Prêmio de MVP da NBA tem Jaylen Brown pegando fogo, Jokic com performances históricas e uma lesão, mais Shai estável como sempre
Com o desenrolar do terceiro mês de NBA, chega também a terceira edição do ranking para o MVP. Ao contrário do que vimos nos dois primeiros meses de temporada, desta vez a tendência foi mais de queda individual ao redor da liga. Isso porque desde o meio de dezembro diversas equipes e jogadores sofreram com lesões e o volume de jogos começa a pesar, jogando contra as médias muito altas alcançadas durantes as primeiras partidas.
Antes de irmos para a lista dos dez jogadores que brigam pelo prêmio de MVP nesta temporada da NBA, precisamos antes entender o que pesa na corrida para o maior troféu individual da liga. Além disso, vale destacar que o que será analisado é desde o começo da temporada até o momento de publicação deste texto, no dia 16 de dezembro. As lesões serão levadas em consideração, mas o número de jogos dentro deste período é o mais importante.
Literalmente, o prêmio deveria prestigiar o jogador mais valioso da temporada, o que mais agrega valor para sua equipe. Porém, basta pensar por alguns segundos para perceber o quão subjetivo é o termo “valioso”. Valor não é algo por natureza, mas sim algo construído por diversos fatores dentro de cada indivíduo ou de um grupo de pessoas. Portanto, é impossível julgar e determinar o jogador mais valioso de toda a NBA sem cometer deslizes e tomar decisões enviesadas – novamente, valor é subjetivo.
Dessa forma, ao longos dos anos os votantes para o prêmio, que são 100 jornalistas esportivos, foram criando uma maneira natural de selecionar o jogador de maior impacto na temporada. Pense bem, não fossem as histórias, jamais saberíamos o que aconteceu em nosso passado e o que realmente marcou e foi importante para a evolução do que somos – enquanto raça humana, sociedade e indivíduos.
Assim, o prêmio de MVP vem também de histórias e, se elas marcam e têm força, revelam geralmente quem deixou a maior marca dentro da temporada – quem teve mais impacto. Ou seja, o MVP da NBA não é um prêmio para o melhor jogador da liga e nem para o mais valioso, mas sim para o jogador que tem o melhor desempenho impulsionado pela melhor narrativa.
Menções honrosas: Alperen Sengun (Houston Rockets), Kawhi Leonard (Los Angeles Clippers), Stephen Curry (Golden State Warriors) e Donovan Mitchell (Cleveland Cavaliers).
Médias na temporada: 29,1 pontos, 9,7 rebotes e 5,7 assistências.
Estatisticamente esta temporada de Giannis não é tão impressionante quanto as sete anteriores, quando ficou no top 5 da corrida pelo prêmio. No entanto, o impacto do grego nos Bucks desta temporada, talvez, seja mais importante do que o impacto que tinha em qualquer de suas equipes nos últimos sete anos. Isso porque a diferença que faz em quadra e a comparação quando está fora é gritante.
Só para termos uma ideia, Antetokounmpo transforma o elenco mediano que a franquia colocou ao seu redor em um dos melhores times da NBA quando está em quadra. Porém, sem Antetokounmpo este mesmo elenco é possivelmente o pior time da liga ou um dos piores. Isso porque o net rating (pontos produzidos menos pontos sofridos a cada 100 posses) dos Bucks com Giannis é de +9,5, que hoje só não seria melhor que o do Oklahoma City Thunder. Por outro lado, o net rating sem o grego em quadra é de -11,1 e neste caso é apenas melhor que o do Washington Wizards.
A campanha negativa de Milwaukee e todos os barulhos de troca de Giannis atrapalham seu caso para MVP, mas ainda assim não podemos ignorar o quanto este cara consegue impactar no jogo de basquete.
Médias na temporada: 24,0 pontos, 11 rebotes e 3,0 assistências e 2,7 tocos.
*números em bold indicam que o jogador lidera a NBA no quesito.
É bem verdade que os números de Wemby estão caindo desde a última vez que este ranking foi publicado. O jogador ainda está com restrição de minutos por conta de suas lesões (panturrilha e joelho) e por vezes saiu até do banco dos Spurs, o que ajuda a explicar essa queda. Porém, os números do pivô francês ainda são ótimos e ele é um dos poucos jogadores da liga que conseguem fazer seu time melhor na defesa e no ataque quando está em quadra.
Se o ataque é um pouco melhor com ele, a defesa é gritantemente melhor. Wembanyama é daqueles jogadores que colocam medo nos adversários até mesmo de pisar no garrafão quando está por lá e mesmo vindo do banco é claro seu poder de impactar nos jogos. Outro ponto a seu favor é que os Spurs possuem a segunda melhor campanha da Conferência Oeste e estão muito à frente do que todo mundo esperava. Assim, naturalmente receberá muitos créditos e merece estar na campanha pelo MVP.
