Com quase dois meses de temporada regular completos, chegou a hora do segundo top 10 da corrida para o MVP da NBA
Com o desenrolar do segundo mês de NBA, chega também a segunda edição do ranking para o MVP. A temporada aos poucos vai esquentando e os principais jogadores a se estabelecerem. Além disso, os principais “fogo de palha” do começo da temporada já voltaram ao normal e os principais candidatos vão se consolidando. E com o talento no ponto mais alto da história da liga a briga pelo prêmio de melhor jogador é cada vez mais complexa.
No entanto, antes de irmos para a lista dos dez jogadores que brigam pelo prêmio de MVP nesta temporada da NBA, precisamos antes entender o que pesa na corrida para o maior troféu individual da liga. Além disso, vale destacar que o que será analisado é desde o começo da temporada até o momento de publicação deste texto, no dia 16 de dezembro. As lesões serão levadas em consideração, mas o número de jogos dentro deste período é o mais importante.
Literalmente, o prêmio deveria prestigiar o jogador mais valioso da temporada, o que mais agrega valor para sua equipe. Porém, basta pensar por alguns segundos para perceber o quão subjetivo é o termo “valioso”. Valor não é algo por natureza, mas sim algo construído por diversos fatores dentro de cada indivíduo ou de um grupo de pessoas. Portanto, é impossível julgar e determinar o jogador mais valioso de toda a NBA sem cometer deslizes e tomar decisões enviesadas – novamente, valor é subjetivo.
Dessa forma, ao longos dos anos os votantes para o prêmio, que são 100 jornalistas esportivos, foram criando uma maneira natural de selecionar o jogador de maior impacto na temporada. Pense bem, não fossem as histórias, jamais saberíamos o que aconteceu em nosso passado e o que realmente marcou e foi importante para a evolução do que somos – enquanto raça humana, sociedade e indivíduos.
Assim, o prêmio de MVP vem também de histórias e, se elas marcam e têm força, revelam geralmente quem deixou a maior marca dentro da temporada – quem teve mais impacto. Ou seja, o MVP da NBA não é um prêmio para o melhor jogador da liga e nem para o mais valioso, mas sim para o jogador que tem o melhor desempenho impulsionado pela melhor narrativa.
Menções honrosas:
Médias na temporada: 25,8 pontos, 12,6 rebotes e 3,8 assistências e 3,5 tocos.
*números em bold indicam que o jogador lidera a NBA no quesito.
**no caso de Wemby os números não valeriam hoje por não alcançar a porcentagem mínima de jogos neste momento
Quando está em quadra, é muito claro o impacto do pivô na partida – é impacto de MVP. Sua presença muda a pegada defensiva dos Spurs e traz confiança para o ataque quando precisa pontuar. Foi assim na vitória contra o Oklahoma City Thunder pela semifinal da Copa NBA, quando OKC chegou a abrir mais de dez pontos de vantagem antes mesmo de Wemby pisar em quadra, que viraram apenas três de diferença no intervalo depois de jogar o segundo quarto inteiro.
No entanto, desde o último ranking de MVP esta foi a única partida do jogador francês. Além disso, vale lembrar que perdeu 12 jogos por lesão e os Spurs tiveram campanha de nove vitórias e três derrotas sem Wembanyama, o que joga contra neste momento para o ranking. Porém, naturalmente seu impacto em quadra fará a diferença e voltará a subir no ranking.
Médias na temporada: 31,5 pontos, 4,7 rebotes e 7,2 assistências.
Desde o último ranking, as médias do armador caíram um pouco, muito em função também dos retornos de Paul George e Joel Embiid para às quadras. No entanto, ainda assim foram três jogos com ao menos 35 pontos e quatro vitórias nas seis ocasiões em que esteve em quadra. Maxey é o principal jogador da franquia de Philadelphia e deve ser tratado como. Quando está em quadra o net rating dos 76ers é positivo em 2,3. Porém, quando está fora de quadra a equipe tem saldo negativo de -5,3, independente de quem está em quadra.
Assim, fica clara a importância de Maxey para a equipe. No entanto, para o armador realmente competir pelo MVP ainda falta Philadelphia ser mais competitivo e brigar ao menos pelo top 4 do enfraquecido Leste. Apenas assim, com o time sendo muito competitivo e Maxey aparecendo em grandes partidas é que sua narrativa vai realmente ganhar peso para brigar mais acima, porque as performances já acontecem.
Médias na temporada: 28,7 pontos, 4,9 rebotes e 3,8 assistências.
