O jornalista Pablo Torre realizou uma grave denúncia nesta quarta-feira (3) envolvendo o ala Kawhi Leonard e o Los Angeles Clippers. Torre contou, em um episódio de seu podcast ‘Pablo Finds Out’, que o jogador teria recebido US$ 28 milhões em um acordo de patrocínio com a empresa Aspiration. No entanto, ele nunca realizou nenhuma ação pública para promover a companhia, que pertence a Steve Ballmer, acionista majoritário dos Clippers.
O jornalista conduziu entrevistas com ex-funcionários da empresa, que atuava no ramo de plantação de árvores e declarou falência recentemente. E, segundo os profissionais, a prática não passou de uma forma de “driblar” o teto salarial estabelecido pela NBA, fazendo com que o atleta recebesse valores maiores que os firmados em contrato.
Exclusive: Kawhi Leonard signed a $28M endorsement deal for a "no-show job" with a fraudulent tree-planting company funded by $50M from Clippers owner Steve Ballmer, according to documents obtained by @PabloTorre.
— Pablo Torre Finds Out (@pablofindsout) September 3, 2025
"It was to circumvent the salary cap," an inside source says. pic.twitter.com/F6z5pNEkI1
Nos documentos obtidos por Torre, constava na lista de credores da empresa a KL2 Aspire, companhia que está no nome de Leonard. Mas, o contrato assinado pelo ala e pela Aspiration contava com uma cláusula que removia a obrigatoriedade de participação em eventos ou campanhas que “não estivessem alinhados com suas crenças pessoais”.
Além disso, ele continuaria sendo pago durante todo o período em que estivesse sob contrato nos Clippers. Torre acrescentou que Ballmer pode ser alvo de investigações também por parte do governo federal dos Estados Unidos, por possível fraude.
This story is WILD. There is a clause that says Kawhi Leonard only gets paid as long as he is still with the Clippers. Great work @pablofindsout. https://t.co/mUcRvn0YaI pic.twitter.com/k0dos0FpIP
— Kevin O'Connor (@KevinOConnor) September 3, 2025
Prática é vetada pela liga e associação de jogadores
A prática de pagamentos fora dos valores estabelecidos em contrato aos atletas por parte das franquias é expressamente proibida pela NBA. E a proibição está descrita formalmente no acordo de barganha coletivo assinado em conjunto pela liga e pela associação de jogadores.
Até então, a NBA não se pronunciou sobre o caso. Porém, diante da gravidade da denúncia, deve organizar uma investigação sobre o acordo para definir se o acordo em questão violou ou não as regras do acordo coletivo. Kawhi Leonard, a princípio, optou por não se pronunciar sobre o caso.
Timberwolves sofreram punição por caso parecido
Ainda no ano de 1999, o Minnesota Timberwolves sofreu uma punição severa por um caso semelhante ao denunciado por Pablo Torre. Na ocasião, a franquia convenceu o ala Joe Smith a assinar um contrato com um salário menor que o sugerido por seu valor de mercado, com a promessa de que ele ganharia um aumento generoso em um próximo acordo.
A liga descobriu e, logo em seguida, retirou três escolhas de primeira rodada de Draft da equipe. A pena prejudicou amplamente as ambições dos Wolves que, então liderados por Kevin Garnett, tentavam montar um elenco capaz de competir em alto nível na Conferência Oeste.
Caso a NBA confirme a veracidade da denúncia e entenda que a prática seja ilegal, os Clippers podem sofrer punição parecida. Vale lembrar que, por conta de acordos recentes, Los Angeles só volta a controlar suas escolhas de primeira rodada em 2030.
Kawhi assinou com a equipe durante a offseason de 2019, ainda como um agente livre, em um contrato de três anos e US$ 103,3 milhões. Desde então, já acertou duas extensões máximas. A primeira em 2021, por quatro anos e US$ 176,2 milhões, e a segunda no passado, por três anos e US$ 149,5 milhões.
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