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Chris Paul: Adam Silver fala sobre retorno e mais sobre ‘treta’ com os Clippers

Gustavo Assef

Confira os bastidores do corte de Chris Paul e os comentários do comissário da NBA sobre a polêmica decisão dos Clippers

A temporada 2025-26 tinha tudo para ser a temporada dos sonhos de Chris Paul. Depois de oito temporadas o armador retornou para o Los Angeles Clippers para encerrar sua carreira com uma chance de título pela franquia que mais marcou sua carreira. No entanto, pouco mais de um mês depois do início da campanha e quatro meses do anúncio do retorno, Chris Paul foi afastado do elenco e não faz mais parte dos Clippers.

A chocante notícia correu o mundo da NBA e dos esportes, pegando a todos de surpresa pelo timing e pelo contexto. Inclusive, nesta terça-feira (16) o comissário Adam Silver comentou sobre a decisão dos Clippers e sobre o futuro do armador. Silver disse, antes da decisão da Copa NBA, que “adoraria vê-lo terminar a temporada em outra equipe”, mas se negou a comentar se a franquia de LA poderia ter lidado melhor com Chris Paul, possivelmente e provavelmente o maior ídolo de sua história.

Porém, para CP3 jogar por outra franquia nesta temporada precisa ser oficialmente cortado ou trocado pelos Clippers, o que ainda não aconteceu. Inclusive, a partir desta segunda-feira (15) o novo contrato dor armador permite que ele seja trocado e começou, oficialmente, a janela por uma movimentação. No entanto, ainda não existem informações sobre times disponíveis para trocar por Chris Paul ou para assinar em caso de buyout.

Os ‘motivos’ para os Clippers afastarem Chris Paul

Chris Paul

Na madrugada do dia 3 de dezembro o próprio armador anunciou a decisão da franquia, enquanto já estava no voo retornando para Los Angeles – os Clippers estavam em Atlanta se preparando para enfrentar os Hawks. Segundo Shams Charania, Paul e o técnico Tyronn Lue não se falavam há “semanas” e o clima dentro do vestiário era, dessa forma, longe do ideal. Ainda segundo Shams, o estilo de liderança do armador teria entrado em conflito com o de Lue e os Clippers tiveram “múltiplas conversas” para tentar resolver o imbróglio, sem sucesso.

“Simplesmente, não era a combinação certa. Tivemos conversas com Chris durante todo o processo, até antes de começarmos — chame de processo de integração — e ao longo dele. Então, não é como se fosse uma decisão tomada em uma conversa isolada. Não, isso tudo foi algo contínuo”, disse Lawrence Frank, presidente de operações de basquete da franquia.

Assim, Frank também explicou que teve uma conversa de três horas com Chris Paul, que por vezes foi “emotiva”. Isso porque o executivo disse que “Há muita história entre o Chris — não só com a franquia, mas comigo também… Então, quando é alguém de quem você gosta, alguém que significa muito para a organização — não vai ser uma reunião de cinco minutos estilo Moneyball. Tem muita coisa envolvida, muitas coisas para discutir e explicar, e há muita emoção”.

Já Tyronn Lue comentou que “apenas não funcionou como achamos que iria” e que “não foi um bom encaixe”.

Tem mais coisa nessa história…

Segundo Ramona Shelburne, jornalista da ESPN americana, “O que aconteceu em vez disso (uma temporada dos sonhos) foi uma combinação tóxica de erros de cálculo, falhas de comunicação e um desempenho chocantemente abaixo do esperado”. Isso porque, de acordo com a jornalista, CP3 teve não apenas desentendimentos com Ty Lue, mas principalmente com o assistente Jeff Van Gundy. Além disso, houveram diversas conversas da direção da franquia com o jogador para que ele fosse mais positivo.

Segundo fontes, quando ele dava sugestões a um jogador sobre métodos de treinamento, era advertido para não minar a comissão técnica. Quando cobrava jogadores dentro ou fora de quadra ou dizia a eles como executar uma jogada, surgiam reclamações de jogadores e treinadores de que ele era ríspido, reportou Shelbourne.

Voltando para a offseason, Paul teria concordado em assumir uma posição de armador reserva e que entraria pouco em quadra. No entanto, suas expectativas mudaram depois que ganhou minutos relevantes na pré-temporada e foi bem. Assim, quando os Clippers tomaram uma surra na estreia da temporada, contra o Utah Jazz, Chris Paul quis reunir o time no vestiário e discutir a derrota, mas ninguém engajou na ideia. Depois, deu uma festa de halloween em sua casa e poucos membros da franquia compareceram.

Após isso, a equipe perdeu cinco partidas consecutivas, sendo duas contra o Phoenix Suns e uma contra o Oklahoma City Thunder, quando Chris Paul teria questionado a comissão porquê não foi consultado para montar o plano de jogo, já que conhecia suas ex-equipes. Depois do Lawrence Frank falou com o jogador e disse que “o estilo de Paul não estava alinhado com o que eles precisavam — que sua liderança estava sendo percebida como subversiva, e não como algo útil”.

Durante a primeira partida contra os Suns, Lue não colocou Chris Paul em quadra durante todo o segundo tempo e os Clippers, que venciam por três pontos no intervalo, terminaram perdendo por 13. Dessa forma, o armador teve uma conversa com o técnico que não resultou em nenhum esclarecimento e Paul não entrou em quadra para a segunda partida contra Phoenix, além de discutir com Van Gundy durante o jogo. Os dois conversaram depois e Lawrence Frank mais uma vez avisou o veterano sobre ser “negativo” para o vestiário.

A relação chegou ao limite quando, em uma partida contra o Dallas Mavericks, o armador disse para Kawhi Leonard mudar sua cobertura defensiva sem antes falar com Van Gundy. Isso teria resultado em um bate boca entre o técnico e o jogador no voo após mais uma derrota e seria a gota d’água para a comissão técnica.

No dia seguinte Chris Paul foi comunicado sobre a decisão da franquia em afastá-lo.

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Jornalista em formação, apaixonado por música e por esportes, principalmente os americanos. Torcedor do Boston Celtics, do Boston Red Sox e fanático pelo Pittsburgh Steelers. No futebol, sofre pelo São Paulo.

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