Na primeira edição deste ranking na briga pelo MVP da temporada, Edwards não apareceu pois perdeu alguns jogos no início da temporada e principalmente porque os Wolves ainda pareciam longe de serem um bom time. Naquele momento Minnesota ainda sofria muito defensivamente e o jogo ofensivo não fluia, com Edwards sendo o grande nome do ataque e precisando ser o organizador. Assim, se o ataque não flui naturalmente o dedo vai apontar para o craque do time, mesmo que injustamente, por não estar conseguindo ser o playmakers que os Wolves precisam.
Porém, desde então a equipe cresceu de produção e o ala-armador vem sendo um dos jogadores mais imparáveis da NBA. Se sua função como passador e tomador principal de decisões ainda não é das melhores (são 3,8 assistências para 3,0 turnovers por jogo), pontuando Edwards é um dos melhores da liga. O ala-armador tem a melhor temporada de sua carreira em termos de pontuação, com a maior média de pontos e com o melhor aproveitamento nos arremessos.
Assim, lidera um ataque que melhorou muito e um time que venceu sete das últimas dez partidas. O caso de “Ant” para o MVP é se os Wolves consigam manter a boa fase e entrar na disputa pelo seed dois do Oeste, além do ala continuar sendo a força dominante que é no ataque.
Médias na temporada: 29,3 pontos, 6,2 rebotes e 4,9 assistências.
Outro que não estava presente na primeira lista de briga pelo MVP, mas que justifica estar no top 10 agora. Jaylen Brown já foi MVP do Leste e das Finais da NBA durante os playoffs de 2024, mas este é o melhor momento de sua carreira individualmente falando. Sem Jayson Tatum, Brown se tornou o líder ofensivo dos Celtics e está jogando melhor do que nunca.
E se engana quem pensa que é apenas uma questão de volume, não. O ala-armador dos Celtics tem 50% de aproveitamento nos arremessos, seu melhor aproveitamento da carreira, e é possivelmente o melhor jogador da NBA operando na meia distância. Neste momento, tem 57,4% nos arremessos de média distância e domina a região, que toda partida é onde começa a operar e ganhar confiança. Os 57,4% é maior do que qualquer temporada de Shai Gilgeous-Alexander, Chris Paul, Kawhi Leonard, Kobe Bryant e DeMar DeRozan no quesito meia distância.
Além disso, mesmo com um elenco fragilizado lidera o ataque dos Celtics para ser o quarto melhor da NBA.
Médias na temporada: 23,5 pontos, 9,4 rebotes e 7,1 assistências.
O pivô turco segue produzindo como um MVP e é o principal jogador de um time que tem Kevin Durant e que briga para ser um dos melhores da NBA. No atual estilo de jogo da liga, Sengun chama atenção por ir quase que na contramão, apostando em um jogo perto de costas para a cesta, sem muita velocidade ou força física aparente. Inclusive, é justamente isso que fortalece sua imagem e briga pelo prêmio, pois compensa essas questões com muita leitura de jogo e feeling de basquete, com um toque excepcional.
O jogo parece fácil para Sengun, que não força jogadas e cria o ataque de meia quadra dos Rockets, o terceiro melhor de toda a NBA. Talvez, o que falte para um salto maior é uma sequência quente como pontuador ou sendo decisivo em grandes confrontos com os Rockets saindo como vencedores.
Médias na temporada: 28,8 pontos, 3,1 rebotes e 6,4 assistências.
O armador dos Knicks é um dos jogadores mais consistentes de toda a liga, sempre na excelência. Inclusive, Brunson está em sua temporada mais cestinha da carreira e mais uma vez é mais do que o melhor jogador da equipe, é a alma e o MVP da franquia. Isso porque não foge das adversidades e aparece quando os Knicks mais precisam, sendo o “Batman” todas as noites.
Mesmo com um time mais coletivo com o novo sistema, Brunson é igualmente relevante para NY. Quando em quadra, o rating ofensivo da equipe é de incríveis 127,9 pontos a cada 100 posses, que seria um recorde histórico para a NBA. Já quando está fora o número cai para 115,6 e o ataque vira mediano, mesmo com Karl-Anthony Towns e todos os outros jogadores de qualidade. Assim, lidera Nova York para o segundo melhor ataque da liga e a segunda melhor campanha do Leste, com nove vitórias nos últimos dez jogos.
Médias na temporada: 27,1 pontos, 6,0 rebotes e 9,2 assistências.
Smooth Operator, termo frequentemente utilizado para descrever o jogo de Cade e que é difícil de encontrar uma tradução fiel a todos os sentidos que o termo traz. Um bailarino em quadra, um cara que joga de terno, um jogador cheio de jogo de cintura e muito posturado. Todas essas tentativas de definir o armador dos Pistons são falhas, mas ajudam a entender como Cade se tornou um dos queridinhos da NBA e um sério candidato ao prêmio de MVP.
