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Confira se, quase dez anos depois do primeiro tÃtulo com Stephen Curry, o ataque do Golden State Warriors se tornou ultrapassado
Daqui poucos meses, no dia 16 de junho para ser mais exato, o primeiro título do Golden State Warriors, na era de Stephen Curry, completará dez anos. Na ocasião, um time com o jovem big 3 com Curry, Klay Thompson e Draymond Green venceu o Cleveland Cavaliers de LeBron James e companhia. Nesta mesma temporada, a de 2014-15, Steve Kerr estreou como técnico principal dos Warriors. Dessa forma, o jovem núcleo da equipe ganhou um novo jeito de jogar e que, no momento, era revolucionário (nos aprofundaremos depois).
Porém, quatro títulos e uma década depois, os Warriors não têm mais Thompson e parecem distantes do time revolucionário que mudou a NBA. Curry tem 36 anos, Green tem 34 e o elenco no entorno deles é muito diferente das primeiras campanhas de título (e muito menos qualificado). Depois de 2015-16, quando a equipe conquistou o melhor recorde na história da temporada regular, a adição de Kevin Durant deixou o time quase que imbatível. Inclusive, mesmo sem o ala a equipe conquistou mais um título em 2022 e parecia caminhar para mais uma sequência de vitórias.
No entanto, pouco tempo depois os Warriors sofrem para colocar em quadra um time competitivo. Desde o último título, a melhor colocação foi o sexto lugar na Conferência Oeste, quando perdeu para o Los Angeles Lakers na segunda rodada dos playoffs. Além disso, nos últimos dois anos a equipe ficou, na maior parte da temporada regular, brigando por uma vaga no play-in e tentando de tudo para ser competitiva.
Dessa forma, fica a questão: o ataque dos Warriors está ultrapassado? É o que debateremos em seguida.
Na temporada de 2016-17, a primeira de Durant nos Warriors, a equipe produzia 114,8 pontos a cada 100 ataques. A média da NBA naquele ano era próxima de 107 pontos a cada 100 posses. Ou seja, o ataque dos Warriors era muito acima da média. Atualmente, o ataque tem um rating de 111,6, pior que anos atrás sendo que a média é próxima de 112.
Ou seja, olhando exclusivamente para os números não existe dúvida: o ataque dos Warriors é ultrapassado. Mas, por quê?
Primeiro, é crueldade comparar o time atual com o de 2016-17. Isso porque todas as estrelas da equipe estavam em seu auge físico e técnico, além de que o sistema baseado em arremessadores e espaçamento em quadra era novidade para a liga. As defesas em grande parte utilizavam o drop para marcar um pick and roll, isto é, o defensor adversário responsável por quem faz a screen ficava bem atrás do lance, protegendo a área de meia distância e o garrafão. Repare em algumas jogadas desse vídeo abaixo.
Stephen Curry puts up 27 and Klay Thompson adds 24 as the @Warriors clinch their 2017 playoff berth! #DubNation pic.twitter.com/Dm9piPa3nQ
— NBA (@NBA) February 26, 2017
Assim, com screens fora do lance da bola, cortes para a cesta e arremessos de três, os Warriors destruíram as defesas. Com grandes arremessadores, os espaços eram gigantes em quadra e ficava mais fácil de encaixar um arremesso. Depois, os arremessadores de Golden State começaram a colocar pressão nos defensores para guardar a linha de três, que reagiam com desespero e deixavam o garrafão livre para cestas fáceis. O sistema dos Warriors não era arremessar de três e acabou, era sobre se movimentar sem a bola, criar espaços e aproveitar o que a defesa dava: se era bola de três, ótimo, se era garrafão livre, melhor ainda.
No entanto, quase dez anos depois o cenário é bem diferente. Hoje em dia, influenciadas por esse período, muitas defesas optam por fazer a troca de marcação no perímetro ou fazer pressão nos arremessadores, trazendo um defensor que está no lado oposto da jogada para marcar o garrafão e possibilitando que o pivô pressione no perímetro na hora de pick and roll.
If you switch consider using this defensive concept. Switch onto the cutter going to set the ball screen with a better matchup. Also watch how to use an up down triple switch to remove the bad matchup at the rim. Learn more about NBA defense here https://t.co/x2ewHF7ALG pic.twitter.com/vD8de9P37Z
— Chris Oliver (@BBallImmersion) February 14, 2020
The Atlanta Hawks defense was incredible in the 3rd quarter. Switch-heavy with a ton of wings, locked in executing the game plan at a high level. Shutdown a slow-moving Knicks offense. Plus Trae Young is playing the best D of his life, building on last year's progress. pic.twitter.com/opQPWhgryD
— Kevin O'Connor (@KevinOConnorNBA) December 12, 2024
Com isso, muitas equipes passaram a utilizar, no ataque, o sistema conhecido como drive and kick. Basicamente, ele consiste em um jogador com a bola infiltrar na defesa, esperar a reação dos defensores que protegerão o garrafão e soltar para alguém livre no perímetro. E ele pode ser executado de duas formas. Primeiro, pode ser feito com três jogadores espaçando a quadra fora da linha de três pontos, e os dois outros envolvidos em um pick and roll bem longe da cesta. Neste caso, a ideia é explorar a velocidade e o espaço entre a ação e o garrafão. Inclusive, os Warriors utilizaram esse sistema durante a final contra os Celtics, nos jogos finais.
Stephen Curry dominating the Celtics superteam in 5 minutes. pic.twitter.com/iGyTjdBz1C
— Zo 🌶️🔥 (@ZoSpicyDubs) December 17, 2024
No entanto, outra forma de dar vida ao drive and kick é explorando matchups. Muito utilizado pelos Celtics e pelos Cavaliers, esse sistema consiste em buscar alvos fáceis na defesa adversária e atacar eles em direção à cesta. Assim, é mais fácil balançar os defensores e achar cestas fáceis no garrafão ou então arremessadores livres.
OKC might be the NBA best defense in the rating but there are targets everywhere for a mismatch offense like the Celtics.
— azmatlanba (@azmatlanba) January 5, 2025
SGA switched on Tatum, attracted Wiggins with him and there is not rim protection behind them. pic.twitter.com/wWzA0mUzQr
Mesmo com essa mudança de filosofia da liga, os Warriors não mudaram. A equipe é a quinta que menos utiliza o pick and roll, enquanto segue no topo em screens fora do lance e cortes para a cesta. Portanto, o sistema é praticamente o mesmo de uma década atrás, sem a qualidade que tinha antes. Além disso, ele é defendido de maneira muito mais efetiva, com defesas que trocam marcação, pressionam o perímetro e trazem jogadores extras do outro lado da quadra para prevenir possíveis cortes em direção à cesta.
nba Jornalista em formação, apaixonado por música e por esportes, principalmente os americanos. Torcedor do Boston Celtics, do Boston Red Sox e fanático pelo Pittsburgh Steelers. No futebol, sofre pelo São Paulo.
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