Depois de anos de especulação, a NBA, finalmente, deu um passo concreto rumo à possível expansão da liga. Nesta terça-feira (15), o comissário Adam Silver confirmou que os donos das franquias autorizaram o início de uma análise aprofundada sobre o tema – algo inédito até aqui e que marca o início, ainda que tímido, de um processo que pode mudar a estrutura da liga nos próximos anos.
Silver foi cauteloso nas palavras ao final da reunião do conselho NBA em Las Vegas. “É, realmente, o primeiro dia dessa análise mais detalhada. Ainda não há valores, datas ou qualquer garantia de que isso vá acontecer. Mas é um passo significativo”, explicou.
A expansão será analisada por dois comitês já existentes dentro da liga: o comitê de finanças e o comitê de auditoria e estratégia. Eles ficarão responsáveis por avaliar desde o impacto econômico até as possíveis cidades que poderiam abrigar novas franquias.
Seattle e Las Vegas lideram as preferências
Entre as candidatas mais mencionadas estão Las Vegas – que já sedia a Summer League e as finais da NBA Cup – e Seattle, cuja torcida ainda sonha com o retorno dos SuperSonics, franquia que se mudou para Oklahoma City em 2008. “Seattle é um mercado incrível. Eu adoraria poder distribuir times para todas as cidades interessadas, mas é preciso que esse movimento faça sentido para toda a liga”, ressaltou Silver.
No caso de Las Vegas, vale lembrar que a cidade nos últimos anos, chegou às outras três principais ligas dos esportes americanos, também como franquia de expansão ou relocação. Dessa forma, Vegas Golden Knights (NHL), Las Vegas Raiders (NFL) e Las Vegas Athletics (MLB), relocação completa deve acontecer nos próximos anos), podem ganhar um ‘novo companheiro na cidade’ em breve.
Desde 2004, quando o Charlotte Bobcats (hoje Hornets) entrou na liga, nenhuma nova franquia foi adicionada. Foram duas décadas de estabilidade, com algumas mudanças de cidade e rebranding, mas sem novos times.
Crescimento bilionário e dilemas internos
A expansão, no entanto, levanta questões delicadas. Como explicou o comissário, adicionar novas equipes significa diluir o valor das franquias atuais – algo sensível, especialmente num momento em que a NBA vive seu melhor momento financeiro. Com novos acordos de mídia avaliados em impressionantes US$ 76 bilhões, os donos estão mais cautelosos do que nunca.
Dois times históricos, inclusive, estão sendo vendidos: o Boston Celtics (avaliado em US$ 6,1 bilhões) e o Los Angeles Lakers (vendido por US$ 10 bilhões para o empresário Mark Walter). “Esses valores impactam diretamente a nossa análise econômica sobre uma possível expansão”, reconheceu Silver.
O caso Portland e o futuro do Trail Blazers
Outra franquia que pode mudar de mãos em breve é o Portland Trail Blazers. Após a morte de Paul Allen em 2018, sua irmã, Jody Allen, assumiu a presidência e agora o espólio iniciou formalmente o processo de venda. A preferência da liga é que a equipe permaneça em Portland, mas a necessidade de uma nova arena pode pesar na escolha de um novo grupo comprador.
“Portland tem uma tradição rica na NBA, e nossa intenção é manter isso. Mas há desafios, como a questão da arena”, disse Silver. O próximo encontro entre os donos da NBA está previsto para setembro, e até lá, a expectativa sobre o avanço dessa possível expansão só deve aumentar.
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