O árbitro de vídeo, ou simplesmente VAR, começou a ser utilizado no futebol no dia 12 de agosto de 2016, nos Estados Unidos, durante a partida entre Orlando City II e New York Red Bulls II, pela terceira divisão do país. O recurso, que estreou com improviso — monitor fora do campo e operação ainda experimental —, foi implantado para tentar corrigir erros históricos que colocavam em xeque a credibilidade do apito. Desde então, o VAR entrou em campo para ficar e vem mudando a forma como o torcedor assiste e vive o jogo.
A ideia de implementar o árbitro de vídeo ganhou força após uma sequência de erros marcantes. O estopim foi o jogo entre França e Irlanda, em 2009, quando Thierry Henry usou a mão para dominar a bola antes de cruzar para o gol da classificação francesa à Copa de 2010. O episódio escancarou a necessidade de um auxílio tecnológico à arbitragem. Pouco tempo depois, na própria Copa do Mundo, um chute de Lampard que entrou claramente contra a Alemanha não teve validação. O mesmo ocorreu na Euro de 2012, em Ucrânia x Inglaterra.
Esses erros abriram caminho para a criação da Goal Line Technology, sistema que detecta se a bola ultrapassou a linha do gol. Mas foi o VAR que veio com a missão de revisar lances capitais como pênaltis, impedimentos, agressões e gols duvidosos — ou seja, tudo o que pode mudar o placar de um jogo.
Antes de estrear oficialmente na liga norte-americana, o VAR esteve sob teste em um amistoso na Holanda, mas sem status oficial. A estreia de verdade veio com o árbitro Ismail Elfath, que usou a tecnologia para revisar dois lances no duelo entre Orlando City II e Red Bulls II. Em campo, não havia cabine nem luxo: um auxiliar segurava o monitor na lateral.
No Brasil, a primeira experiência veio em 2017, na final do Campeonato Pernambucano, entre Sport e Salgueiro. Já em competições nacionais, a CBF introduziu o VAR na Copa do Brasil de 2018, a partir das quartas de final. No Brasileirão, começaram a usar em 2019, também na primeira rodada.
Hoje, o VAR é parte da rotina das partidas. Se por um lado gera polêmicas e atrasos no jogo, por outro diminuiu consideravelmente os erros crassos de arbitragem. Torcedores ainda reclamam da falta de transparência, mas é fato que o futebol se tornou mais justo, ao menos em teoria. O “olho eletrônico” ainda não é infalível, mas já impediu muitos lances de injustiça entrarem para a história.
soccer Jornalista em formação diretamente de Niterói-RJ. Busca juntar o que mais ama: comunicação e esporte. É grande torcedora do Fluminense e da McLaren, além de apaixonada por futebol nacional desde pequena. Encantou-se com diversas categorias do automobilismo e, hoje, não sabe viver sem os roncos dos carros. Uma grande entusiasta do multilinguismo e viajante pelo mundo.
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