Assim como Brunson, é consistente e todas as noites chama a responsabilidade do lado ofensivo. Porém, além de pontuar como poucos é também um grande passador, sendo o segundo da liga em assistências. Cade é, certamente, um dos jogadores mais completos de sua posição, além de ser um dos que mais fica com a bola nas mãos. Porém, faz isso pois é crucial para o funcionamento dos Pistons, que são melhores na defesa e no ataque quando o armador está em quadra (ao contrário do que acontece com muitos outros desta lista, que pioram a defesa).
Os Pistons de Cade possuem a melhor campanha do Leste e o jogador já apareceu diversas vezes nos momentos mais cruciais de algumas partidas até aqui. Dentro do mundo dos humanos e americanos, é o top 1 na corrida pelo MVP.
Médias na temporada: 34,7 pontos, 8,7 rebotes e 8,8 assistências.
*números em bold indicam que o jogador lidera a NBA no quesito.
Na mesma posição em relação ao último ranking, Luka se mantém como a principal ameaça a entrar no meio da dupla abaixo e criar um trio. Em fator de narrativa, o fato de estar liderando a NBA em pontuação e liderando uma franquia do tamanho dos Lakers e que tem tanta mídia quanto os Lakers pesam muito a favor. A produção e o volume de Luka assustam, ele lidera também em arremessos tentados por partida, em arremessos do perímetro e lances livres.
No entanto, não é uma produção vazia ou inflacionada como já foi criticado em outras oportunidades. O armador é a principal arma ofensiva da terceira melhor campanha da Conferência Oeste. Na parte ofensiva do jogo não existem falhas para Doncic, que é uma das forças gravitacionais mais potentes do esporte, melhorando todos ao seu redor.
Médias na temporada: 29,8 pontos, 12,4 rebotes e 10,8 assistências.
*números em bold indicam que o jogador lidera a NBA no quesito.
A grande realidade é que o debate para quem lidera a corrida para MVP neste momento é muito 50/50. Existem argumentos muito sólidos para os dois lados, mas nesta edição Jokic ficou com a segunda posição. O pivô lidera a liga em rebotes e em assistências além de estar no top 5 em pontuação, em sua temporada mais cestinha da carreira. Ele lidera a liga em pontos no post up e pontos no garrafão
Com ele em quadra, os Nuggets tem um rating ofensivo de 130,0, uma marca nunca antes vista na história da NBA. Isso porque é impossível achar qualquer defeito no jogo do sérvio, que está arremessando para 61,3% nos arremessos gerais e 43,3% nos arremessos de três, fora a visão de quadra surreal que é a melhor da liga. Ou seja, ofensivamente Jokic é o jogador perfeito que melhora todos ao seu redor e consegue ser muito eficiente para pontuar.
Porém, talvez, ainda falte um brilho a mais para sua narrativa, um brilho que vá além dos números – que é onde Shai, talvez, tenha a liderança agora.
Médias na temporada: 32,4 pontos, 4,6 rebotes e 6,4 assistências.
A principal narrativa do atual MVP é simples: um monstro dentro de quadra que lidera um time que tem de tudo para bater 70 vitórias. OKC, até aqui, perdeu apenas duas vezes em 26 jogos e nas duas ocasiões a impressão foi que a equipe poderia ter vencido já que abriu pelo menos 16 de vantagem nas partidas. Em comparação com a última temporada, diminuiu seus arremessos por jogo e sua minutagem, ao passo que melhor no aproveitamento de tudo. Nos arremessos gerais tem 56%, marca assustadora para um armador, e nas bolas de três tem 43,7%, a melhor marca de sua carreira.
Em toda a NBA, é o jogador que mais faz cestas sem precisar de assistência: em 81,5% das vezes Shai cria seu próprio arremesso e são quase cinco pontos percentuais acima do segundo colocado. Em jogadas de um contra um, é o terceiro que mais tenta e o primeiro em pontos por jogada. Em cortes para a cesta com a bola, também é o terceiro da NBA com mais tentativas e tem o gritante aproveitamento de 59% nos arremessos a partir dessas jogadas.
Além disso, para se ter ideia de sua monstruosidade, nesta temporada está chutando 60% em todos os arremessos de dois pontos. Essa marca é melhor do que a de Joel Embiid, quando o pivô foi MVP da liga em 2022-23. Assim, quando está em quadra o net rating de OKC é de +20,6, número histórico.
Para fechar, é mais comuns os Nuggets perderem uma partida do que Shai ficar abaixo dos 30 pontos em um jogo.