos 14 jogos seguintes mostraram que o time ainda era dominante na AFC.

Nos playoffs, New England derrotou os Ravens em um Divisional Round épico, marcado por múltiplas viradas e um passe em trick-play de 51 jardas, cortesia de Julian Edelman para Danny Amendola. Depois, eles atropelaram os Colts na final da AFC, em uma das atuações mais dominantes da história da pós-temporada – no jogo que posteriormente, ficou conhecido pela polêmica do DeflateGate.

Tom Brady viveu um de seus melhores momentos, apoiado por Julian Edelman, Rob Gronkowski e um jogo defensivo subestimado, porém extremamente eficiente. Com muito mais do que apenas talento, os Patriots chegaram à decisão com uma identidade clara, uma marca da era Brady-Belichick: vencer nos detalhes, controlar o relógio e castigar qualquer erro adversário, jogando com seriedade todos os 60 minutos, sem tirar o pé do acelerador.


Os Seahawks e a defesa que intimidava a NFL

Enquanto isso, os Seahawks entraram no Super Bowl XLIX como favoritos – e com muito menos polêmicas também. Com campanha 12–4, Seattle mantinha a base campeã do ano anterior e possuía a lendária “Legion of Boom”, considerada por muitos como uma das melhores defesas da história da NFL.

O time de Seattle baseava sua filosofia em pressão constante, coberturas físicas e uma secundária que controlava alvos por toda a profundidade do campo. Russell Wilson, cada vez mais, se tornava uma super estrela e a ‘cara do quarterback moderno’, comandando um ataque dinâmico e eficiente, respaldado por um jogo terrestre brilhante. A pós-temporada, no entanto, foi um verdadeiro teste para cardíaco. No Divisional Round, os Seahawks superaram os Panthers com autoridade.

Entretanto, na final da NFC contra os Packers, o time perdia por 12 pontos a pouco mais de dois minutos do fim do jogo. Então, uma sequência insana veio a seguir: touchdown, onside kick recuperado após uma falha grave de Brandon Bostick, novo touchdown…e os Packers conseguiram um field goal para empatar o jogo ainda. Mas na prorrogação, Wilson – que teve quatro incerceptações no jogo – encontrou Jermaine Kearse para o TD da vitória.

Ainda assim, Seattle chegou ao Super Bowl confiante, com a moral em alta. Russell Wilson comandava um ataque versátil, Marshawn Lynch simbolizava força e agressividade, e a defesa entrava em campo com aura de invencibilidade.


Primeiro tempo mostra equilíbrio e ajustes constantes

O Super Bowl XLIX começou com um ritmo lento, mas rapidamente, acelerou. O primeiro quarto terminou sem pontuação, mas a segunda parcial abriu o placar. Tom Brady encontrou Brandon LaFell para um touchdown de 11 jardas, colocando os Patriots à frente. Seattle respondeu com Marshawn Lynch correndo para a end zone, igualando o placar.

New England voltou a liderar com um passe para Rob Gronkowski próximo ao fim dos primeiros 30 minutos. Mas, em uma campanha relâmpago que, marcada por uma recepção de 33 jardas de Ricardo Lockette – anote este nome -, Chris Matthews empatou para os Seahawks nos segundos finais. Assim, o jogo foi para o intervalo empatado em 14 a 14, demonstrando o equilíbrio total do confronto e que nenhum time dominaria facilmente o outro.


Segundo tempo tem viradas, tensão e drama absoluto

Seattle abre vantagem no terceiro quarto e New England empata

No terceiro quarto, Seattle conseguiu produzir dez pontos sem resposta dos Patriots, abrindo vantagem de 24 a 14. Essa fase do jogo refletiu exatamente o que Seattle havia construído ao longo da temporada – um ataque eficaz quando necessário, uma defesa que ainda era difícil de ultrapassar, e um plano claro de conter as armas ofensivas de New England. Com Russell Wilson encontrando boas conexões e Marshawn Lynch impondo físico nas corridas, Seattle parecia no caminho de seu segundo título consecutivo.

No entanto, sob ampla pressão para uma resposta nos 15 minutos finais, New England mostrou porque era um dos times mais duros da liga de se bater sob pressão. Brady respondeu com precisão cirúrgica, encontrando espaços mínimos, arriscando passes na medida perfeita e conduzindo dois drives para touchdowns consecutivos no último quarto. Julian Edelman e Danny Amendola anotaram as pontuações e foram decisivo em terceiras descidas em ambas as campanhas.

Então, com pouco mais de dois minutos no relógio, New England assumiu a liderança por 28 a 24. Ainda assim, o jogo estava longe de acabar. Desta vez, os Patriots esperavam não ver recepções milagrosas como a de David Tyree em 2008 ou a de Mario Manningham em 2012.

‘Está acontecendo de novo?!’ – a recepção extraordinária de Kearse

O jogo estava longe do seu fim, mas Bill Belichick e companhia sabiam que o controle, era seu. Devidamente ‘vacinados’ após as duas derrotas seguidas para os Giants nas duas últimas participações em finais, os Patriots sabiam que Seattle buscava uma ‘big play’, e se preveniu contra isso.

