A Justiça do Rio de Janeiro decidiu, nesta terça-feira (21), absolver os réus envolvidos no caso do incêndio no Ninho do Urubu, ocorrido em fevereiro de 2019, que resultou na morte de dez jovens jogadores das categorias de base do Flamengo. Três adolescentes também ficaram feridos. A informação foi publicada inicialmente pelo jornalista Venê Casagrande.
A sentença foi proferida pelo juiz Tiago Fernandes de Barros, da 36ª Vara Criminal da Capital, que considerou que não houve demonstração de culpa penalmente relevante nem foi possível estabelecer uma ligação direta entre a conduta dos acusados e a causa do incêndio.
Réus ligados ao Flamengo são inocentados após seis anos de processo
Ao todo, 11 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público por incêndio culposo qualificado com resultado de morte e lesão corporal grave. Destas, sete foram absolvidas nesta decisão e outras quatro já haviam sido inocentadas anteriormente no decorrer do processo.
Entre os nomes absolvidos estão:
- Márcio Garotti, ex-diretor financeiro do Flamengo
- Marcelo Maia de Sá, ex-diretor adjunto de patrimônio
- Danilo Duarte, Fabio Hilário da Silva e Weslley Gimenes, engenheiros responsáveis pelos contêineres usados como alojamento
- Claudia Pereira Rodrigues, responsável por assinar contratos com a empresa NHJ
- Edson Colman, sócio da empresa de refrigeração que cuidava dos aparelhos de ar-condicionado
Além disso, em setembro de 2024, o juiz já havia retirado o nome do ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello da lista de réus, atendendo a um pedido do MP-RJ.
O incêndio no Ninho do Urubu
A tragédia aconteceu na madrugada de 8 de fevereiro de 2019, quando um incêndio atingiu os alojamentos provisórios — contêineres adaptados — utilizados por jovens atletas no Centro de Treinamento do Flamengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
De acordo com a investigação, o fogo teria começado devido a um curto-circuito em um ar-condicionado, que funcionava sem interrupção. O local não possuía alvará de funcionamento, segundo informou a prefeitura do Rio na época.
Vítimas da tragédia
As vítimas fatais tinham entre 14 e 16 anos e faziam parte das divisões de base do clube. São elas:
- Vitor Isaías, 15 anos
- Athila Paixão, 14 anos
- Arthur Vinícius de Barros Silva Freitas, 14 anos
- Bernardo Pisetta, 14 anos
- Christian Esmério, 15 anos
- Gedson Santos, 14 anos
- Jorge Eduardo Santos, 15 anos
- Pablo Henrique da Silva Matos, 14 anos
- Rykelmo de Souza Vianna, 16 anos
- Samuel Thomas Rosa, 15 anos
Processo contou com três audiências
A tramitação do caso incluiu três audiências principais, realizadas em agosto de 2023, abril de 2024 e outubro de 2024. A sentença definitiva foi publicada agora, em outubro de 2025.
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