Augusto Melo não é mais presidente do Corinthians. Em Assembleia Geral extraordinária ocorrida neste sábado (10), no Parque São Jorge, associados do clube aprovaram o impeachment do dirigente em definitivo.
Ao todo, Augusto teve 1413 votos pedindo a sua saída contra 620 a favor da sua permanência. Vale destacar que ele já estava afastado da presidência do clube desde 26 de maio, após decisão do Conselho Deliberativo.
O vice-presidente eleito, Osmar Stábile, assumirá interinamente a presidência do clube até que sejam convocadas novas eleições. Cabe a Romeu Tuma Jr., presidente do Conselho Deliberativo, marcar o pleito, que ocorrerá de forma indireta, por meio do próprio Conselho.
A crise institucional começou após denúncias de irregularidades no contrato de patrocínio máster com a casa de apostas VaideBet. Anunciado em janeiro de 2024 por R$ 370 milhões — R$ 120 milhões por ano, além de R$ 10 milhões em luvas — o acordo foi celebrado sob a promessa de transparência. Na ocasião, o presidente Augusto Melo garantiu que não havia intermediários na negociação.
No entanto, logo surgiram indícios de que a empresa Rede Social Media Design, ligada a Alex Cassundé, marqueteiro da campanha de Melo, teria atuado como intermediária. A empresa recebeu R$ 1,4 milhão em duas parcelas de R$ 700 mil. O pagamento ocorreu sem o aval do então diretor financeiro, Rozallah Santoro, o que desencadeou disputas internas no clube.
A situação se agravou quando a Polícia Civil identificou o repasse de parte do valor à empresa Neoway Soluções Integradas, considerada de fachada. A sócia formal da Neoway, Edna Oliveira dos Santos, moradora de Peruíbe, não tem qualquer ligação com o caso. Segundo a investigação, seus dados foram usados indevidamente.
As investigações identificaram que a VaideBet pagou valores a uma intermediária. Esta, por sua vez, repassou o dinheiro a uma rede de empresas-fantasma. Como resultado, essa estratégia dificultou significativamente o rastreamento dos recursos. Ao final da cadeia, a quantia de R$ 1.074.150,00 chegou à UJ Football — uma empresa de gestão esportiva ligada a Ulisses Jorge, apontado como o financiador da campanha eleitoral de Melo.
Além disso, delações mencionaram a UJ Football como tendo ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Outra empresa envolvida, a Victory Trading Intermediação, de Victor Henrique de Oliveira Shimada, também participou da operação ao ocultar e movimentar os valores suspeitos.
Diante das denúncias e, especialmente, do avanço das investigações, a VaideBet decidiu, em junho de 2024, romper oficialmente a parceria com o clube, acionando a cláusula anticorrupção prevista no contrato. A empresa, por conseguinte, justificou a decisão afirmando que os escândalos comprometeram sua reputação.
Enquanto isso, as apurações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo avançaram e levaram, posteriormente, à formalização de denúncia contra Augusto Melo, que agora responde na Justiça pelos crimes de lavagem de dinheiro, furto e associação criminosa. Além disso, os ex-diretores Sérgio Moura (marketing) e Marcelo Mariano (administração) também foram indiciados.
Eleito no fim de 2023 com a promessa de renovação e rompendo 16 anos da gestão do grupo Renovação e Transparência, Augusto Melo deixa o cargo menos de um ano após assumir.
soccer Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte, com sólida atuação na cobertura esportiva mineira. Apaixonado por comunicação e pelo universo do esporte, possui experiência como comentarista, setorista, social media e redator, atuando tanto no futebol profissional quanto em clubes amadores. Entusiasta dedicado de tudo que envolve o jogo dentro das quatro linhas.
Leia mais
Brasileirão