O Flamengo vai gastar cerca de R$ 279 milhões nesta janela para reforçar o elenco. Só a compra de Samuel Lino, por R$ 143 milhões, já bateu o recorde da história do clube. Além disso, o Rubro-Negro também vai desembolsar R$ 58,5 milhões por Emerson Royal e mais R$ 78 milhões para tirar Jorge Carrascal do futebol russo. Em valores atualizados, os três juntos custam quase o mesmo que toda a folha de contratações do Brasileirão em 2015.
Naquele ano, a contratação mais cara do país foi Giuliano, que trocou o Dnipro, da Ucrânia, pelo Grêmio por R$ 39 milhões. Na época, esse tipo de investimento já era considerado elevado. Hoje, esse valor representa menos de um terço do que o Flamengo pagou por apenas um reforço.
O contraste ajuda a explicar como o mercado brasileiro mudou. Se antes a lógica era gastar pouco, apostar em oportunidades e vender o quanto antes, agora os principais clubes disputam jogadores com ligas europeias e não hesitam em pagar caro por isso.
Em 2015, quase ninguém ultrapassava a barreira dos R$ 40 milhões por jogador no Brasileirão. Além de Giuliano, nomes como Alan Kardec (R$ 29,2 milhões), Ricardo Centurión (R$ 27,3 milhões), Elias (R$ 26 milhões) e Arrascaeta (R$ 26 milhões) figuravam entre os maiores investimentos.
O São Paulo liderava o ranking de gastos em nomes individuais, seguido por Grêmio, Palmeiras e Cruzeiro. Ainda assim, o padrão era contratar por valores mais baixos e montar o elenco com empréstimos ou jogadores livres no mercado.
As principais compras da época:
Dez anos depois, a lista mudou completamente. O Flamengo lidera em volume de investimento, com quase R$ 280 milhões em apenas três nomes. Mas não está sozinho. O Botafogo, com aporte da SAF, já gastou mais de R$ 319 milhões nesta janela, com destaque para Danilo (R$ 149,5 milhões), Arthur Cabral (R$ 78 milhões) e Álvaro Montoro (R$ 51,4 milhões).
O Palmeiras também entrou forte na disputa ao contratar Vitor Roque por R$ 154 milhões e Ramón Sosa por R$ 81,3 milhões. Bahia, Cruzeiro e Fortaleza, embora em outra escala, também se movimentaram de forma mais agressiva do que em anos anteriores.
As maiores compras de 2025:
Vários fatores ajudam a entender a transformação do mercado. O aumento das cotas de TV, o desempenho esportivo, a valorização do real e o fortalecimento institucional de alguns clubes explicam parte do cenário. Mas há também a influência das SAFs, que trouxeram investidores com apetite para competir com clubes da Europa.
Além disso, os clubes aprenderam a negociar melhor. Hoje, vendem jogadores por valores mais altos, com cláusulas de bônus, metas e porcentagens de revenda. Com isso, conseguem montar elencos mais competitivos e ainda manter fluxo de caixa positivo.
O futebol brasileiro passou a ocupar uma nova prateleira. Se antes era conhecido apenas como celeiro de talentos que exportava cedo, agora começa a se firmar também como mercado comprador. A mudança é visível não só nos valores gastos, mas também na qualidade dos nomes que chegam, muitos deles ainda com mercado ativo na Europa.
E os números não mentem: em 2015, a soma das cinco contratações mais caras do país totalizava R$ 147 milhões. Em 2025, apenas Samuel Lino, comprado pelo Flamengo, custou isso sozinho. Com isso, a virada passa também pelas SAFs, que injetaram dinheiro novo em clubes como Botafogo, Cruzeiro, Vasco e Bahia.
Além disso, os clubes formadores começaram a vender mais e com valores maiores. Vinicius Júnior, por exemplo, foi vendido por € 45 milhões, o equivalente a R$ 292,5 milhões. Vitor Roque, na negociação com o Barcelona, saiu por € 40 milhões (R$ 260 milhões), enquanto Estêvão saiu do Palmeiras para o Chelsea por valores que podem chegar a até € 61,5 milhões — cerca de R$ 399,8 milhões.
| Clube | Jogador | Idade | Posição | Valor pago (€) | Valor pago (R$) | Clube de origem |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Grêmio | Giuliano | 25 | Meia | € 6,00 mi | R$ 39,0 milhões | Dnipro (UCR) |
| São Paulo | Alan Kardec | 26 | Centroavante | € 4,50 mi | R$ 29,25 milhões | Benfica (POR) |
| Atlético-MG | Lucas Pratto | 26 | Centroavante | € 4,00 mi | R$ 26,0 milhões | Vélez Sarsfield (ARG) |
| São Paulo | Ricardo Centurión | 22 | Ponta | € 4,20 mi | R$ 27,3 milhões | Racing (ARG) |
| Corinthians | Elias | 29 | Volante | € 4,00 mi | R$ 26,0 milhões | Sporting (POR) |
| Cruzeiro | Arrascaeta | 20 | Meia | € 4,00 mi | R$ 26,0 milhões | Defensor (URU) |
| Palmeiras | Cristaldo | 26 | Atacante | € 3,50 mi | R$ 22,75 milhões | Metalist (UCR) |
| Atlético-MG | Maicosuel | 28 | Meia ofensivo | € 3,00 mi | R$ 19,5 milhões | Udinese (ITA) |
| Flamengo | Marcelo Cirino | 23 | Atacante | € 3,00 mi* | R$ 19,5 milhões* | Atlético-PR (BRA) |
| Internacional | Vitinho | 21 | Atacante | € 2,50 mi* | R$ 16,25 milhões* | CSKA Moscou (RUS) |
| Santos | Marquinhos Gabriel | 24 | Meia | € 2,00 mi | R$ 13,0 milhões | Al Nassr (SAU) |
| Palmeiras | Rafael Marques | 31 | Atacante | € 2,00 mi | R$ 13,0 milhões | Henan Jianye (CHN) |
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