A formação americana ainda é a melhor para jogadores de basquete? Esse debate, antigo mas sempre atual, volta frequentemente à tona, especialmente à luz das performances impressionantes dos jogadores internacionais — sobretudo europeus — na NBA nos últimos anos. Por exemplo, nenhum jogador americano foi eleito MVP da temporada regular desde James Harden em 2017–2018. Questionado sobre o assunto, Kevin Durant não mediu palavras:
‘Esse debate é inútil para mim’
Antigamente, os Estados Unidos pareciam dominar amplamente o mundo do basquete, olhando os demais de cima. Hoje, o cenário mudou: cada vez mais jogadores estrangeiros se destacam na NBA. Diante disso, fãs e analistas discutem as diferenças entre os métodos de treinamento americanos e internacionais. Para Kevin Durant, essa oposição não faz sentido. O bicampeão da NBA e ex-MVP expressou sua opinião no X (antigo Twitter):
“As pessoas falam como se conhecessem todos os técnicos. Nem todos os treinadores europeus são excepcionais, e nem todos os técnicos americanos de base são ruins. Simples assim. Esse debate é inútil. O que vocês estão tentando provar?”
A estrela do Phoenix Suns também afirmou que muitos dos jogadores internacionais bem-sucedidos foram influenciados — direta ou indiretamente — pela cultura do basquete dos EUA:
“A maioria desses estrangeiros que se destacam foi fortemente influenciada pela cultura americana do basquete. Alguns jogaram no ensino médio aqui, outros até passaram pela universidade.”
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Europa: um mundo à parte
Nesse debate, é essencial distinguir os jogadores europeus dos demais internacionais (canadenses, africanos, australianos, etc.). Estrelas como Giannis Antetokounmpo, Nikola Jokic, Luka Doncic e Victor Wembanyama hoje, e Tony Parker, os irmãos Gasol e Dirk Nowitzki no passado, foram formados na Europa, sem passarem pela NCAA. O mesmo vale para o argentino Manu Ginóbili, que jogou na Itália antes de chegar à NBA.
Dois mundos contrastam: os EUA e a Europa. Isso se reflete na formação de jovens, no clima nas arquibancadas e na cultura ao redor do esporte. Há quem diga que técnicos europeus são mais exigentes, expressivos, até explosivos, mas também mais honestos e eficazes no desenvolvimento do potencial de seus atletas.
Por outro lado, outros nomes internacionais como Shai Gilgeous-Alexander e Steve Nash (Canadá), Dikembe Mutombo e Jonathan Kuminga (RDC), ou Matthew Dellavedova (Austrália), passaram pelo sistema universitário americano — com exceção de Kuminga, que jogou na G-League com o Team Ignite. Ainda assim, para Durant, essas distinções não têm tanta importância:
“Essa discussão é uma besteira. O basquete é uma linguagem universal. Alguns só têm um sotaque diferente. Mesmo de um estado para outro nos EUA, o jogo é ensinado de maneiras diferentes. Quem pode dizer que existe uma forma perfeita de ensinar esse esporte? Isso tudo é ridículo.”
Um ponto de vista que divide
Apesar das declarações de Durant, a realidade é marcante: ainda estamos longe de ver sinalizadores nas arquibancadas da NBA como na Sérvia, ou técnicos tão passionais e demonstrativos como os da EuroLiga. Mesmo assim, a NBA está se internacionalizando rapidamente e cada vez mais treinadores estrangeiros estão sendo contratados pelas franquias. Nesta temporada, por exemplo, Vincent Collet, ex-treinador da seleção francesa, foi contratado pelo Cleveland Cavaliers como consultor.
Até a Team USA, antes intocável, vem sofrendo derrotas em competições internacionais, prova de que a supremacia americana já não é garantida.
No fim das contas, as palavras de Kevin Durant podem expressar uma forma de arrogância “bem americana”, como se ele se recusasse a ver algumas evidências. De qualquer forma, o debate sobre métodos de formação permanece mais atual do que nunca.
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