A Polícia Federal indiciou o atacante Bruno Henrique, do Flamengo, por estelionato e fraude em competição esportiva. O jogador é investigado por, supostamente, ter forçado um cartão amarelo na partida contra o Santos, válida pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2023, para beneficiar apostadores.
A informação foi revelada inicialmente pelo site Metrópoles. O alerta surgiu após casas de apostas identificarem movimentações incomuns na partida disputada em 1º de novembro de 2023, em Brasília. Em algumas plataformas, até 98% das apostas envolvendo cartões foram direcionadas especificamente para Bruno Henrique.
Na ocasião, o atacante recebeu cartão amarelo nos acréscimos do segundo tempo, após uma falta em Yeferson Soteldo. Em seguida, reclamou com o árbitro Rafael Klein e acabou expulso da partida, quando o Flamengo já perdia por 2 a 1.
Durante a operação da PF, realizada em novembro do ano passado, celulares e computadores do jogador foram apreendidos. As mensagens encontradas no telefone de seu irmão, Wander Nunes Pinto Júnior, também indiciado, reforçaram as suspeitas de envolvimento do atacante no esquema.
Em um diálogo de 29 de agosto, Wander pergunta se Bruno Henrique estava pendurado com dois cartões e, em tom de brincadeira, fala sobre o momento de “tomar o terceiro”. O jogador responde: “Contra o Santos”, sinalizando uma possível prévia combinação do lance.
Além de Bruno Henrique e seu irmão, outras nove pessoas foram indiciadas, entre elas a cunhada Ludymilla Araújo Lima e a prima Poliana Ester Nunes Cardoso. De acordo com a PF, o grupo se dividia em dois núcleos: um familiar e outro composto por amigos de Wander que teriam realizado apostas com base em informações privilegiadas.
Todos, com exceção de Bruno Henrique e Wander, foram indiciados por estelionato. O atacante e seu irmão respondem também por fraude em competição esportiva, conforme o artigo 200 da Lei Geral do Esporte, que prevê pena de dois a seis anos de prisão.
Em nota, o Flamengo informou que ainda não foi comunicado oficialmente pelas autoridades, mas reiterou seu compromisso com o fair play e o devido processo legal. O clube reforçou a importância da presunção de inocência e do direito à ampla defesa. Confira na íntegra:
“O Flamengo não foi comunicado oficialmente por qualquer autoridade pública acerca dos fatos que vêm sendo noticiados pela sobre o atleta Bruno Henrique. O Clube tem compromisso com o cumprimento das regras de fair play desportivo, mas defende, por igual, a aplicação do princípio constitucional da presunção de inocência e o devido processo legal, com ênfase no contraditório e na ampla defesa, valores que sustentam o estado democrático de direito“, disse.
Bruno Henrique, por sua vez, afirmou confiar na Justiça: “Minha vida nunca foi fácil, mas Deus sempre esteve comigo. Estou tranquilo, junto com meus advogados e pessoas que estão nessa batalha comigo. Peço que a justiça seja feita”, declarou após o título da Copa do Brasil, no fim de 2024.
O inquérito da Polícia Federal foi encaminhado ao Ministério Público do Distrito Federal, que decidirá se oferece denúncia formal contra o jogador e os demais investigados. Em 2023, o STJD chegou a analisar o caso, mas entendeu que não havia indícios suficientes de proveito econômico direto do atleta.
Com os novos elementos reunidos pela PF, o caso pode ter novos desdobramentos na esfera criminal.
soccer Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte, com sólida atuação na cobertura esportiva mineira. Apaixonado por comunicação e pelo universo do esporte, possui experiência como comentarista, setorista, social media e redator, atuando tanto no futebol profissional quanto em clubes amadores. Entusiasta dedicado de tudo que envolve o jogo dentro das quatro linhas.
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