De acordo com a informação divulgada pelo jornalista Martin Charquero, Ignácio Ruglio, presidente do Peñarol, sugere a entrada do clube e de seu maior rival, Nacional (URU), no Campeonato Gaúcho em 2026. Os primeiros movimentos em prol da ideia surgiram na noite desta segunda-feira (17), no sorteio da Libertadores e da Sul-Americana.
Segundo apuração da ESPN com pessoas ligadas ao Peñarol, a intenção é verídica. Entretanto, ainda embrionária e vista como positiva para o desenvolvimento do campeonato e dos clubes estrangeiros em questão.
O dirigente do Peñarol também confirmou conversas iniciais com Andrés D’Alessandro, ídolo e atual diretor esportivo do Internacional. O clube gaúcho, ao ter conhecimento da proposta, reagiu positivamente e teria gostado da ideia apresentada.
Logo, ao que tudo indica, as próximas movimentações do Peñarol devem ser de validação das federações e dos clubes envolvidos no campeonato. Além disso, teria de ver a possibilidade diante de proibições jurídicas que podem existir e, então, travar a incorporação da dupla uruguaia.
Segundo Ruglio, a proposta teve apresentação ao presidente da Associação Uruguaia de Futebol (AUF), Ignacio Alonso, e teve sinal verde da entidade.
Recentemente, o dirigente fez duras críticas ao tratamento de torcedores estrangeiros no Brasil durante competições sul-americanas. Em entrevista ao programa Minuto 1, o presidente do clube uruguaio afirmou que há um ambiente de “zona liberada” para abusos contra visitantes e prometeu articular uma mobilização entre clubes do Uruguai, Paraguai e Argentina para pressionar a Conmebol por mudanças.
Além disso, Ruglio não economizou palavras ao relatar a insatisfação com a segurança nos estádios brasileiros. Segundo ele, há favorecimento dos times da casa, o que prejudica as torcidas visitantes, que estariam sujeitas a violência e detenções arbitrárias.
“O que acontece é que eles (os brasileiros) te matam, fazem o que querem com você, liberam áreas para você, e aí acontece isso, fazem um gesto e já é um drama. Um mínimo gesto, que não deveria ser feito, mas um pequeno gesto feito no Brasil vira um drama. Mas eles liberam áreas para você, te espancam, te deixam preso por quatro meses, as pessoas são detidas lá e nada acontece.”
O mandatário do Peñarol comparou a rigidez das punições a atos de racismo cometidos por torcedores com a suposta conivência da Conmebol em relação à violência nos estádios brasileiros. Para ele, há um desequilíbrio no tratamento das infrações.
“Eles podem fazer qualquer coisa com você no Brasil, é uma zona liberada. Em algum momento vamos começar a reclamar em massa na Conmebol.”
Ruglio revelou, ademais, que conversou com Flavio Perchman, vice-presidente do Nacional, e outros dirigentes sul-americanos sobre uma ação conjunta para cobrar melhorias na segurança dos visitantes no Brasil.
“A ideia é formar uma frente unida entre vários clubes, principalmente de Paraguai, Uruguai e Argentina, para começar a reclamar disso estruturalmente e mudar as condições lá.”
Nesse sentido, a polêmica declaração do presidente do Peñarol deve esquentar ainda mais o clima entre os clubes sul-americanos e a Conmebol. O que gera questionamento é a ambígua vontade do dirigente de evitar e jogar, ao mesmo tempo, no Brasil.
soccer Jornalista em formação diretamente de Niterói-RJ. Busca juntar o que mais ama: comunicação e esporte. É grande torcedora do Fluminense e da McLaren, além de apaixonada por futebol nacional desde pequena. Encantou-se com diversas categorias do automobilismo e, hoje, não sabe viver sem os roncos dos carros. Uma grande entusiasta do multilinguismo e viajante pelo mundo.
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