Neste domingo (1), no Estádio Ciudad de Vicente López, na Grande Buenos Aires, o Platense venceu o Huracán por 1 a 0, com um golaço de Mainero, e conquistou o Torneio Apertura do Campeonato Argentino, seu primeiro título nacional em 120 anos de história. A façanha do time marrom e branco foi construída de forma improvável, sob o comando inédito de dois técnicos simultâneos, Favio Orsi e Sergio Gómez. Ademais, foi uma campanha de tirar o fôlego, a passar por Racing, River Plate e San Lorenzo, três dos maiores clubes do país, no mata-mata.
Desde a fundação em 1905, o Club Atlético Platense nunca havia levantado uma taça da elite argentina. Em 1916, ainda na era amadora, chegou perto, mas parou no vice-campeonato. Desde então, o clube conhecido como “Calamar” viveu décadas longe do protagonismo, até agora.
O Torneio Apertura de 2025 resgatou o formato com fase de grupos e mata-mata. O Platense avançou em 6º lugar no Grupo B, que contava com clubes pesados como Independiente, San Lorenzo, River Plate e Rosario Central. Porém, contra todas as previsões, o time cresceu na hora certa.
Nas oitavas de final, venceu o Racing, campeão da Copa Sul-Americana e da Recopa sobre Cruzeiro e Botafogo, com um gol salvador de Orsini aos 39 do segundo tempo. Nas quartas, enfrentou o River Plate no Monumental de Núñez. Taborda, curiosamente emprestado pelo rival Boca Juniors, abriu o placar. O River, no entanto, empatou com um pênalti polêmico de Mastantuono, marcado pelo árbitro Yael Falcón Pérez após falta discutível em Borja.
Mesmo sob pressão, o Platense manteve os nervos no lugar. Na disputa de pênaltis, brilhou a estrela do goleiro Macagno, e dois erros do River garantiram a vaga na semifinal. A imagem do capitão Ignacio Vázquez, recusando-se a olhar para o árbitro na escolha dos batedores, viralizou como símbolo de indignação e foco.
Contra o San Lorenzo, mais uma batalha. O gol da vitória veio dos pés de Zapiola, o homem das decisões. Já na finalíssima contra o Huracán, o jogo foi equilibrado, mas o talento decidiu: Mainero pegou de primeira com a canhota após uma sobra na área e marcou um golaço, selando o título inédito.
Desde fevereiro de 2024, o comando técnico do Platense é dividido entre Favio Orsi e Sergio Gómez. A parceria, rara no futebol profissional, começou em 2011, ainda como auxiliares no modesto Fénix. De lá, subiram juntos: Ferro Carril Oeste, Godoy Cruz, Atlético Tucumán, até aterrissarem no Platense.
Na beira do gramado, os dois se complementam. Gómez fala nas coletivas, mas ambos dividem as decisões táticas e o comando do grupo. “O respeito é enorme. Somos diferentes, nos completamos”, disse Orsi. “Nunca deixamos o ego atrapalhar. Essa jornada vale cada passo”, completou Gómez.
Poucos acreditavam que o Platense pudesse sonhar alto nesta temporada. Mas o clube que nasceu de uma aposta em um cavalo de corrida, que inspirou seu nome e suas cores, galopou firme contra os gigantes e conquistou seu lugar no topo. Mais do que um título, a conquista representa uma virada de página histórica.
Agora, o torcedor pode gritar sem medo: “o Platense é campeão argentino!”
soccer Jornalista em formação diretamente de Niterói-RJ. Busca juntar o que mais ama: comunicação e esporte. É grande torcedora do Fluminense e da McLaren, além de apaixonada por futebol nacional desde pequena. Encantou-se com diversas categorias do automobilismo e, hoje, não sabe viver sem os roncos dos carros. Uma grande entusiasta do multilinguismo e viajante pelo mundo.
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