O Grêmio, clube tradicional de Porto Alegre, vive um impasse milionário em sua própria casa: a Arena. Desde 8 de dezembro de 2012, quando estreou no novo estádio, construído pela empreiteira OAS por cerca de R$ 600 milhões, o tricolor convive com um contrato complexo, em vigor até o fim de 2033, que restringe a autonomia e acende debates acalorados entre diretoria, torcida e investidores. Em 2025, as conversas sobre uma possível compra da gestão do estádio voltaram ao centro das atenções gremistas, motivadas por descumprimentos contratuais, problemas estruturais e a busca por maior arrecadação.
Pelo contrato atual, toda a renda dos ingressos vai para os cofres da Arena Porto-Alegrense, empresa criada para administrar o estádio em nome da OAS. O clube gaúcho só recebe receitas vindas do quadro social, sócios pagam diretamente ao Grêmio. O mais curioso é que, se quiser reduzir os preços dos ingressos para beneficiar a torcida, o tricolor precisa bancar a diferença com dinheiro próprio. Assim, para garantir assentos dos sócios, o clube ainda desembolsava cerca de R$ 2 milhões mensais. No entanto, este valor foi abatido judicialmente após virar credor da dívida.
O financiamento da Arena envolveu três bancos: Banco do Brasil, Santander e Banrisul. Ao longo dos anos, 66% da dívida, hoje estimada em R$ 150 milhões, foi comprada por um fundo paulista chamado Revee, por R$ 40 milhões. Por outro lado, os outros 34%, pertencentes ao Banrisul, tiveram aquisição do próprio Grêmio, que pagou R$ 20 milhões e se tornou credor de R$ 109 milhões. Esse movimento, logo, fortaleceu os bastidores do clube em futuras negociações.
O desejo de comprar a gestão da Arena é antigo e já esteve próximo de se concretizar. Porém, cláusulas contratuais blindam os demais envolvidos, o que dificulta a operação. O valor especulado para a aquisição gira em torno de R$ 80 milhões. Mesmo sem a administração do estádio, o Grêmio não paga nenhum custo de manutenção ou operação nos dias de jogo, cujo gasto mínimo é de R$ 300 mil, bancado integralmente pela gestora. Por outro lado, a ausência de recursos visíveis impacta na conservação da estrutura, alvo de críticas dos torcedores.
Com capacidade máxima de 55.662 torcedores por questões de segurança, a Arena já viu o Grêmio viver momentos inesquecíveis. Estes desde a emoção dos títulos até a dor do rebaixamento em 2021. O estádio arrecada de R$ 30 a R$ 40 milhões por ano com bilheteria, valor que o clube acredita poder absorver caso consiga comprar a gestão.
soccer Jornalista em formação diretamente de Niterói-RJ. Busca juntar o que mais ama: comunicação e esporte. É grande torcedora do Fluminense e da McLaren, além de apaixonada por futebol nacional desde pequena. Encantou-se com diversas categorias do automobilismo e, hoje, não sabe viver sem os roncos dos carros. Uma grande entusiasta do multilinguismo e viajante pelo mundo.
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