Médias na temporada: 28,9 pontos, 3,3 rebotes e 6,3 assistências.
Jalen Brunson está na temporada mais cestinha de sua carreira e faz isso de maneira bastante eficiente ainda (48,1% de aproveitamento nos arremessos e 38,9% de três pontos). Além disso, é a cara dos Knicks que brigam pela primeira posição da Conferência Leste e para muitos ainda são os principais candidatos da conferência para a NBA Finals. E mesmo com uma mudança no comando técnico e um time mais ativo ofensivamente falando, o ataque de NY ainda é extremamente dependente do armador.
Por diversos jogos, em especial nos últimos meses, Brunson precisa carregar os outros quatro titulares durante todo o primeiro tempo antes de algum dos outros jogadores acordar. Porém, até aqui os Knicks tem um net rating melhor com Brunson fora de quadra do que nos minutos em que ele está em quadra, e isso é 100% culpa de seu lado defensivo. Além disso, a equipe está passando por uma fase instável na temporada e ela acontece muito também por conta da defesa. Por isso, Brunson cai no ranking e está na frente de Wemby e Giannis por estar consideravelmente mais saudável que os dois até aqui e porque está entregando mais no último mês considerando estatísticas individuais e coletivas.
Médias na temporada: 30,9 pontos, 4,5 rebotes e 6,7 assistências.
Outro que também caiu estatisticamente foi Maxey. Porém, o armador segue jogando muito bem e sua “queda” se deve a um fator muito relevante e positivo: Joel Embiid está saudável (dá até medo escrever isso). Com o pivô mais frequentemente em quadra e voltando a receber muita atenção no ataque seria natural os números de Maxey caírem. No entanto, o armador segue tendo performances expressivas e ainda é o cara para essa equipe dos 76ers.
Desde o último ranking, por exemplo, tem média de 30 pontos por partida com impressionantes 50,4% de aproveitamento nos arremessos gerais e 44,3% de aproveitamento nos arremessos de três pontos. Ou seja, Maxey é muito efetivo mesmo com um volume muito alto e mesmo precisando criar seu próprio arremesso em 55,6% das ocasiões. Mais do que isso, ao contrário de Brunson tem o fator novidade e o fator de que conseguiu manter os 76ers muito competitivos mesmo com diversos problemas de lesão no elenco. Assim, a diferença de Phily para NY na classificação é de apenas duas derrotas e, como sempre falamos, a corrida é sobre narrativas e não números objetivos.
Neste momento, a narrativa de Maxey é muito mais positiva do que a de Brunson.
Médias na temporada: 28,9 pontos, 5,0 rebotes e 3,8 assistências.
O super-herói da NBA mora em Minnesota e joga pelos Wolves. “Ant Man” parece cada vez mais a vontade em quadra e como todo bom super-herói parece sempre dar um jeito no final. Edwards, se preferir, é o líder de uma das equipes mais quentes da NBA neste momento e um dos melhores e mais letais pontuadores em toda a liga. Isso porque é um dos poucos com pelo menos 50% de field goal e 40% de três pontos e faz isso com grande volume também.
Desde o último ranking, foi o protagonista de uma vitória contra OKC, foi espetacular no Natal e empatou o jogo com um buzzer beater para forçar a prorrogação, e conseguiu um game-winner para cima de Wembanyama, o melhor defensor da liga. Mais do que isso, sua equipe venceu 10 das 14 partidas e subiu para a quarta posição no Oeste, com apenas 1 derrota a mais que os Spurs. Anthony Edwards é o momento e junto com tudo que faz ofensivamente traz Minnesota consigo.
Médias na temporada: 33,4 pontos, 7,9 rebotes e 8,8 assistências.
*números em bold indicam que o jogador lidera a NBA no quesito.
Talvez a posição mais polêmica deste ranking seja essa, uma vez que olhando os box scores Luka parece o jogador mais dominante da liga. Ele lidera a NBA em pontuação e depois de Nikola Jokic é o jogador mais completo e inteligente. Inclusive, segue como o cestinha da temporada até aqui e é a peça mais constante para os Lakers, que ocupam a quinta posição no Oeste e têm apenas uma derrota a mais do que os Spurs, que estão na segunda colocação.
Tudo que foi escrito acima é verdade e ainda é apenas um resumo do resumo. No entanto, chegando no top 5 todo detalhe importa e não podemos ignorar alguns fatores. Primeiro, Doncic é um jogador pouco eficiente, principalmente em comparação com os outros nomes desta liga. Entre todos os jogadores do top 10 é o que pior arremessa para três (apenas 32,7%, segunda pior marca de sua carreira) e o que tem o pior impacto defensivo. Sim, Doncic evoluiu seu físico e vem evitando as lesões, uma grande notícia. Porém, muito se esperava que sua defesa também fosse melhorar e na verdade não melhorou.
