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Por que o Thunder saiu de Seattle e foi para Oklahoma City? Mudança completa 17 anos nesta quarta

Lucca Hoelzle

Entre processos, manifestações e imbróglios financeiros, franquia mudou a identidade e se tornou um dos grandes projetos da NBA

O Oklahoma City Thunder finalmente coroou, em 2025, o trabalho bem-sucedido de anos de seu front office e direção. Ao longo do mês de junho, a equipe se sagrou campeã da NBA pela primeira vez na sua história. Ou seria pela segunda? Ainda que não considere a conquista de 1979, a franquia carrega, desde sua fundação, a história do Seattle SuperSonics.

E esta quarta-feira (2) marca o aniversário de 17 anos da realocação dos SuperSonics, levados a Oklahoma City e posteriormente transformados em Thunder no ano de 2008. Na época, a decisão gerou revolta entre a fanática torcida de Seattle, e a mudança se tornou motivo de protestos e até mesmo disputas judiciais.

O início do fim dos SuperSonics

Antes mesmo da transição, os SuperSonics já viviam uma das piores décadas de sua história na virada do século. Até o ano da mudança, a franquia havia alcançado os playoffs apenas duas vezes em oito possíveis, caindo diante do San Antonio Spurs em ambas (uma na primeira rodada e uma nas semifinais do Oeste).

Financeiramente, o cenário também era péssimo. Howard Schultz, CEO da empresa Starbucks, assumiu o controle das operações já com a intenção de vender a parte majoritária das ações. E o principal problema estava relacionado a KeyArena, ginásio onde os Sonics mandavam seus jogos desde 1962 (!) e que, àquela altura, suportava a menor capacidade de público de toda a liga (17.000).

Com a arena precisando de reformas, Schultz tentou conseguir apoio financeiro da prefeitura de Seattle. Porém, não teve sucesso e, em 2006, acertou a venda da franquia para um grupo de investidores liderado por Clay Bennett. A princípio, o acordo original entre as partes previa que Bennett teria de realizar esforços por um período de um ano para tentar manter os SuperSonics na cidade.

No entanto, eleitores de Seattle votaram contra a ideia da utilização de recursos públicos na reforma da KeyArena. A franquia também não conseguia gerar receita suficiente para arcar com os custos. Então, o período de um ano se passou e, diante do insucesso das tentativas, Bennett anunciou os planos de levar a equipe para Oklahoma City.

Sob protestos e processos, nascia o Thunder

Tentando evitar a realocação, a cidade entrou com um processo contra os Sonics, alegando uma quebra do contrato de locação da KeyArena, válido até o ano de 2010. Algum tempo depois, as partes chegaram a um acordo. Assim, a franquia realizou o pagamento de US$ 45 milhões a Seattle e, logo após a temporada 2007-08, se mudou oficialmente para o novo estado.

Durante uma das audiências, cerca de três mil torcedores dos SuperSonics compareceram ao tribunal para protestar contra Bennett e a mudança do time. E, pouco depois, Schultz entrou com um processo buscando reverter o processo de venda da franquia, após um vazamento de e-mails que apontava a intenção de Bennett de levar a equipe a Oklahoma City desde o momento da aquisição. A ação judicial, contudo, acabou sendo retirada pelo antigo dono em agosto de 2008, quando o processo de realocação já havia sido autorizado pela liga.

Clay Bennett e Oklahoma City Thunder: uma história de sucesso

Antes de concluir a compra do Seattle SuperSonics, Clay Bennett era um dos acionistas minoritários do San Antonio Spurs. Em 2005, passou a fazer parte, ao lado de outros investidores, de um grupo que viabilizou a ida temporária do New Orleans Hornets a Oklahoma City, por conta dos estragos causados pelo Furacão Katrina.

Foi aí, então, que Bennett percebeu o potencial da cidade em receber uma franquia da NBA em definitivo. O empresário não perdeu tempo e, como parte de um grupo baseado em Oklahoma, aproveitou a oportunidade de adquirir os Sonics, que enfrentavam problemas financeiros já conhecidos.

O executivo, logicamente, se tornou persona non grata em Seattle. Por outro lado, virou um herói em sua cidade natal. Desde o ano da mudança até os dias de hoje, conduz, ao lado do general manager Sam Presti, um dos projetos mais bem-sucedidos de toda a associação. O título veio apenas em 2025, mas, ao longo dos 17 anos, o Thunder registrou 40 vitórias ou menos em somente três temporadas.

Bennett passou também por problemas sérios longe do mundo dos negócios e do basquete. Na segunda metade da última década, o mandatário descobriu um câncer e precisou passar por cirurgia no cérebro em 2017. Apesar dos sustos, esteve presente no pódio para levantar o troféu Larry O’Brien no último mês, sendo ovacionado por torcedores, jogadores e funcionários da franquia.

A esperança volta a brilhar em Seattle

Dezessete anos depois do traumático fim dos SuperSonics, os fãs de basquete de Seattle estão mais esperançosos do que nunca em um retorno da franquia. Ao longo dos últimos anos, a liga tem discutido frequentemente seus planos de expansão. E, ao lado de Las Vegas, a cidade é a mais cotada para receber uma equipe.

A então complicada KeyArena deixou de ser um problema para se tornar uma solução. Hoje sobre o nome de Climate Pledge Arena, o ginásio passou por reformas no valor de US$ 700 milhões. Assim, se se transformou na moderna casa do Seattle Storm, na WNBA, e do Seattle Kraken, na NHL. Nos últimos anos, tem recebido também jogos da NCAA, ampliando a capacidade para 18.300 como parte dos esforços para voltar a sediar um time da NBA.

Declarações recentes de Adam Silver, comissário da liga, aumentaram ainda mais a esperança dos torcedores. Ele revelou que o corpo de executivos “está muito focado nisso”. Além disso, Kevin Durant, que foi selecionado pela equipe no Draft de 2007, acrescentou que deseja fazer parte de um possível ressurgimento.

Por fim, o provável retorno dos SuperSonics é a oportunidade perfeita de curar os corações adoecidos de uma cidade que, por tanto tempo, respirou o basquete da maneira mais apaixonada possível.

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Mineiro, jornalista e completamente viciado em futebol e basquete. Começou a se interessar pelo basquete assistindo vídeos de Allen Iverson e Tony Parker, mas se apaixonou de vez pelo esporte e pelo Dallas Mavericks de Dirk Nowitzki em 2008. Tem também um carinho especial por NHL, MLB e NFL, onde é torcedor de Los Angeles Kings, New York Mets e New Orleans Saints.

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