Então, a grande jogada veio, de forma chocante. Uma bomba de Wilson contra a marcação dupla de Malcolm Butler e Duron Harmon para Kearse. A cobertura, era perfeita e após o desvio de Butler, Harmon até poderia tentar interceptar a bola. Mas ela ficou pipocando no ar, caiu nos joelhos do camisa 16, nunca tocou o solo…e ele completou a recepção. Mais uma vez, um baque no coração dos torcedores de New England, mais uma vez, uma recepção praticamente, impossível.

O ‘esquecido’ tackle salvador de Donta Hightower

Em um piscar de olhos, tudo parecia perdido. A expressão no rosto de cada jogador dos Patriots era de choque. Seattle tinha o melhor running back da NFL em situações curtas, e estava na porta da end zone. Bastava queimar relógio o suficiente, anotar o touchdown e comemorar o título.

Mas o aspecto mental, técnico e a sequência de decisões em milissegundos que veio na sequência, entrou para a história da NFL. Lynch correu para a esquerda e parecia destinado ao TD, porém, um tackle salvador de Dont’a Hightower, pelo tornozelo, lhe parou na linha de uma jarda. Belichick não fez o esperado, sem pedir timeout e deixando o tempo correr.

“Malcolm, GO!” – Butler voltava a campo para entrar na história da NFL

Do outro lado, Pete Carroll parecia confuso, mas prosseguiu com seu plano, deixando o relógio rolar. Era tudo ou nada, os Patriots precisavam parar o imparável Marshawn Lynch. Então, das laterais, Brian Flores, na época um mero assistente e, atualmente, um dos melhores coordenadores ofensivos da liga, notou algo diferente na composição dos Seahawks em campo e imediatamente, gritou “Malcolm, VAI!”.

Em uma substituição apressada, Butler voltou ao campo, se alinhando ao lado de Brandon Browner. Ao invés de entregar a bola para o jogo terrestre, Wilson tentou o passe, numa chamada ofensiva fatal para Seattle. Browner evitou o ‘corta-luz’ de Kearse e Butler cortou perfeitamente a linha de passe para Ricardo Lockette, interceptando a bola e selando o fim da partida.

As reações de choque em ambas as sidelines contrastavam – Brady saltava de alegria, como um pequeno garotinho de oito anos, enquanto Richard Shearman ficava boquiaberto, parecendo não crer no que os seus olhos viam. Placar final, em Arizona, New England 28, Seattle 24.

Patriots Seahawks Super Bowl XLIX
Pete Carroll e os Seahawks reagem ao final dramático do Super Bowl XLIX; decisão arriscada custou o título a Seattle, que nunca mais voltou a grande final até este ano – Foto: Robert Deutsch-USA TODAY Sports

Estatísticas do Super Bowl XLIX

Números ofensivos dos Patriots

  • Tom Brady: 328 jardas aéreas, 4 touchdowns
  • Jogo terrestre: 61 jardas totais
  • Julian Edelman: 9 recepções, 109 jardas
  • Rob Gronkowski: 6 recepções, 68 jardas, 1 TD

Números ofensivos dos Seahawks

  • Russell Wilson: 247 jardas aéreas, 2 TDs, 1 INT
  • Marshawn Lynch: 102 jardas terrestres, 1 TD
  • Chris Matthews: 4 recepções, 109 jardas, 1 TD
  • Doug Baldwin: 5 recepções, 80 jardas, 1 TD

O legado do Super Bowl XLIX

O Super Bowl XLIX redefiniu narrativas. Para os Patriots, foi o título que encerrou um jejum de dez anos e abriu caminho para uma nova era de conquistas. Nos anos seguintes, o time voltou a grande final mais três vezes, com dois títulos e uma derrota. Inclusive, a vitória contra os Falcons e a derrota para os Eagles também são jogos épicos, que definem muito bem a dinastia de Foxborough.

Para os Seahawks, o jogo representou uma oportunidade perdida. Apesar do talento e da força defensiva, a decisão final passou a simbolizar como pequenos detalhes podem separar campeões de vice-campeões. O que para muitos era o começo de uma dinastia, rapidamente ruiu, e o grupo foi se desfazendo ano após ano. Desde essa derrota, Seattle não passou mais da rodada divisional dos playoffs – até esta temporada, onde busca sua grande revanche.

Mais de uma década depois, o duelo entre Patriots e Seahawks segue como referência de drama, excelência técnica e impacto histórico. Um Super Bowl que nunca será esquecido – e que ganhará a ‘parte 2’ dessa história recheada de drama e emoções, no domingo, 8 de fevereiro, às 20h30 de Brasília, 11 anos depois.

Patriots Seahawks Super Bowl XLIX
Vitória épica marcou início de ‘segunda era’ em New England, com mais dos títulos nos anos posteriores – Foto: Mark J. Rebilas-USA TODAY Sports

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Escreve sobre o que ama. Torcedor incondicional dos Patriots desde a temporada perfeita que não teve final perfeito. Um viciado em jogos de esportes desde seu finado PS1, é apaixonado também por Bruins, Red Sox e Celtics. Tem a felicidade de já ter visto todos os seus times de coração serem campeões. Sonha em um dia entrevistar pessoalmente seu maior ídolo, Patrice Bergeron.

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