O armador ainda é lento, preguiçoso e, acima de tudo, pouco interessado em ajudar sua equipe na defesa. Tanto que os Lakers, não apenas por culpa dele, possuem a sexta pior defesa de toda a NBA. Além disso, a equipe vem caindo de produção desde a última lista e tem campanha negativa desde então.
Médias na temporada: 26,7 pontos, 6,2 rebotes e 9,7 assistências.
O que este homem vem fazendo no Detroit Pistons é uma loucura. Cade não só se tornou um ótimo e confiável pontuador (mesmo com algumas questões nos arremessos de fora), como também é o segundo da NBA em assistências e tem o controle de toda a sua equipe. Ele está literalmente muito no controle, até aqui tem um on-ball% de 42,7%, o quinto maior em toda a NBA. Esta estatística mede quantos porcento das posses de bola um jogador é responsável por criar o ataque de sua equipe enquanto está em quadra.
Sua dupla com Jalen Duren é praticamente imparável, juntos e separados, e mesmo sem ajuda confiável no perímetro cria espaço o suficiente para seus companheiros conseguirem manter os Pistons com a segunda melhor campanha da NBA. Além disso, defensivamente é competente e permite que Detroit tenha a segunda melhor defesa da liga.
Médias na temporada: 29,5 pontos, 6,4 rebotes e 5,0 assistências.
De toda a lista Brown é o primeiro e único jogador que melhorou em todas as três principais estatísticas do basquete desde o último ranking. Além disso, neste período teve um aproveitamento de quase 41% nas bolas de três, talvez seu ponto fraco ofensivo por grande parte de sua carreira. Outro ponto muito relevante é que Brown tem sido um dos melhores jogadores de defesa nesta temporada. Um jogo que exemplifica perfeitamente porquê merece a terceira posição é a partida contra os Clippers no dia 3 de janeiro.
Nela, Brown terminou com 50 pontos e cinco assistências, além de marcar perfeitamente Kawhi e limitar um dos jogadores mais quentes da NBA a 22 pontos e 35% nos arremessos.
Por fim, o jogador é sem dúvidas o principal componente de uma das melhores histórias da temporada: o dizimado Boston Celtics brigando no top 3 do Leste.
Médias na temporada: 29,6 pontos, 12,2 rebotes e 11,0 assistências.
*números em bold indicam que o jogador lidera a NBA no quesito.
Ele merecia a primeira colocação e estaria lá não fosse sua lesão. Inclusive, existe uma chance considerável de que Jokic nem possa concorrer ao prêmio caso demore para se recuperar da lesão ou tenha contratempos ao longo da temporada. Por enquanto, está na disputa e estará na lista. Além de liderar a NBA em rebotes e assistências, o que nunca aconteceu na história da NBA, Jokic tem sua melhor temporada em pontuação e é extremamente eficiente em tudo que se propõe a fazer do lado ofensivo.
Outro ponto importante é que seu Denver Nuggets está em um bom momento e no Natal, grande momento da temporada regular da NBA, fez ridículos 56 pontos, 16 rebotes e 15 assistências enquanto Shai Gilgeous-Alexander e OKC oscilavam como nunca antes na temporada.
Porém, Jokic já está de fora há oito partidas e isso precisa pesar. Nessas partidas, os Nuggets têm campanha positiva de 5-3 e o desempenho não caiu tanto assim.
Médias na temporada: 31,9 pontos, 4,5 rebotes e 6,4 assistências.
Shai é o atual MVP e com a lesão de Jokic tem de tudo para levar o seu segundo prêmio. O armador do Thunder viveu uma fase conturbada coletivamente, mas isso não resultou em uma queda expressiva de produção individual. Pelo contrário, Shai era o único ponto estável de OKC em quadra enquanto praticamente todos os outros jogadores sofriam para converter um arremesso. O camisa 2 é garantia de 30 pontos e muita intensidade em todas as partidas.
Mais do que isso, está próximo de ser um membro do clube 50/40/90, que reúne jogadores que completam uma temporada inteira com pelo menos 50% nos arremessos de quadra, 40% das bolas de três e 90% nos lances livres. Neste momento, precisa de apenas 0,3% nas bolas de três e 1,4% nos lances livres. Com ele em quadra, OKC vence e vence. São seis vitórias a mais em relação a qualquer outro time da liga e vence seus adversários por uma média de 13,2 pontos, que seria a maior marca da história.