Quase metade da torcida brasileira quer ver seus clubes se transformarem em SAF (Sociedade Anônima do Futebol), revela pesquisa inédita do AtlasIntel divulgada nesta quinta-feira (26), após colher 2.069 respostas online entre os dias 20 e 25 deste mês. Realizado no Brasil, o levantamento mostra que 45,1% dos torcedores aprovam o modelo, enquanto 33,2% são contrários, e 21,7% ainda não sabem o que pensar.
Sobretudo, o estudo coloca o Botafogo no topo do pódio: atual campeão brasileiro e da Libertadores, o alvinegro foi eleito pela maior parte dos entrevistados (33%) como a SAF mais bem-sucedida do país, deixando para trás modelos como o do Bahia (9,8%) e do Cruzeiro (5,3%). Mesmo assim, a pesquisa também expôs feridas abertas: o Vasco, mergulhado em brigas judiciais com antigos sócios, amarga apenas 1,1% na percepção de sucesso.
Entre os gigantes do futebol, Flamengo e Palmeiras lideram a resistência. Apenas 10,7% dos rubro-negros desejam ver o clube virar empresa, enquanto 64,3% rejeitam a ideia. Entre os palmeirenses, o clima é similar: 25,1% seriam favoráveis à SAF, mas 48,7% são contra. Já o Internacional surge com a terceira maior rejeição (34,1%). No Rio Grande do Sul, o Grêmio sinaliza terreno mais fértil, com 47,5% dos tricolores dispostos a embarcar no projeto, abrindo vantagem de 13 pontos sobre o rival colorado.

“Flamengo e Palmeiras vivem estabilidade dentro e fora de campo. O torcedor vê resultados, e isso pesa na rejeição à SAF. No caso do Botafogo, o sucesso recente empolga e alimenta esse desejo de mudança”, explica Marcelo Rotenberg, diretor de políticas públicas do AtlasIntel, destacando como “governança” e “dinheiro para contratações” aparecem lado a lado como grandes atrativos do novo modelo.

Porém, nem tudo são flores. Para 31,2% dos entrevistados, o maior medo é perder a identidade do clube, seguido por 11,1% preocupados em ver a torcida e os sócios perderem voz nas decisões. Afinal, para o brasileiro, futebol ainda é paixão, tradição e camisa.

O levantamento usou a metodologia RDR (Recrutamento Digital Randômico), que permite respostas anônimas pela internet e ajuda a evitar o constrangimento que poderia distorcer resultados em pesquisas presenciais. Segundo o AtlasIntel, a margem de erro é de 2%, assegurando retrato fiel da opinião nacional.
soccer Jornalista em formação diretamente de Niterói-RJ. Busca juntar o que mais ama: comunicação e esporte. É grande torcedora do Fluminense e da McLaren, além de apaixonada por futebol nacional desde pequena. Encantou-se com diversas categorias do automobilismo e, hoje, não sabe viver sem os roncos dos carros. Uma grande entusiasta do multilinguismo e viajante pelo mundo.
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